A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, nesta terça-feira, 27, ao PSD altera o posicionamento nacional do partido e produz efeitos colaterais nos estados. No Tocantins, a mudança atinge diretamente o senador Irajá Abreu (PSD), que até recentemente comandava a legenda local e integra a base de apoio do presidente Lula (PT), provável candidato à reeleição.

Caiado chega ao PSD com o objetivo declarado de disputar a Presidência da República, movimento que não teria espaço no União Brasil. A entrada dele no partido coloca o PSD em rota de colisão com o Palácio do Planalto e tende a reposicionar a sigla no cenário nacional ao longo de 2026.

No Tocantins, o novo desenho cria um impasse político para Irajá. Permanecer no partido que pode ser nacionalmente um adversário de Lula contrasta com a posição que o senador ocupa hoje no Congresso. A contradição ainda não se manifesta de formalmente, mas já orienta conversas reservadas.

Nesse ambiente, ganha relevância a recente mudança no comando do PSB no estado. A sigla passou a ser presidida por Roberto César Ferreira de Oliveira, o Cesinha, aliado de Irajá, após articulação com a direção nacional do partido. O PSB passou a integrar o mesmo campo político do PSD e do PDT no Tocantins e declara apoio ao projeto liderado pelo vice-governador Laurez Moreira e Irajá.

O PSB tem posição nacional definida de apoio ao governo Lula e abriga o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o que o coloca em sintonia com o campo político ocupado hoje por Irajá. A reorganização da legenda no estado amplia as opções do senador para a próxima eleição e reduz a dependência de um partido que pode assumir outro rumo em Brasília.