Cinco dias após a realização do primeiro turno do Processo de Eleições Diretas (PED) do Partido dos Trabalhadores no Tocantins, o resultado oficial segue indefinido. A votação, realizada no último domingo (6), expôs um racha interno na sigla e gerou uma série de denúncias cruzadas entre os principais candidatos ao comando do Diretório Estadual.

Os números divulgados inicialmente chegaram a apontar vantagem de Nile William, com 1.275 votos, seguido por Diego Montelo, que aparece com 1.054. Já em apuração final apresentada pela diretório estadual, Montelo, que seria o candidado do atual grupo governante, aparece na frente, com 1.298 votos, enquanto Nile teria somado 1.271. A inconsistência nos resultados e a ausência de dados consolidados por parte da Comissão Eleitoral alimentam o impasse.

Em vídeo que circula nas redes, Diego Montelo acusa a existência de fraudes nas atas de votação. Ele afirma ter contratado um perito grafotécnico que teria identificado assinaturas falsas, além de apresentar mensagens de eleitores que negam ter comparecido à votação. “A fraude está provada”, diz Montelo na gravação, em que afirma ter vencido o primeiro turno e que irá recorrer às instâncias internas do partido.

Procurado pelo Jornal Opção Tocantins, Montelo disse que só se manifestará após decisão oficial do Diretório Estadual ou Nacional.

O adversário, Nile William, contesta a versão e acusa Montelo de concentrar o controle da eleição, mesmo sendo candidato. Segundo ele, na condição de secretário de Organização do partido, Montelo teria definido sozinho o envio de cédulas aos municípios, excluindo localidades onde Nile tem base. Ainda conforme o relato, a apuração também teria sido centralizada pelo próprio Montelo, sem repasse à Comissão Eleitoral.

“Ele recebeu as atas, somou os votos, publicou o resultado, e agora ataca o processo que ele mesmo comandou. Em cidades como Vanderlândia, votos que recebi foram atribuídos a ele”, afirma Nile.

A crise se aprofundou com a exclusão de membros da Executiva Estadual que questionavam o processo. Segundo Nile, o presidente estadual do partido, Zé Roberto Lula, teria substituído nomes contrários à condução da apuração, antes da reunião decisiva sobre os recursos apresentados. Nile relata ainda ter sido impedido de participar do encontro, mesmo sendo candidato e autor do recurso.

Outra frente de preocupação se soma à disputa: segundo Nile, desde 9 de junho, integrantes de sua campanha vêm relatando clonagem de WhatsApp e perda de acesso a grupos e contatos, o que chegou a motivar boletim de ocorrência. Agora, mensagens de números desconhecidos estariam sendo usadas como indício de que eleitores não participaram do PED, estratégia que ele relaciona às clonagens registradas semanas antes da votação. Ao Jornal Opção Tocanitns, o candiato apresentou uma série de documentos, que segundo ele, são provas da atuação do grupo adversário para prejudicar sua eleição.

Comissão

A reportagem apurou que situação teria gerado reação de lideranças históricas do partido, que estariam articulando junto ao Diretório Nacional o envio de uma comissão de apuração e observadores externos para acompanhar a disputa no estado. A avaliação de alguns militantes é que há um descontrole generalizado no processo, com indícios graves de interferência e irregularidades por parte da atual direção estadual.

O Diretório Nacional também não se pronunciou oficialmente, e aguarda a análise interna dos recursos para tomar qualquer decisão. A Executiva Estadual do partido estaria reunida na tarde desta sexta-feira, 11, para analisar o recurso. Pelo o que a reportagam ouviu, Diego pede a anulação de mais de 450 votos atribuídos ao adversário

O segundo turno da eleição, caso seja mantido, está previsto para o dia 27 de julho.