Eduardo Siqueira Campos: “não governo para agradar avaliações e sim com metas e rigor com o dinheiro público”
04 janeiro 2026 às 08h00

COMPARTILHAR
Eleito prefeito de Palmas nas eleições de 2024 pelo Podemos, Eduardo Siqueira Campos nasceu em Campinas (SP) e construiu uma carreira política marcada por diferentes cargos eletivos e funções administrativas. Filho do ex-governador José Wilson Siqueira Campos, ingressou na vida pública em 1988, ao se eleger deputado federal. Mais tarde, comandou a Prefeitura de Palmas por dois mandatos, entre 1992 e 1997, foi senador da República e integrou o governo estadual como secretário de Planejamento e de Relações Institucionais.
Ao fazer um balanço de sua trajetória e do primeiro ano à frente da Prefeitura de Palmas, o prefeito Eduardo Siqueira Campos afirmou na entrevista da semana do Jornal Opção Tocantins que sua história na política foi construída ao longo de décadas de atuação em diferentes funções públicas e marcada por episódios pessoais difíceis. Segundo ele, a experiência acumulada ao longo da carreira o qualifica para o cargo que ocupa atualmente.
Ao tratar de questionamentos e críticas que surgem ao longo da vida política, Eduardo afirmou que não há condenações contra ele relacionadas à administração pública ou à sua honra. “Como toda vida pública, há questionamentos. Mas traga uma condenação de qualquer natureza ligada à administração pública, ao meu mandato, à minha honra — não existe.” Segundo ele, investigações e ataques fazem parte do ambiente político. “Ataques, operações, isso faz parte da vida pública. Isso não muda quem eu sou.”
Na entrevista, o prefeito também falou sobre sua trajetória pessoal, marcada por dificuldades desde a infância e por perdas familiares. Ele relatou que a convivência com o pai foi um período de aprendizado e preparação. “Minha infância foi dura. A convivência com meu pai foi cheia de aprendizado. Ele me escolheu entre os filhos e me preparou.” Eduardo mencionou ainda a morte do pai, em 2023, aos 94 anos. “Perdê-lo em 2023 foi muito difícil, ainda mais quando tudo indicava que ele veria minha eleição.”
Qual balanço o senhor faz do primeiro ano da sua gestão e o que projeta para 2026?
Veja, eu não sou muito adepto dessa questão de ficar buscando aprovação ou avaliação positiva junto a terceiros. O que me move são metas pessoais e o rigor que eu me imponho diante da coisa pública.
Para mim, a vida é como um grande pára-brisa: a gente precisa olhar para frente, mas também ter um retrovisor pequeno para saber de onde veio. Meus olhos estão voltados para o futuro, mas é preciso entender o que está acontecendo hoje. Eu não governo para agradar avaliações, governo com metas e rigor com o dinheiro público.
Eu gostaria de ter realizado uma série de outras ações, mas fiquei impedido por fatores que não se tratam de jogar problemas no colo de terceiros. É impossível encerrar uma transição com um número que está no Tribunal de Contas do Estado chamado “despesa do exercício anterior”. Não se deve confundir isso com restos a pagar. Restos a pagar é quando você empenha, tem dinheiro em conta e deixa o recurso para o próximo gestor. Já a despesa do exercício anterior é diferente: você precisa ir atrás de processos.
Encontrei dois restaurantes comunitários, na região norte, absolutamente vandalizados, destruídos e sem funcionamento havia três anos. Fizemos o investimento e os reabrimos. Eles estavam completamente esquecidos.
Hoje, são equipamentos de alta qualidade, com dez aparelhos de ar-condicionado de 60 mil BTUs em cada unidade, oferecendo refeições em ambiente climatizado e com qualidade.
Faço sempre a conta para mostrar onde o custeio da Prefeitura atual. São cerca de 4 mil refeições por dia, com custo contratado de R$ 12 por prato. A população paga R$ 3, e o município subsidia os outros R$ 9. Isso representa R$ 36 mil por dia. Em 22 dias úteis, são aproximadamente R$ 792 mil por mês, o que chega a cerca de R$ 9,5 milhões por ano.
Durmo mais tranquilo sabendo que são mais de um milhão de refeições fornecidas anualmente. Não existe verba específica para Réveillon na área da cultura. É uma opção administrativa.
Para se ter uma ideia, o Réveillon de 2023 custou exatamente R$ 9,5 milhões, o mesmo valor do custo anual dos dois restaurantes comunitários. Foram cerca de 30 mil pessoas presentes. Houve registros de confusão, furtos, disparos e outros problemas.
Eu me pergunto se essas 30 mil pessoas não teriam outras opções de lazer. Não houve impacto relevante no comércio local. Não eram pessoas de fora; eram moradores da própria cidade.
Não é uma escolha entre Réveillon ou comida. É uma coincidência de valores que ajuda a refletir. Um cachê de uma dupla dessas chega a R$ 800 mil por mês.
Voltando ao geral, encontrei a Casa da Mulher com uma placa de inauguração, mas sem instalação elétrica, sem fiação, sem móveis, sem ar-condicionado e sem pintura. Para mim, inauguração é quando o serviço funciona.
A ministra ficou bastante contrariada e determinou que, no mês de maio deste ano, mês da mulher, a obra deveria estar pronta. Foi extremamente difícil, mas hoje a Casa da Mulher está em pleno funcionamento. Houve custeio do ministério, mas o município precisou investir recursos próprios para viabilizar a entrega.
Também encontrei o restaurante comunitário com o jantar fechado, que foi reaberto. A Casa da Mulher fechada, que foi reaberta. Ao visitar os CRAS, vi unidades com estruturas comprometidas, algumas literalmente caindo. Os conselheiros tutelares estavam desesperados.
Iniciamos um trabalho de recuperação. O CRAS do bairro Santa Bárbara, por exemplo, será entregue agora em janeiro. Além disso, existem as casas-abrigo, que acolhem crianças sem pai nem mãe, que nunca foram adotadas e que são responsabilidade do município.
Essas casas eram alugadas e apresentavam mofo, goteiras e condições inadequadas. A secretária Polyanna esteve lá, se emocionou, chorou. Aquilo nos tocou profundamente e nos motivou a agir. Alugamos uma casa ao lado, fizemos a reforma e devolvemos a dignidade. Isso foi feito.
Hoje, há 120 moradores em situação de rua que passaram a ser atendidos por meio de busca ativa. Todos os dias são oferecidas 120 refeições, com apoio de veículo e acompanhamento de assistente social.
Na última gestão, a Secretaria de Ação Social teve sete secretárias. Isso mostra que não houve continuidade em uma das políticas públicas mais importantes.
Dentro desta avaliação, quais são as políticas públicas essenciais que tiveram destaque na gestão?
O Sistema Único de Saúde (SUS), o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e a educação. São três eixos fundamentais. Partimos, então, para a recuperação do sistema de assistência social.
Estamos reformando os CRAS, reformando casas de passagem e participando de todas as reuniões com o Ministério Público, com juízes, com o Tribunal de Justiça e com os conselhos. E o que a gente ouvia? “É a primeira vez que um prefeito e uma secretária participam da abertura do Conselho de Alimentação.” O Caisan, que é o Conselho de Segurança Alimentar.
Nós fomos enfrentando ações civis públicas que tramitam há cinco anos, obrigando o município a entregar todos os CRAS, veículos novos e uma série de estruturas. São ações que o município recorreu por cinco ou seis anos e que agora chegaram à fase de cumprimento de sentença, exigindo que tudo seja feito de uma vez. Isso amplia significativamente o custeio.
Saúde – Passando para a saúde, eu entreguei pelo menos cinco Unidades Básicas de Saúde extraordinárias, em locais estratégicos. Essas UBS também estavam com estruturas comprometidas. Resolveu tudo? Não. Ainda há um desafio enorme, com inúmeras UBS que precisam ser restauradas.
Quando se reforma uma UBS, muitas vezes é praticamente uma nova unidade, porque são feitas melhorias estruturais e ampliação de serviços. O objetivo é fazer funcionar, ampliar especialidades. Hoje, não se ouve mais falar em falta generalizada de medicamentos. Houve situações pontuais, normalmente ligadas a licitações fracassadas. Acabou aquela queixa recorrente de falta de remédio.
Postos de saúde com medicamentos, UBS reformadas, mais de cinco: Buritirana, Taquaruçu Grande, Santa Bárbara, 503 Norte, 1504 Sul, 1506 Sul. O Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) também foi totalmente reformado. Houve reconstrução da cozinha da UPA Norte, que estava em condições precárias, além da recomposição das equipes das UPAs.
Voltando aos eixos: SUAS, SUS e educação. Vou lhe dar alguns dados. Em 2024, Palmas foi a capital brasileira com maior índice de transmissão vertical, de mãe para feto, de HIV, além de altos índices de sífilis e HPV. Foi uma situação triste.
Em dezembro, a secretária municipal de Saúde foi convocada para receber um prêmio nacional, porque Palmas foi o município brasileiro que mais conseguiu reverter esse cenário. Viramos essa lógica. O que aconteceu? Um sistema de vacinação em massa, silencioso, com busca ativa de quem não estava vacinado. Trabalhamos fortemente na prevenção e fomos premiados por isso.
Educação – Saindo do SUS e indo para a educação, qual era o grande problema? O diretor da escola fazia tudo: comprava merenda, cuidava do telhado, da piscina, das reformas, contratava contador, advogado. Nada contra o diretor, que é pedagogo, mas isso não é função pedagógica.
Faço uma comparação: você é jornalista. Se eu disser que, além de apurar e escrever, você tem que consertar goteira, arrumar ar-condicionado e reformar a redação, você deixa de exercer sua essência profissional. Foi isso que buscamos corrigir.
Começamos pela merenda escolar. São 43 mil crianças que frequentam diariamente CMEIs ou escolas de tempo integral. Hoje, todas as escolas têm em seus depósitos arroz tipo 1, feijão tipo 1, leite, inclusive sem lactose para quem precisa, frutas e três tipos de proteínas por semana.
As proteínas chegam às terças e quintas: peixe, carne embalada a vácuo diretamente do frigorífico e frango — coxa e sobrecoxa. Além disso, cumprimos a compra mínima da agricultura familiar, com 70%.
Hoje, posso afirmar: se em uma escola as crianças comem tilápia, em outra podem estar com galinhada, em outra com carne moída ou carne de panela. Todas recebem proteína, três vezes por semana, com variação. As 82 unidades escolares estão niveladas em padrão A de alimentação.
Tem criança que se alimenta basicamente na escola. Hoje, são no mínimo três refeições por dia. Pegue 43 mil crianças e multiplique por três: são 129 mil refeições diárias.
Antes, isso não acontecia. Às vezes era apenas uma refeição, dependia do que a diretora conseguia comprar. Hoje, há nutricionista, cardápio, supervisão e compras centralizadas. Você não compra um saco de arroz de 10 quilos pelo mesmo preço quando compra um ou quando compra cinco mil. Isso é economia de escala e democratização da alimentação.
Também estamos mudando a lógica administrativa. Há diretoras que não conseguiram prestar contas nos últimos três anos. Um consertava uma janela por R$ 200, outro por R$ 500. Um consertava um ar-condicionado por R$ 300, outro por R$ 500. Isso é desperdício.
Não me chame isso de tirar dinheiro da escola. Eu estou tirando dinheiro de atravessador. Estou ganhando em escala. Consertamos a vida de 43 mil alunos.
Transporte público – Vamos para o outro eixo: transporte coletivo urbano. Isso é um caos, e não há como negar. Hoje, Palmas é a única capital brasileira com frota 100% climatizada. Antes, eram 100 ônibus alugados, muitos antigos, alguns pegando fogo, gerando um cenário caótico.
Hoje, começamos com 140 ônibus, mais 14 de reserva. Identificamos situações em que havia ônibus disputando passageiros, quatro veículos no mesmo trecho, todos com assentos vazios. Isso acontece em uma cidade onde não se cobra passagem aos sábados,
Alguns ônibus retornaram, sim, mas fizemos uma mudança importante: eu só pago quilômetro rodado. A prefeitura não tem relação com garagem, combustível, peças ou salário de motorista. Eu pago o quilômetro rodado, e o cidadão entra com R$ 4,85.
Somos a única capital brasileira com 100% da frota zero quilômetro, 100% com ar-condicionado e com Wi-Fi. Eu não desqualifico o transporte coletivo urbano. Pode melhorar? Claro que pode. Tem mês em que não recebo nenhuma reclamação na ouvidoria. Às vezes alguém diz que no sábado está demorando. Mas é gratuito. Temos uma meta de quilômetros rodados.
O sábado e o domingo não são exatamente iguais à segunda-feira, porque quem paga de segunda a sexta também está pagando o transporte gratuito de sábado, domingo e feriados. Isso faz parte do processo de democratização e de igualdade. Não se pode penalizar quem paga durante a semana, ainda mais considerando que a tarifa é de R$ 4,85.
A receita acaba ficando mais frágil por causa disso. A concessão foi mantida, mas a matriz foi totalmente alterada. Antes, a prefeitura alugava ônibus por cerca de R$ 48 mil por unidade, independentemente de rodar ou não. Mesmo parado, o valor era pago. Ônibus velhos.
Hoje, pagamos por quilômetro rodado, com ônibus zero quilômetro e climatizados. Não há mais preocupação com garagem, combustível ou manutenção.
Concluímos, então, o terceiro eixo, que foi o transporte coletivo urbano.
Infraestrutura – Fizemos a recuperação total da avenida que liga ao Taquari, a antiga Teotônio Segurado, hoje Avenida Siqueira Campos. Era uma via extremamente deteriorada, com ciclovia ao lado e alto risco de acidentes. Hoje está bem sinalizada e com asfalto de qualidade.
Mais de 35 mil pessoas moram no Taquari, o maior setor da cidade. Essa via passa pelos Aurenys, segue até o centro. Também estamos fazendo o sentido Leste-Oeste, com a Avenida I e a Avenida Goiás, que cortam do Jardim Aureny I ao Jardim Aureny II.
Em Taquaralto, há a Avenida Taquaruçu, uma das principais vias, além da Avenida Tocantins. Fizemos incontáveis reuniões e vamos iniciar agora a readequação dessa avenida.
De forma geral, avançamos muito no asfalto. O distrito de Palmas está recebendo pavimentação. O acesso Norte, Água Fria, Água Boa, condomínios, tudo em execução. Fizemos asfaltos estratégicos em todas as regiões. Na região Sul, consertamos paralelas da Avenida Tocantins, em Taquaralto.
Quando se tem uma malha antiga, basta chover para surgirem buracos. Por isso, outra questão importante é a drenagem. A cidade parou de fazer macrodrenagem. A prefeita Cinthia iniciou uma obra na LO-21; eu estou concluindo. Isso permite abrir bocas de lobo das quadras laterais e criar emissários.
Palmas precisa de um novo plano diretor de macrodrenagem. As mudanças climáticas trouxeram chuvas mais intensas e concentradas. Isso está sendo tratado em projetos. Isso é mobilidade.
Aprovamos R$ 169 milhões no PAC para o Corredor de Mobilidade, que sai do Taquari, atravessa os Aurenys e chega à ponte do Bertaville, conectando à BR-010. Em janeiro, encomendei o projeto. Trata-se de uma ponte estaiada, um projeto delicado, que precisa ser muito bem estudado.
Essa via vai integrar o Plano Diretor à região Sul. Este ano, conseguimos R$ 10 milhões para projetos complementares, que já estão prontos. Para 2026, temos mais de R$ 50 milhões garantidos no orçamento. Metade do valor da ponte já está assegurada antes mesmo do início da obra. Vamos fazer a ponte do Bertaville.
Sobre a duplicação da Teotônio Segurado, o projeto está pronto e buscaremos financiamento. A ponte dos Cruz, em Taquaruçu, tinha 35 anos, era de madeira e estava caindo. Já foi entregue.
Sobre a Avenida Tocantins, realizamos inúmeras reuniões com comerciantes e ambulantes, apresentamos três opções de projeto. Agora vamos retirar a ciclovia, refazer o asfalto e devolver uma Avenida Tocantins digna.
Quanto aos buracos, estamos recuperando a malha viária com asfalto de qualidade e refazendo o sistema de drenagem. Pensamos estrategicamente na parte Norte, Sul e na mobilidade urbana.
Há também os equipamentos urbanos, que impactam diretamente a qualidade de vida. É muito ruim chegar à praça da sua quadra e encontrar tudo escuro, sujo e abandonado. Recuperamos muitas praças. Para quê? Para fortalecer a convivência das famílias no fim da tarde.
Na área comercial, temos a Arca de Taquaralto. O projeto já existia, mas não havia recursos. Licitamos e executamos. Está pronta e bonita. Alguns comerciantes reclamam de energia, mas não é papel da prefeitura fornecer energia individual ou estoque. O que fizemos foi restaurar o Banco do Povo, que vai financiar estoque e conceder crédito aos comerciantes da Arca.
No Camelódromo, o projeto está pronto e as obras começam no início do ano. No Jardim Aureny III, uma promessa de asfalto de 32 anos, estamos executando. São inúmeras ruas já asfaltadas.
Não paramos em nenhuma frente. Estamos restaurando o Parque do Povo. A cidade não tinha mais um grande auditório para formaturas, apresentações e eventos. O Espaço Cultural está destruído. Não foi prioridade no primeiro ano, mas agora entraremos na recuperação de dois grandes equipamentos: a Praça do Ayrton Senna, que será uma das maiores praças de Palmas, e o Espaço Cultural.
Isso permitirá, por exemplo, retomar o Salão do Livro. Fernanda Montenegro esteve aqui, ajudou a dar nome ao teatro e me perguntou como ele estava. Fico constrangido em responder. Não havia cadeiras, estava abandonado.
Houve momentos em que a prefeitura ficou sem dinheiro, sim. O custeio aumentou, mas não com salários. Pelo contrário: fiz um corte de 30% no número de carros oficiais e mais 30% no valor do DAS, o que gerou uma economia de 23%.
Pagamos o 13º na data correta, a folha de dezembro no dia 23, e agora estamos ajustando os pagamentos aos fornecedores. Para a imprensa, foi um ano muito difícil, porque não conseguimos anunciar tudo o que foi colocado à disposição da população. Mas 2026 será um ano muito melhor.
Falo sempre de gasto público. Em 2024, houve um show do Alok no aniversário de Palmas, com custo de R$ 8 milhões. O que fizemos no aniversário da cidade? O desfile cívico.
Festival Gastronômico de Taquaruçu em 2024: R$ 12,5 milhões. Em 2025: R$ 4,5 milhões. Uma economia de R$ 8 milhões. As atrações não eram as mesmas, o palco não era tão grandioso, mas com R$ 8 milhões a menos, considero que foi excelente. Ana Vitória, Fafá de Belém. Isso é cultura. Ano que vem virão outras atrações, mas com menos gasto e melhor estrutura, sem aquele camarote enorme do prefeito, maior do que todo o resto.
Quais seriam essas prioridades orçamentárias, prefeito? Principalmente quando o senhor fala dessa limitação financeira que o município está passando atualmente.
Bom, então vamos lá. A ponte do Bertaville vai começar no ano que vem. Eu espero que em meados de maio, por volta do dia 20 de maio, eu possa estar dando a ordem de serviço. É uma ponte que vai levar um ano e meio, no máximo.
Conquistar o financiamento para a duplicação da antiga Teotônio, hoje Avenida Siqueira Campos, porque aí você iria até o Taquari em pista dupla e futuramente até a Vila Graciosa.
Então, em termos de mobilidade urbana, os três grandes eixos são a BR-010, a NS-10 com a ponte do Bertaville e a duplicação da Teotônio. São obras que, principalmente a ponte do Bertaville, como eu te falei, eu quero até o dia 20 dar a ordem de serviço.
Quero também contratar o financiamento para a duplicação da Siqueira Campos, antiga Teotônio. Nós temos um pacote de R$ 169 milhões. Os projetos estão todos entregues. O ministro Renan Filho veio aqui, e o que ele disse foi: “Prefeito, parabéns”. Na verdade, foi o ministro Jader que disse isso, porque era algo ligado à questão das cidades. Ele falou: “Parabéns, prefeito Eduardo. A única capital da região Norte que conseguiu se habilitar no PAC com um projeto maravilhoso”. Palavras do ministro.
Então vamos atrás de iniciar essas obras, que são custeadas inteiramente pelo PAC. Os projetos estão sendo encaminhados.
Em termos de mobilidade urbana, vamos falar da malha asfáltica. Você vai ver um banho de CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), porque agora eu estou com financiamento do Banco do Brasil. Consegui aprovar, tirar na Secretaria do Tesouro Nacional a certidão de regularidade previdenciária, que o município tinha apenas por liminar.
Nós resolvemos todos os problemas, entregamos o RPPS (Regime Próprio de Previdência Social), que é o nosso PreviPalmas. Ele está totalmente blindado com o Banco do Brasil. Veja o que muitos fizeram. Eu não quero criticar ninguém, mas olha essas questões de outros bancos. Eu não quero falar de banco específico, porque pode parecer crítica, mas eu estou falando do Banco do Brasil.
Então, o fundo de pensão, além de ter o certificado de regularidade previdenciária, está entregue ao Banco do Brasil, blindado contra qualquer coisa. O plano de saúde da Geap está funcionando com plenitude para os servidores. É o melhor plano de saúde que tem hoje no mercado de Palmas.
De uma forma geral, já que a gente precisa de uma reavaliação da macrodrenagem, vamos tentar também um financiamento, porque são obras caras. Essa obra da LO-21, que a prefeita começou e que eu vou terminar — eu vou fazer 70%, ela fez 30%, pouco importa — custa em torno de R$ 36 milhões.
Mas essa é uma LO. Quantas outras a gente tem que vão precisar disso? Mais oito, para jogar no lago. Então você está falando de R$ 200 milhões, R$ 300 milhões em plano de macrodrenagem. É outro financiamento que a gente vai ter que captar.
Vou fazer a pista do Kartódromo, que está mais da metade acabada, para trazer uma etapa do Campeonato Brasileiro de Kart.
Como a gestão conseguiu descentralizar a iluminação e as apresentações natalinas para bairros? O que mudou na forma de planejar e executar os eventos públicos em Palmas?
Falando um pouco deste ano, a iluminação de Natal teve no Taquari, no Taquaralto, nos Aurenys, na Palmas Brasil Norte, na Avenida Siqueira Campo. E o Parque Cesamar, eu vou te dizer uma coisa: eu acho que ele nunca ficou tão lindo quanto agora.
Aí você pergunta: “O que isso custa?”. Custa R$ 3,5 milhões. Descentralizado, contando peças que foram para todos os bairros, carretas, grupos de apresentações. Eu não tive Papai Noel alugado, não tive casinha de Papai Noel alugada.
Foi o Natal da reciclagem, do reaproveitamento, da pintura, da restauração. Deu para fazer um Parque Cesamar lindíssimo, deu para fazer a itinerância, que incluiu até a zona rural. Buritirana teve iluminação, Taquaruçu teve iluminação, Taquaralto teve iluminação, Aurenys teve iluminação, e teve itinerância de apresentações natalinas, coral, peça teatral. Tudo isso com R$ 3,5 milhões.
Aí eu pergunto para você: lembra de 2018, 2019, 2023, aqueles R$ 18 milhões? Casinha de Papai Noel a R$ 800 mil, Papai Noel alugado a R$ 400 mil. Eu não paguei aluguel. Foram 80% de reaproveitamento e 20% de aquisição e aluguel.
São aproximadamente R$ 42 milhões de economia. E a gente nem está falando de política pública de saúde ou assistência social, estamos falando de eventos.
O que eu fiz com essa diferença? Está nos postinhos de saúde, nas praças, no asfalto de qualidade. Tem gente que fala: “Ah, o festival não foi tão bom”. Mas um festival gastronômico de R$ 12,5 milhões contra um de R$ 4 milhões, bem feito, dá para aceitar até que a gente recupere tudo.
Eu não queria transformar isso num comparativo. Eu só quero dizer que a gente escolheu um caminho, e esse caminho está sendo sentido pela cidade.
Em todas as áreas, a gente procurou mexer, mesmo com dificuldade financeira, mudando essa matriz do gasto público. Só esses números já mostram isso.
De que forma a prefeitura está respondendo ao aumento da demanda por creches causado pelo crescimento da população?
Agora, olha a mudança da população de Palmas em sete anos. Isso aqui virou uma loucura. A cidade ganhou um segundo turno em três anos.
Palmas cresceu muito e a gente ficou com um déficit enorme. Eu já estou quase concluindo uma escola de tempo integral lá no Taquari. Até julho, nós temos hoje um déficit de cerca de 2.700 vagas em creche. Eu não acho que são 2.700, eu acho que são 3.000. Então, até julho, eu vou colocar 3.000 crianças na creche.
Vou colocar seis refeições por dia, creches bem equipadas, com tudo de melhor. Um CEMEI hoje leva um ano e meio para ser construído. Eu comecei em janeiro e vou inaugurar em março, com um ano e três meses. Como colocar 3.000 crianças em vagas até julho? É um desafio, mas as mães agradecem.
A ausência da festa de Réveillon gerou polêmica em Palmas. Por que a prefeitura decidiu não realizar o evento?
Sobre os eventos, tem gente que diz que eu tirei dinheiro da cultura para colocar na saúde ou na assistência social, e não é isso. A gente não tem uma verba escrita “cultura”. A gente faz um orçamento e precisamos priorizar a economia diante da situação atual. Sempre que você fala de Arraiá da Capital, festival gastronômico, luzes de Natal, Páscoa, são eventos que aquecem a economia.
A gente faz esses eventos junto com o CDL, com a Associação Comercial, com o objetivo de fixar o cidadão em Palmas, de fazer com que ele fique aqui. Temos eventos no calendário: Festival da Jabuticaba em Taquaruçu, Festival Gastronômico, Arraiá da Capital.
Tem como otimizar e gastar menos? Tem. O governo do Estado faz o festival de quadrilhas. Dez dias depois, não dá para fazer junto? Pensando como um todo, olha o tamanho da estrutura. Dá para usar a mesma estrutura: uma noite festival de quadrilhas, outra noite Arraiá da Capital, depois volta, alternando.
Como está hoje a relação institucional da prefeitura com o governo do Estado?
O meu relacionamento institucional com o governo do Estado propiciou ao governador três coisas: a autorização renovada do Parque Tecnológico, o microparcelamento aprovado da Cidade do Automóvel e a escritura do CAIC para iniciar a reforma. Isso foi o mínimo entre eu e o governador Wanderlei. Isso é institucionalidade. Não tem briguinha política. Apoio político é outra coisa. Institucionalidade é a palavra.
Eu trabalho para a população. Quero que você ligue para qualquer membro da bancada e veja se não houve essa afirmação: mais de dez anos sem um prefeito de Palmas ir a Brasília buscar recursos. É verdade que os recursos só vão entrar agora por causa da suspensão das emendas, mas nós vamos passar de R$ 100 milhões em emendas. Em um ano. E olhar para trás e ver dez anos sem buscar recursos é assustador.
Isso conta a minha experiência de senador, de deputado, de coordenador de bancada. E mais importante: engole o ego. Se eu não tive apoio do governador, da prefeita no primeiro turno, do governo Lula, do governo Bolsonaro, dos senadores, dos deputados federais, dos deputados estaduais, dos vereadores da legislatura passada, eu fui lá e venci a eleição.
Depois disso, eu esqueci o CPF e entrei com o CNPJ da prefeitura. Fui à senadora coordenadora da bancada, fui ao Irajá, ao Eduardo Gomes e aos oito deputados federais. É preciso humildade para separar política de instituição. O CNPJ precisa conversar.
Tem gente que olha e fala: “Essas pessoas foram contra você e você está tirando foto com elas”. Eu não estou tirando foto, eu estou buscando dinheiro. O ego tem que ser pequeno, a vaidade tem que ser jogada fora para fazer uma gestão sóbria.
Nessa nova gestão, até quem é jornalista vê isso claramente. Não existia em nenhuma outra gestão o que a gente está fazendo agora. Se a informação não é boa para a prefeitura, eu que me vire para consertar. Eu não tenho que reclamar de veículo, eu tenho que entender o papel do veículo.
Tem veículos que só batem? Tem. Eles fazem o papel deles. Agora, quem trabalha para a informação da sociedade é outra coisa. O jornalismo não requer adjetivação, requer informação.
Eu desenvolvi uma relação muito saudável com a imprensa. Não processo veículo, não processo jornalista. Entendo as diferentes matrizes de crítica. Isso não funciona comigo.
A detenção do prefeito e a Operação Desvendar geraram forte repercussão política em Palmas. Como o senhor avalia os impactos desse episódio na gestão?
Foi um ano difícil. Tive dois filhos com problemas graves de saúde, minha esposa teve aneurisma, eu tive infarto, coloquei meu terceiro stent, tive aquela detenção. Mesmo assim, eu saí mais aplaudido e abraçado do que na eleição. Porque as pessoas viram a discrepância dos fatos.
Não falo de decisão de ministro, falo do fato em si. A Operação da Polícia Federal não tem nada a ver comigo, não tem nada a ver com administração, com corrupção ou qualquer outra coisa. Tanto é que houve revisão da decisão. Eu respeitei todas, mas atrapalhou muito.
Houve um baque político. Eu recebi meu vice, que é pastor, no quartel. Ele fez uma oração e, quando terminou, disse: “Prefeito, quando o senhor saiu daquela vez e me deixou assumir, eu não precisava. Em menos de 14 dias, eu entrei e saí com tudo normal”.
Eu não vou demitir ninguém. Eu vou esperar a sua volta. A sua mesa e a sua equipe vão continuar despachando na minha mesa. E o que aconteceu foi totalmente o contrário. Eu não vou atrás disso. Virou uma zona. Todo mundo viu que ele estava lá dentro. Isso foi muito duro para mim. Se você olhar todas as placas de inaugurações, o vice falava no início, o nome dele estava lá. Eu prestigiando.
Ele não tinha obrigação. Ele poderia ter me falado: “Eduardo, eu vou trocar o time inteiro. Quero passar um mês, quarenta dias, dez dias. O time é meu”. Tudo bem. Isso é jogar limpo. Eu não teria o que questionar.
Ainda bem que ele fez uma reunião com o secretariado e reafirmou que não ia trocar ninguém. Isso foi às duas horas da tarde. Às 19h30 saiu o primeiro Diário Oficial com dois secretários demitidos. Isso faz parte de uma retrospectiva de um ano muito difícil para mim.
Do ponto de vista do aneurisma da minha esposa, do meu infarto, dessa detenção que foi desproporcional, mas decisão judicial se cumpre. Eu não contesto. Ofereci, por meio de advogados, a contraprova e consegui reverter a decisão. Tudo isso afetou esse ano.
Mas eu vou te dizer uma coisa: acho que a cidade de Palmas percebeu que tem alguém disposto a trabalhar, alguém disponível para falar, alguém que é encontrado nas ruas. E os resultados começaram a aparecer. Este ano foi um ano de preparação.
Quais ações estão previstas para enfrentar os problemas históricos de alagamentos e deterioração do asfalto em Palmas?
Com a mudança climática e chuvas mais intensas, precisamos desenvolver um novo projeto para revisar o tamanho das galerias, o número de bocas de lobo e os sistemas de micro e macrodrenagem. Isso não é algo que se faz em julho.
O que vamos fazer agora é retomar a operação Palmas Bem Cuidada. Existe dificuldade de mão de obra no Natal e Ano Novo, mas a partir do dia 8 ou 10 de janeiro retomamos com força total. Hoje eu tenho 12 equipes. Com duas equipes, tapávamos 800 buracos por dia. Imagine com 12.
O Palmas Bem Cuidada envolve tapa-buracos, roçagem, retirada de galhadas, limpeza geral da cidade, limpeza de lotes, troca de lâmpadas e poda de árvores. Vamos dar um banho na cidade. Brinco dizendo: mostra seu buraco que o Dudu tapa.
Durante o período chuvoso, por mais que abra buraco, no dia seguinte a gente fecha. A malha é velha, então o que fazemos é tapar a maioria e começar a aplicar malha viária nova. Onde coloquei CBUQ, concreto betuminoso usinado a quente, a espessura é de 5 centímetros, chegando a 8 centímetros no Acesso Norte.
Com a aproximação das Eleições Gerais de 2026, como o senhor avalia o atual cenário político no Estado?
Falando um pouco de política, eu busquei coerência. Tivemos posição comum em relação à política do governo do Estado. Optamos por uma candidatura, tínhamos razões para isso. O governador saiu, mantivemos a posição. Muitos correram para o Palácio, nós ficamos. O governador voltou, continuamos no mesmo lugar. A palavra é coerência e prudência.
Esse apoio foi à senadora Dorinha. Ela teve um único partido na vida: começou no PFL, virou Democratas e hoje é União Brasil. Sempre no mesmo lugar. Foi secretária de Educação e, portanto, 25% do orçamento passou por ela durante dez anos, como gestora.
Ela tem experiência. Trabalhou na educação indígena, atuou fortemente no Salão do Livro — que nasceu no governo do meu pai, com ela junto. Ela é a mãe do Fundeb. Todos os anos está entre as melhores cabeças do Congresso Nacional e hoje é coordenadora da bancada feminina. São muitos predicados, muitos pontos a favor.
