Paulo Cézar Monteiro da Silva aposta em obras estruturantes para enfrentar gargalos históricos de Palmas
11 janeiro 2026 às 08h00

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Engenheiro eletricista e servidor concursado da Prefeitura de Palmas desde 2000 Paulo Cézar Monteiro da Silva está na capital desde 1993 e construiu toda a carreira técnica na área de iluminação pública, onde atuou como engenheiro, coordenador, diretor e superintendente. Atualmente, comanda a Secretaria Municipal de Infraestrutura na gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos).
Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, o secretário afirmou que a experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas na administração pública orienta a prioridade da gestão em obras estruturantes, especialmente nas áreas de mobilidade urbana e drenagem. Segundo ele, intervenções como novas pontes, duplicações e abertura de vias são essenciais para enfrentar alagamentos recorrentes e reduzir gargalos históricos do trânsito.
Paulo Cézar destacou ainda a modernização da iluminação pública como uma das frentes estratégicas da pasta. Cerca de 60% do parque de iluminação já utiliza tecnologia LED, e a meta é alcançar 100% de cobertura até 2026. Na área habitacional, que passou a integrar a secretaria, ele informou que há aproximadamente 890 unidades com projetos em andamento, com o objetivo de reduzir o déficit habitacional, atualmente estimado em cerca de 12 mil famílias cadastradas em Palmas.
Qual é o balanço geral das ações da Secretaria de Infraestrutura e Habitação em 2025?
Nós encontramos a Secretaria de Infraestrutura com uma série de problemas, principalmente por causa de uma grande descontinuidade de serviços no final da gestão anterior. Nos últimos três meses, houve paralisações de máquinas, equipamentos e fornecimento de materiais. São situações comuns de final de gestão quando não há um bom planejamento.
Pegamos a secretaria com uma conta de despesas anteriores muito alta e a cidade bastante necessitada de serviços de manutenção, como tapa-buracos, roçagem e limpeza. A necessidade era muito grande. Encontramos muita dificuldade nesse sentido.

Trabalhamos por cerca de quatro a cinco meses até conseguir colocar a cidade em dia e começar a trabalhar de forma mais estruturada. Mesmo com a situação financeira em que o município foi encontrado, tivemos avanços importantes. Não foi exatamente o que o prefeito e nós planejamos para este ano, em virtude da questão financeira, mas tivemos um avanço muito grande.
Conseguimos entregar bastante coisa, fizemos muitas entregas e avançamos em várias obras que já estavam iniciadas. Demos sequência a essas obras e tivemos um avanço significativo ao longo de 2025.
Quais foram as principais obras e entregas deste primeiro ano da gestão?
Sobre as principais obras entregues neste primeiro ano, tivemos algumas praças revitalizadas e também praças novas. Ao todo, foram entregues dez praças em 2025. Como praças novas, entregamos a da 403 Sul, a da 407 Sul e a Praça Brasil, no Jardim Aureny. Também revitalizamos as praças da 408 Norte, da 1203 Sul, da 507 Sul, do Belo Vale, da 1306 Sul e da 108 Norte.
Iniciamos ainda a reforma de 11 quadras poliesportivas da cidade. Dessas, quatro já foram entregues com piso modular emborrachado: a do setor sul, em Taquaralto, a da 806 Sul, a da 108 Norte e a do Santo Amaro.
Nessas quadras, inclusive, estamos enfrentando alguns problemas. Precisamos pedir o apoio da comunidade em relação ao vandalismo. Já tivemos casos em que foi necessário refazer quadras poliesportivas com piso emborrachado por causa de depredação.

Na área de obras civis, o prefeito fez a entrega da Casa da Mulher Brasileira, da reforma dos restaurantes comunitários e iniciamos a reforma do CRAS do Santa Bárbara, que está em fase de conclusão e está sendo executada pela Secretaria de Infraestrutura. Também houve a entrega de outras obras, como estruturas de apoio e bases operacionais.
Teve também a reforma do posto da Guarda na Praia da Graciosa, que o prefeito entregou há poucos dias. Tivemos, neste ano, muitas obras de iluminação pública. Foram entregues várias avenidas com canteiro central da cidade.
Nós entregamos a LO-10, fizemos a JK, a saída da JK, o Taquari, a Avenida Goiás, a Avenida Araguaia, no Aureny III. Estamos prontos no Santa Fé II. A Perimetral Norte também já está pronta, já foi concluída. Todas essas obras já foram entregues.
Teve ainda mais duas: entregamos a NS-2, ali na região dos Gaviões, que também foi entregue já na gestão do prefeito Eduardo.
Agora, vamos partir para as obras mais estruturantes. O prefeito deu um foco muito grande, principalmente na região Sul, nesse primeiro ano de governo. Principalmente por ser uma área que foi muito abandonada durante muitos anos. Para você ter uma ideia, a região Sul teve aplicação de CBUQ apenas na Avenida Tocantins, na gestão do Amastha, nesses 30 anos. Foi o único lugar.

O prefeito Eduardo veio agora e nós fizemos CBUQ no Taquari, da entrada do aeroporto até o Taquari. Fizemos a avenida que cruza da entrada do aeroporto até a marginal, passando pela Feira do Aureny, passando pela Baixada do Sesc.
Ali fizemos um trabalho muito grande, porque existia uma questão séria de mina d’água. Fizemos uma drenagem muito pesada, com serviço de pedras, para que essa água não viesse a causar problemas agora no período de chuva.
Fizemos a saída da Avenida Taquaruçu, da igreja católica até a saída da avenida. Fizemos a Francisco Galvão, que fica atrás da igreja católica, e também a Avenida Goiás, que foi entregue há cerca de 40 dias.
Então, são obras que a região Sul nunca tinha visto. Fazia muito tempo que não se aplicava esse tipo de serviço ali.
O mais importante é que foram entregues obras em pontos críticos, principalmente no acesso ao Taquari, onde aconteciam muitos acidentes por causa das condições do pavimento, com muitos buracos. Houve acidentes graves, com perda de vidas. Então, fizemos o recapeamento, a sinalização, trocamos a iluminação, recuperamos a ciclovia lateral, sinalizamos e iluminamos também.
Foi um avanço muito grande na parte de rejuvenescimento asfáltico da região Sul nesse primeiro ano do governo Eduardo.
Na região Sul também, demos a ordem de serviço da Baixada do Aureny neste ano. O prefeito Eduardo deu a ordem no dia 17 de outubro. Então, já temos cerca mais de de 60 dias desde a ordem de serviço.

Era uma espera de 30 anos daquela comunidade, que vivia na lama e na poeira todo esse tempo. O prefeito veio justamente para resgatar isso. Mesmo com a chuva, já conseguimos avançar.
A obra tem prazo de execução de 15 meses. Porém, neste ano, já pavimentamos cinco ruas. Foram trechos de quatro ruas que já receberam drenagem e pavimentação. Se você for hoje à Baixada do Aureny III, já tem ruas pavimentadas com cerca de 60 dias de obra.
Já tem meio-fio, a drenagem está pronta. Ainda temos macrodrenagens para executar, que são serviços mais demorados, mas as drenagens das ruas que estão sendo executadas já estão concluídas. Não fazemos nenhuma obra sem drenagem. É a parte mais cara e mais demorada da obra, mas não deixamos de fazer.
Outra obra que era aguardada há muitos anos é a Ponte dos Cruz, em Taquaruçu. No ano passado, ela foi interditada pela Defesa Civil. Os ônibus escolares não podiam passar, os alunos tinham que descer de um ônibus, atravessar a ponte a pé e pegar outro do outro lado para chegar à escola ou à cidade.
Também não era permitido o tráfego de caminhões com produção dos produtores rurais, como hortifrúti. Essa obra foi concluída. Ainda não foi entregue oficialmente à população porque falta apenas a sinalização.
Acredito que, se conseguirmos sinalizar nos próximos dias, talvez ainda dê tempo de o prefeito entregar este ano. Caso contrário, com certeza no início do ano que vem ele fará a entrega.
Mesmo sem a solenidade oficial, a ponte já está em uso pela população. As pessoas já estão passando por ela há cerca de 20 a 30 dias.
Tem também uma outra questão, que envolve uma comunidade que hoje tem cerca de 15 mil moradores, que é a região Norte. Ali ficam o Polinésia, o Sonho Meu, o Fumaça, o Água Fria, toda aquela região. É uma área onde se passava por uma ponte muito precária, que era uma reivindicação antiga da comunidade, naquela região onde ficam as dragas, onde o pessoal retira areia, seixo e pedra para servir a cidade. Era um anseio muito grande daquela população.
O prefeito Eduardo deu a ordem de serviço dessa obra em maio e nós já estávamos colocando asfalto para concluir a intervenção. Ontem começou a abertura da outra pista para fazer a base. Uma pista já está pavimentada.
Então, se Deus permitir e se São Pedro mandar pelo menos uns dez dias de sol, a gente consegue deixar as duas pistas pavimentadas ainda este ano. Depois disso, ficam os serviços de conclusão, como meio-fio, calçada, ciclovia e iluminação. Esses serviços a gente consegue executar mesmo no período chuvoso.
Ali tem uma obra muito pesada, que foi a execução de um bueiro tripo celular. Foi uma drenagem de grande porte. Houve um desvio do córrego e, nesta semana, nós reconduzimos o curso d’água para o leito natural. O córrego já está correndo normalmente dentro da drenagem que foi executada.
É uma obra de engenharia muito bonita e muito grande. É uma obra feita para durar, acredito que até para os nossos trinetos. O CBUQ aplicado naquela região é diferenciado. Em vias normais da cidade, utilizamos de 4 a 5 centímetros. Ali está sendo aplicado com 8 centímetros, justamente por causa do tráfego de caminhões pesados, da tração, inclusive por causa da rotatória, para garantir maior durabilidade.
Também demos sequência às obras que já estavam previstas e em execução, como a drenagem da LO-21, ao lado da região dos Gaviões. Essa é uma das drenagens mais estruturantes e mais importantes que o município precisa, mas não é só ela.
Nós precisamos fazer drenagem na LO-21, na LO-23, na LO-25, na LO-29 e na LO-31. Todas essas obras são necessárias para que a gente consiga retirar aquela água da Avenida Teotônio Segurado, aquele alagamento recorrente que existe ali. Enquanto todas essas obras não estiverem prontas e funcionando, o problema da Teotônio Segurado não será resolvido.
A LO-21 já está contratada e em execução. Nós já temos projetos prontos para licitação da LO-23, LO-25, LO-29, LO-31 e LO-33. Todas precisam de drenagem. Também temos projeto da NS-2, onde existe um trecho que não possui macrodrenagem e que precisa ser executado.
Ali nós temos um problema sério, porque existem quadras antigas, como a 904, 906 e 804, que não têm microdrenagem adequada. Elas não tiveram seus dispositivos de escoamento abertos porque não existiam, à época, as macrodrenagens das avenidas para receber essa água.
Então, são essas obras que estamos fazendo agora. Não adianta fazer apenas a parte menor. Se não fizer a obra mais cara, que é a macrodrenagem, fica uma obra enterrada, pronta, mas sem funcionamento. E a comunidade cobra, com razão, por causa dos alagamentos. O problema é que foi construído sem que a macro fosse feita. É isso que o prefeito Eduardo está corrigindo agora.
Como será resolvido o problema dos alagamentos?
Vou ser muito sincero: o prefeito Eduardo não resolve o problema de alagamentos de Palmas em um ano e nem em um mandato. São obras muito grandes. Por exemplo, a obra da LO-21 é tão extensa que pode ser que nem no próximo ano a gente consiga concluí-la totalmente.
Nós temos pelo menos mais quatro grandes obras de drenagem naquela região que precisam ser executadas. Essas obras são prioridade do prefeito Eduardo. Para resolver definitivamente os alagamentos, é preciso continuidade administrativa. Quem entrar depois precisa dar sequência.
Eu não falo de três anos, eu falo de um horizonte de sete anos. O prefeito vem para a reeleição e ele vai ser reeleito. Então, em oito anos a gente vai avançar muito. Em oito anos de obras, eu acredito que a gente consiga, sim, resolver essa questão.
Como Palmas tem viabilizado recursos para essas obras?
Além dessas obras da parte de drenagem, que eu considero as mais impactantes, nós estamos buscando recursos. Já temos alguns recursos garantidos. Inclusive, foi creditado agora há poucos dias o dinheiro do empréstimo do Banco do Brasil, aquele empréstimo autorizado por lei pela Câmara Municipal, que é de 300 milhões. A princípio, nós solicitamos apenas 200 milhões, e para este momento o desembolso solicitado foi de 80 milhões.
Esses recursos já são destinados às próximas obras. Existem muitas obras projetadas, muitas obras prontas para serem licitadas, e nós já vamos soltar essas licitações agora no primeiro semestre. Estou falando de obras muito impactantes para a cidade.
Nós temos, com recursos da CAF, a segunda ponte da Avenida LO-5, que sai ali do HGP, do antigo Batalhão, em direção à praia. Tem também a ligação do Capim Dourado para a região Norte, passando em frente ao Diamante do Lago. Nós vamos abrir a NS-5 para dar acesso à LO-8 e vamos duplicar a LO-8, com a segunda pista dos dois lados.
Do lado do Capim Dourado, existe aquela ligação, a LO-2A, que sai do Capim Dourado e chega na NS-15. Essa via também está incluída nessa licitação.
Estamos trabalhando ainda no projeto de uma ponte na Avenida LO-3. O prefeito Eduardo já autorizou e solicitou os estudos. A LO-3 é ali na região do mastro, onde você desce pela Localiza, na Aldeia do Sol. Quando chega naquele ponto, hoje é preciso virar para seguir para Taquaruçu. Nós vamos abrir aquele trecho.
O objetivo é aliviar a rotatória do HGP, que hoje, nos horários de pico, está praticamente infernal. Não se consegue passar. Quando você vem em direção à Católica, à Ulbra, às faculdades, pela NS-5, passa pelo antigo Corpo de Bombeiros, sobe, precisa virar e ir para a NS-1. Nós vamos abrir essa via para que a NS-5 tenha continuidade e saia direto na região das faculdades.
É um ponto que foge totalmente do padrão da cidade. Parece outra cidade, não conversa com o restante do traçado urbano. Isso vai ser resolvido.
E aí nós chegamos as duas obras que são a menina dos olhos do prefeito. A primeira é a segunda ponte da Avenida Teotônio Segurado, depois da Ulbra, com a duplicação da Teotônio Segurado até a estrada da Agrotins.
Hoje, a Teotônio Segurado vem duplicada, chega no Taquaruçu Grande e afunila para uma pista só na ponte. Nós vamos construir a segunda ponte sobre o Taquaruçu Grande e duplicar a Teotônio Segurado no sentido aeroporto até a estrada da Agrotins.
A outra grande obra é a ponte do Bertaville, na NS-10. Os projetos já estão com a equipe técnica e nós estamos preparando a licitação para o próximo ano. Essa ponte já tem garantidos 70 milhões de reais por meio de emenda da bancada federal. É uma emenda de bancada específica para essa obra.
Essa ponte vai ser um marco para a cidade, um verdadeiro cartão-postal quando estiver concluída. São obras estruturantes que o prefeito Eduardo está prevendo e que ele pretende concluir dentro deste mandato.
Quais são as regiões prioritárias para as obras?
Sobre as prioridades, o prefeito começou pela região Sul porque é uma região que foi abandonada por muito tempo. Mas isso não significa que as prioridades sejam definidas apenas por região. Existem obras estruturantes que independem de onde estão localizadas. O critério é a necessidade da cidade.
Nesse primeiro ano de mandato, o prefeito atuou em todas as regiões. Na região Norte, por exemplo, estamos fazendo acessos e temos um contrato vigente de rejuvenescimento asfáltico em várias quadras. Também estamos construindo uma praça na quadra 406 Norte. Foi entregue recentemente a reforma da unidade de saúde da 406 Norte e, anteriormente, a da 408 Norte. Essas obras são da Secretaria de Saúde, mas fazem parte do conjunto de ações da gestão.
No plano diretor, temos a obra da LO-21 e outras intervenções feitas com execução direta, como a abertura da LO-11, ao lado do Parque Cesamar, que será pavimentada no próximo ano. Também temos a ciclovia e a calçada no entorno do Parque Cesamar, que serão concluídas e entregues no próximo ano. O parque passou recentemente por uma revitalização, com troca de todas as luminárias por LED.
As obras são pensadas considerando a cidade como um todo. O plano diretor hoje está praticamente consolidado. Temos praças em praticamente todas as quadras, calçadas, acessibilidade. Existe necessidade de ampliação, claro, mas a região Sul ainda é muito mais carente.
Hoje, a região Sul concentra um número maior de moradores do que o próprio plano diretor. Há um deslocamento diário muito grande da região Sul para o centro da cidade, para trabalho e serviços. Por isso, as definições de recuperação asfáltica, por exemplo, são feitas com base em estudos técnicos de toda a pavimentação da cidade.
A equipe avalia onde o pavimento está mais precário e onde, se não houver intervenção, o problema se agrava no período seguinte. Se nós não tivéssemos feito o recapeamento no Taquari, na saída para Taquaruçu, na Avenida Goiás, hoje, com o período de chuvas, estaríamos enfrentando buracos enormes nessas vias.
Então, a gente faz o planejamento do rejuvenescimento asfáltico dentro daquelas vias onde estão mais desgastadas, onde vão nos gerar mais problemas durante o período de chuva e onde vão dar maior mobilidade para a população.
Como está o programa de modernização da iluminação pública com LED?
Sobre a iluminação pública, hoje o município de Palmas tem cerca de 60% do parque de iluminação com tecnologia LED. Ainda temos luminárias de vapor de sódio, mas já alcançamos esse percentual de LED. Existe uma emenda da bancada federal, no valor de aproximadamente 11 milhões de reais, para a troca de luminárias por LED na cidade, e essa licitação já está em andamento para que essas trocas sejam efetivadas.
Nós também estamos fazendo um estudo para uma PPP da iluminação pública, uma parceria público-privada. Está numa fase ainda embrionária. Não vou adiantar tudo o que vai compor esse projeto, porque o prefeito vai falar no momento oportuno. Mas a ideia é agregar vários serviços à iluminação.
Hoje, com a luminária de LED, você pode agregar segurança, monitoramento, controle de tráfego, monitoramento das entradas e saídas da cidade. Então vem aí um projeto grandioso. O prefeito solicitou esses estudos, que estão sendo finalizados, justamente para elevar a qualidade do serviço como um todo.
O planejamento é que, dentro do ano de 2026 Palmas esteja com 100% dos pontos existentes de iluminação pública com tecnologia LED.
Quais foram os maiores desafios enfrentados pela secretaria em 2025?
Sobre os desafios da infraestrutura, um dos principais foi o orçamento limitado. A infraestrutura tem um custeio muito alto. Um exemplo é o lixo, a coleta de resíduos sólidos. Esse custo varia ao longo do ano. No período de chuva, o lixo pesa mais, porque chega molhado ao aterro. O pagamento é feito com base no que é coletado, pesado na balança do aterro, que gera um ticket com o peso de cada caminhão.
Hoje, só o custeio médio anual da infraestrutura com resíduos sólidos gira em torno de R$ 5 milhões de reais por mês. Estamos falando de aproximadamente R$ 60 milhões de reais por ano. Enquanto isso, o município arrecada cerca de R$ 15 a R$ 16 milhões com a taxa relacionada ao lixo, considerando que todos paguem.
Esse serviço deveria ser subsidiado pelo IPTU, dentro da taxa do lixo, mas isso não acontece na mesma proporção. Eu sempre digo que o caminhão do lixo passa três vezes por semana na frente da minha casa. A cada passagem, eu pago cerca de R$ 50 centavos. Eu acho muito pouco pelo serviço que é prestado.
Isso acaba refletindo no custeio geral do município. Palmas é uma cidade muito grande e o custo para mantê-la em dia é muito alto. 2025 foi um ano de poucos recursos, com muita frustração de receita, tanto de FPM quanto de ICMS. Tivemos uma frustração muito grande de arrecadação, o que acabou engessando a gestão.
Por conta disso, não conseguimos avançar mais nas obras da cidade. Agora, com o empréstimo aprovado e o recurso disponível, no próximo ano nós vamos avançar muito na parte de infraestrutura, porque teremos dinheiro para investir na cidade.
Outro grande desafio foi a despesa herdada da gestão anterior, principalmente com a empresa de resíduos sólidos e com a locação de máquinas. Essas dívidas não são de CPF, são do município. O empresário não pode ser penalizado por falta de planejamento da gestão anterior. O município não pode simplesmente dizer que não vai pagar.
Então, nós viemos pagando os contratos atuais e também parte das dívidas do ano anterior. Isso significa que deixamos de investir na cidade porque estávamos pagando contas passadas. Por isso 2025 foi um ano muito difícil. Mesmo assim, tivemos muitos avanços.
O que a população pode esperar da Infraestrutura de Palmas em 2026?
Para 2026, nós vamos soltar muitas obras de infraestrutura, muito recapeamento e rejuvenescimento asfáltico nas principais vias e quadras da cidade. Existe um projeto grandioso do prefeito Eduardo para o Ginásio Ayrton Senna, com a recuperação do ginásio e a construção de uma grande praça no entorno. Esse projeto já está pronto.
É algo que Palmas ainda não tem e que você não vê no estado do Tocantins e nem na região Norte. É uma obra que vai chamar muita atenção e você pode me cobrar em breve, não precisa esperar oito anos.
Também vamos licitar obras em quadras muito antigas, como o Jardim Aeroporto e o Jardim Bela Vista, que a população pede há muito tempo. Os projetos já estão em elaboração para soltarmos essas licitações.
Estamos trabalhando junto ao Governo do Estado no projeto do Lago Norte. O Estado foi contemplado pelo PAC para executar essa obra, e o prefeito Eduardo solicitou que a Prefeitura elaborasse os projetos para fazer a doação ao Estado, possibilitando a licitação. Já estamos trabalhando nisso.
No caso do Irmã Dulce, que foi regularizado recentemente, o prefeito já assumiu o compromisso de pavimentar o Irmã Dulce I e II. Essa obra já está prevista dentro do empréstimo dos 300 milhões. Os projetos estão em elaboração e acredito que no próximo ano possamos soltar a licitação.
Talvez a obra não comece imediatamente, porque o processo licitatório é demorado e o nosso período efetivo de execução é de cerca de seis a sete meses no ano. Mas existe a possibilidade de dar ordem de serviço ainda no próximo ano e a obra seguir no ano seguinte.
Sobre o orçamento da pasta, a previsão para 2026 é a maior dos últimos sete ou oito anos. Pela primeira vez, a Secretaria de Infraestrutura terá um orçamento previsto maior do que nos últimos quatro ou cinco anos. Em termos percentuais dentro do orçamento geral da prefeitura, o valor previsto gira em torno de R$ 136 milhões de reais, enquanto nos anos anteriores ficava na faixa de R$ 105 a R$ 110 milhões.
Como é que ficou a habitação?
Trata-se de um novo desafio que está em fase de estruturação. Atualmente, há empreendimentos habitacionais em andamento, com a conclusão de três projetos localizados na região sul da cidade, com previsão de entrega em abril. Ao todo, 396 famílias serão contempladas.
O prefeito assinou contrato de autorização para um empreendimento do Instituto Xambioá, localizado na saída do Jardim Laila. Na região norte, há três empreendimentos em execução.
Além desses, está previsto um empreendimento na Arso 92, enquadrado na faixa 2, com unidades de maior porte, fora do programa Minha Casa, Minha Vida faixa 1, no qual os beneficiários arcam com parte do valor.
Somando os projetos em andamento, o município possui cerca de 890 unidades habitacionais previstas para entrega. Esses números não indicam que todas as unidades serão concluídas no próximo ano, mas refletem projetos já em execução ou em fase avançada.
Recentemente, a prefeitura liberou 16 áreas para que instituições apresentem projetos ao Governo Federal, com o objetivo de captar recursos para novos empreendimentos habitacionais.
As obras não são executadas diretamente pela Secretaria de Infraestrutura. A construção é realizada por empresas responsáveis pela captação de recursos federais e pela execução dos empreendimentos. À Prefeitura de Palmas cabe a cessão das áreas, o acompanhamento das obras e a execução do trabalho social.
O cadastro das famílias é realizado pelo município, que também conduz o trabalho social após a entrega das unidades, com ações de integração comunitária, cursos e atividades sociais. Esse trabalho não envolve gestão condominial, mas sim a promoção da convivência e da organização comunitária.
Atualmente, projetos sociais estão sendo executados pelo Sesi nos residenciais Araras 1 e 2 e, por outra empresa, nos residenciais Vitória 1 e 2. As ações vêm sendo divulgadas e podem ser detalhadas pela gestão municipal.
A meta da administração é cumprir os compromissos assumidos em campanha, com o objetivo de reduzir em pelo menos 60% o déficit habitacional de Palmas. Atualmente, o cadastro habitacional do município reúne cerca de 12 mil famílias, número que já chegou a 14 mil em períodos anteriores.
Há alguma mensagem que o senhor queira repassar para a população?
Neste período de chuva, a secretaria intensifica os trabalhos de limpeza das bocas de lobo, que fazem parte da drenagem. Reforçamos o pedido à comunidade para evitar o descarte irregular de lixo, como sacos plásticos e garrafas PET, que são levados pela chuva e acabam entupindo as bocas de lobo, causando alagamentos.
Durante o período seco, o trabalho é feito de forma preventiva, mas agora ele é intensificado. Sem o apoio da população, não conseguimos vencer.
Pedimos também que a comunidade utilize os canais oficiais para informar sobre lâmpadas apagadas, buracos ou outros problemas. Não conseguimos estar em todos os lugares ao mesmo tempo, e esse retorno é fundamental.
Outra questão importante é o vandalismo. Muitas vezes entregamos uma praça e, no dia seguinte, ela já está depredada. Quando isso acontece, o dinheiro da prefeitura precisa ser usado novamente para reposição, o que é prejuízo para a cidade.
Também pedimos cuidado com o uso dos contêineres, que são exclusivamente para resíduos sólidos. Não podem ser usados para descarte de carvão quente ou restos de construção, pois isso danifica ou incendeia os equipamentos.
O pedido é que a comunidade nos ajude a cuidar da cidade, informe problemas e apresente sugestões. Se forem viáveis, nós vamos implementar.
