Adolescente tem fratura no nariz após agressão em escola estadual de Dianópolis; família relata racismo e bullying
12 março 2026 às 07h25

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Um adolescente de 12 anos sofreu fratura no nariz após ser agredido por um colega dentro do Colégio Estadual João D’Abreu, em Dianópolis, na região sudeste do Tocantins. A agressão aconteceu no dia 3 de março e o estudante passou por cirurgia nesta quarta-feira, 11, em Porto Nacional.
O caso é investigado pela Polícia Civil. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o inquérito corre em segredo de justiça por envolver menores de idade.
De acordo com a família do adolescente, o estudante vinha sendo alvo de ofensas racistas e episódios de bullying há cerca de um ano. Vinicius Moraes, irmão da vítima, afirma que a escola já havia sido informada anteriormente sobre a situação.
“Eu já tinha ido na escola algumas vezes para reportar sobre o racismo e o bullying que ele tava sofrendo. Quando aconteceu [a agressão], a coordenação da escola ameaçou meu irmão, falando que ele seria suspenso por se envolver em briga. Não chamaram ambulância, não ligaram para a polícia, não registraram a ocorrência. Fizeram pouco o caso”, relatou.
Ainda segundo Vinicius, o adolescente só recebeu atendimento médico após a própria família acionar uma ambulância.
Ele também afirmou que, na avaliação da família, situações de racismo e bullying não recebem a devida atenção na unidade escolar. “O colégio sempre se omitiu. Eu mesmo já sofri problemas dentro do Colégio de Abreu e nunca foi resolvido”, disse.
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação do Tocantins (Seduc) informou que adotou providências imediatas após tomar conhecimento do episódio envolvendo estudantes da Escola Estadual João D’Abreu. A pasta afirmou que acionou a equipe multiprofissional para prestar assistência ao aluno agredido, orientou a unidade escolar sobre as medidas institucionais cabíveis e iniciou a apuração do caso.
A Seduc declarou ainda que repudia qualquer forma de violência, discriminação ou racismo no ambiente escolar e que está oferecendo suporte psicológico, pedagógico e acompanhamento médico ao estudante e à família.
Segundo a secretaria, a escola também realizou os encaminhamentos institucionais em relação ao outro estudante envolvido, incluindo diálogo com os responsáveis e a adoção de medidas pedagógicas previstas nos protocolos da rede estadual.
A pasta informou ainda que desenvolve ações permanentes de prevenção ao preconceito e à violência nas escolas da rede estadual, entre elas o projeto Poder Afro, voltado à valorização da cultura afro-brasileira e ao enfrentamento do racismo.
Com informações do g1 Tocantins e da TV Anhanguera.
