Após extinção de protocolo na gestão Cinthia, Hospital Universitário será conduzido somente pela UFT
24 janeiro 2026 às 10h00

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A proposta de criação de um Hospital Municipal Universitário em Palmas passou por mudanças institucionais após a extinção de um Protocolo de Intenções firmado em 2024 ainda na gestão da ex-prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB), entre a Universidade Federal do Tocantins (UFT) e a prefeitura da capital. Segundo apurado pelo Jornal Opção Tocantins, o projeto foi encerrado por não ter sido apresentado o plano de trabalho exigido ainda na gestão passada.
Atualmente, o projeto segue como Hospital Universitário da Universidade Federal do Tocantins (HUFT), sob responsabilidade da UFT e gerida pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), sem a inclusão do município nas tratativas. Em resposta a esse contexto, procurada pelo Jornal Opção Tocantins, a ex-prefeita negou não ter apresentado o plano de trabalho. Segundo ela, a UFT teria voltado atrás, pois a Ebserh, que também seria responsável pela gestão da unidade, condenou o projeto e seria necessário fazer um novo.
No entanto, à reportagem, o vice-reitor da UFT, Marcelo Leineker disse que na época da assinatura do Protocolo de Intenções com o município, a universidade ainda não possuía Termo de Cooperação com Ebserh, seguindo o modelo adotado em hospitais universitários federais. De acordo com ele, esse termo só foi firmado em dezembro de 2024, após a extinção do acordo com a prefeitura, motivada, segundo o vice-reitor, pela não apresentação do plano de trabalho.

O professor destacou que, somente em 2025, a Ebserh passou a dar suporte à atualização do projeto, uma vez que a proposta anterior tinha mais de dez anos e não atendia mais às normas e práticas atuais da área da saúde. Além disso, houve a necessidade de renovação do perfil assistencial do hospital, em função das demandas atuais da rede de saúde.
Primeiro do Tocantins
Diferentemente do projeto apresentado em 2024, que previa um Hospital Municipal Universitário com cerca de 400 leitos em uma área de 48 mil metros quadrados e gestão compartilhada com o município, o novo Hospital Universitário da UFT foi concebido como unidade federal desde a origem. A estrutura atual prevê 250 leitos em uma área de mais de 26 mil metros quadrados.
Sobre a estrutura do novo hospital, Leineker disse que o HUFT será o primeiro hospital-escola planejado do Tocantins e o maior do estado, além de um número mais amplo de especialidades. “Esse diferencial posiciona a unidade como um equipamento estratégico para elevar o nível de excelência no processo formativo na área da saúde no Tocantins”, afirmou o vice-reitor, ressaltando o papel do hospital no apoio às atividades acadêmicas da universidade.
Hoje, o Tocantins tem o Hospital de Doenças Tropicais (HDT), em Araguaína, também vinculado à Ebserh, que foi estruturado quando a unidade hospitalar ainda integrava a UFT, antes da criação da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT). Essa unidade, conforme a universidade, possui cerca de 70 leitos.
Ainda de acordo com o vice-reitor, “o projeto arquitetônico, a dinâmica de funcionamento e o modelo de gestão adotado pela Ebserh foram pensados para integrar ensino, pesquisa e extensão”. Segundo ele, a relevância do projeto está no fato de o hospital ter sido concebido desde a origem como hospital-escola, o que influenciou desde o desenho do prédio até a forma de organização dos serviços.
Leineker informou que a licitação para contratação da empresa responsável pelo desenvolvimento dos projetos ocorreu no final de dezembro e, atualmente, está em fase de homologação da empresa vencedora. Após essa etapa, a empresa será convocada para assinatura do contrato e, na sequência, será emitida a ordem de serviço para a elaboração dos projetos de especialidades e o início das obras. O cronograma de construção é de 30 meses. O empreendimento é avaliado em R$ 306 milhões.

Parceria municipal
Questionada sobre os impactos da não participação do município na gestão do futuro hospital, a Prefeitura de Palmas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), disse manter diálogo com a UFT e com parceiros como a Secretaria Estadual de Saúde e esclarece que o “foco atual do município é a definição do perfil assistencial da unidade, com o objetivo de que os serviços ofertados atendam às demandas da rede municipal e contribuam para reduzir a pressão sobre o sistema de saúde local”.
Ainda segundo a Semus, a Prefeitura trabalha na expansão da rede própria de saúde e já concluiu projetos para a construção de dois novos complexos de saúde, que devem ampliar a oferta de serviços especializados. No momento, conforme a nota, a gestão municipal atua na fase de captação de recursos para viabilizar o início das obras. A secretaria acrescenta que busca integrar o futuro hospital universitário à rede de urgência, emergência e especialidades, com impacto no atendimento à população de Palmas e região.
