A representante do Tocantins no Miss Brasil Mundo 2026, Tainá Marrirú Karajá, de 25 anos, encerrou sua participação na 64ª edição do concurso no top 15. O resultado foi divulgado na noite deste sábado, 31, durante a final realizada no Teatro Caesb, em Águas Claras, no Distrito Federal.

Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, Tainá afirmou que seu objetivo no concurso estava diretamente ligado à representatividade indígena. “Eu fui uma das semifinalistas do Miss Brasil Mundo, fiquei no Top 15 e uma das finalistas da prova mais importante do concurso, que foi o Beleza com Propósito, que avalia os projetos sociais das candidatas, fiquei no Top 5”, declarou.

Ela explicou que sua participação teve como objetivo demonstrar a capacidade e a presença dos povos indígenas em espaços historicamente pouco ocupados. Conforme relatou, havia a expectativa de alcançar uma colocação ainda maior como forma de reforçar essa mensagem. “Eu sinto que meu objetivo não foi consagrado, pois eu sempre visei estar nessa posição e alcançar a maior colocação para demonstrar que nós indígenas também somos capazes”, disse, ressaltando que não atribui responsabilidade a terceiros pelo resultado final.

A candidata destacou que reconhece a legitimidade do processo de avaliação e o desempenho das demais participantes. De acordo com ela, os critérios aplicados foram consistentes e as concorrentes que avançaram nas etapas são merecedoras das posições alcançadas. Ainda assim, afirmou que permanece o desejo de ampliar a representatividade indígena em espaços de destaque. “Mas fica aquele gostinho de quero mais, de querer ocupar cada vez mais espaço de relevâncias para representar todas as mulheres indígenas e o povo indígena no Brasil e no mundo”, declarou.

Além da experiência no concurso, a candidata relatou que pretende direcionar seus esforços acadêmicos para a formação em nível de doutorado, objetivo que, segundo ela, sempre esteve entre suas prioridades. Ela afirmou acreditar na educação física como ferramenta de transformação social, com impactos na educação e na saúde da população. Conforme explicou, trata-se de um caminho que exige dedicação, mas que carrega significado profissional e pessoal.

Sobre sua trajetória no Miss Brasil Mundo, a candidata evitou tratar a experiência como um encerramento definitivo. “Não posso dizer adeus, pois ainda há possibilidades, mas um até logo”, afirmou, acrescentando que deseja continuar sendo referência para crianças indígenas. Segundo ela, o objetivo é mostrar que esses espaços podem e devem ser ocupados, mesmo quando já há limitações de acesso. “Ainda há pessoas indígenas prontas para ocupar eles”, disse.

A candidata também contextualizou sua participação como um marco coletivo. Embora outras mulheres com ancestralidade indígena já tenham integrado edições anteriores do concurso, ela afirmou que levou a representatividade indígena de forma ampla para o espaço. “Foi eu a pessoa que levou a comunidade indígena inteira para esse espaço, para mostrar que nós também podemos ocupá-lo, que a mulher indígena, ela também pode ser um referencial de beleza brasileira pelo mundo”, declarou.

Segundo a participante, um dos objetivos dentro do concurso foi dialogar diretamente com mulheres indígenas, reforçando a valorização da identidade e da autoestima. Ela afirmou que buscou mostrar que a beleza vai além da aparência e está ligada à força interior. “Esse foi um dos meus objetivos dentro do concurso, mostrar para essas mulheres que elas também são belas e que que elas devem, podem acreditar na força da sua beleza”, disse, acrescentando que, para ela, “a beleza exterior, ela só reflete quando a interior prevalece”.

Projeto Ahandú e perfil da candidata

Indígena do povo Karajá, Tainá Marrirú Karajá é formada em Educação Física pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Ela atuou como pesquisadora no Distrito Sanitário Especial Indígena Tocantins (DSEI/TO) e desenvolve ações junto à comunidade da aldeia Santa Isabel, na Ilha do Bananal.

O Projeto Ahandú, iniciativa voltada à promoção da saúde mental e física de crianças e jovens indígenas, por meio da educação física, do esporte e da articulação com a área da saúde. O projeto atua com oficinas, práticas corporais e rodas de conversa em aldeias da Ilha do Bananal e vem sendo expandido para outras regiões. 

Inserida em concursos de beleza desde os 16 anos, Tainá possui títulos estaduais e já participou de disputas nacionais e internacionais.

Vencedora competição

A vencedora do Miss Brasil Mundo 2026 foi a modelo Gabriela Botelho, de 25 anos. Natural de Belo Horizonte, ela competiu com a faixa de Miss Sergipe e conquistou o título na final realizada neste sábado, 31. Com a vitória, Gabriela será a representante do Brasil no Miss Mundo 2026, concurso internacional cujo local e data ainda serão anunciados.