Após duas semanas de internação em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 71 anos, recebeu alta hospitalar por volta das 10h desta sexta-feira, 27. Ele estava internado com broncopneumonia bacteriana em ambos os pulmões, quadro associado a episódios de soluços.

Com autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro foi encaminhado para sua residência, localizada no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, onde continuará cumprindo pena em regime domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

O ex-presidente chegou ao local por volta das 10h20, usando colete à prova de balas. Ele estava acompanhado por um veículo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e por carros da Polícia Militar. Uma viatura da PM permanece posicionada em frente à residência.

Bolsonaro estava internado desde o dia 13 de março, quando foi levado ao hospital DF Star após passar mal durante a madrugada na Papudinha. Ele deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na segunda-feira, 23.

Apesar da alta, o médico Brasil Caiado, responsável pelo acompanhamento do ex-presidente, afirmou que não é possível considerar o quadro como totalmente resolvido.

“Não podemos dizer que está curado. Podemos dizer que se encerrou a fase hospitalar”, afirmou Caiado. [Agora] continua o tratamento, com fisioterapia respiratória, motora e reabilitação cardiopulmonar em casa, com previsão de novo controle via tomografia em quatro semanas.”

Segundo o médico, há previsão de que Bolsonaro retorne ao hospital no final de abril para realizar uma artroscopia no ombro. Caiado também relatou mudanças no comportamento do ex-presidente. “O humor dele oscila muito com uma notícia ou outra, [com] a expectativa dele com relação ao quadro de saúde”, disse a jornalistas. “Do ponto de vista emocional, hoje achei ele mais calado, pensativo.”

A autorização para a transferência para casa foi concedida na terça-feira, 24, por Moraes, que determinou prisão domiciliar humanitária pelo período de 90 dias. Durante esse tempo, Bolsonaro deverá usar tornozeleira eletrônica e está proibido de utilizar redes sociais ou gravar áudios e vídeos.

Ao término do prazo, a decisão prevê nova análise sobre a necessidade de manutenção da medida, podendo incluir avaliação médica.

Bolsonaro havia sido preso em novembro de 2025 e encaminhado à superintendência da Polícia Federal após descumprir regras da prisão domiciliar anterior ao tentar romper a tornozeleira eletrônica. À época, ele alegou ter tido um surto e uma crise de paranoia, sendo posteriormente transferido para a Papudinha.

Em casa, o ex-presidente volta a conviver com Michelle, com a filha Laura, de 15 anos, e com a enteada Letícia Firmino. Permanecem autorizadas apenas as visitas dos filhos — o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Carlos Bolsonaro (PL) e Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) — além dos advogados.

De acordo com informações publicadas pela Folha, integrantes do PL e da pré-campanha de Flávio à Presidência avaliam que Michelle tende a ampliar sua influência nas decisões políticas de Bolsonaro devido à proximidade no período de recuperação.

A ex-primeira-dama enfrenta críticas de parte de aliados de Flávio por não ter aderido à campanha do senador. Entre apoiadores, há divergências: enquanto alguns apontam possível agravamento de tensões familiares, outros consideram que Bolsonaro pode atuar como mediador.

As visitas dos filhos seguirão regras semelhantes às adotadas na Papudinha, com horários às quartas e sábados, das 8h às 16h. Já os advogados poderão visitar o ex-presidente diariamente, por até 30 minutos, mediante agendamento prévio com o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

Flávio Bolsonaro também foi incluído formalmente na equipe de defesa do pai. Lideranças do centrão e da direita avaliam que, no ambiente domiciliar, o ex-presidente poderá retomar articulações políticas com maior frequência.

Por outro lado, há receio entre aliados de que Bolsonaro amplie sua participação nas decisões da campanha de Flávio, o que poderia interferir em negociações políticas em andamento. Também existe preocupação de que eventuais excessos em conversas políticas possam motivar nova decisão judicial mais restritiva.

Os profissionais de saúde têm acesso liberado à residência, sem necessidade de autorização prévia. Estão autorizados os médicos Brasil Caiado; o cirurgião-geral Cláudio Birolini; o cardiologista Leandro Echenique; o dermatologista Erasmo Tokarski; e Luciana Tokarski, da clínica Dr. Erasmo Tokarski.

O fisioterapeuta Kleber de Freitas também poderá realizar sessões com Bolsonaro às segundas e quintas-feiras e aos sábados, das 19h30 às 20h30. O tratamento em casa inclui exercícios respiratórios com o uso de aparelhos e atividades físicas controladas, como caminhada em esteira e uso de bicicleta ergométrica.

Com informações Folha*