Brasil confirma participação em reunião da ONU sobre ação dos Estados Unidos na Venezuela
04 janeiro 2026 às 09h30

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O governo brasileiro confirmou neste sábado, 3, que o Brasil participará da reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) que discutirá a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela. A informação foi divulgada pela ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha. O encontro está previsto para a manhã de segunda-feira, 5.
A convocação da reunião partiu da Colômbia, após os Estados Unidos realizarem ataques a diferentes pontos de Caracas e capturarem o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, durante a madrugada. Atualmente, além dos cinco membros permanentes do Conselho, China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos , a Colômbia ocupa a representação da América do Sul. Conforme as normas da ONU, países que não integram o Conselho podem participar das discussões, mas sem direito a voto. Em janeiro, a presidência do órgão está sob responsabilidade da Somália.
O posicionamento do governo brasileiro foi apresentado após uma reunião ministerial que reuniu os ministros da Defesa, da Casa Civil, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência e da Justiça e Segurança Pública, além da embaixadora do Brasil em Caracas e representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério das Relações Exteriores. Uma nova articulação diplomática também está prevista para este domingo, 4, com a realização de uma reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), segundo a ministra Maria Laura da Rocha.
Mais cedo, em um primeiro encontro emergencial, autoridades brasileiras informaram que não há registro de brasileiros entre possíveis vítimas dos ataques. O governo também confirmou que cerca de 100 brasileiros que estavam em viagem turística na Venezuela conseguiram deixar o país ao longo do dia, sem intercorrências.
No monitoramento da situação de fronteira, o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que não há movimentação anormal na divisa entre Brasil e Venezuela. Segundo ele, do lado brasileiro, a fronteira permanece aberta e com funcionamento regular, apesar de o governo venezuelano ter determinado o fechamento da passagem nesta manhã. O Ministério da Justiça informou, por meio de nota, que acompanha o cenário e se prepara para um eventual aumento no fluxo de refugiados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou publicamente sobre a ação militar e classificou o ataque como inaceitável. Em nota divulgada nas redes sociais, afirmou que os bombardeios e a captura do presidente venezuelano representam uma violação do direito internacional e um precedente perigoso para a América Latina e para a comunidade internacional. Lula defendeu uma resposta da Organização das Nações Unidas e reiterou que o Brasil seguirá atuando em favor do diálogo e da cooperação.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump declarou que ainda avalia os próximos passos em relação à Venezuela após a captura de Maduro. Ele afirmou que o presidente venezuelano e a esposa estão a caminho de Nova York, transportados por um navio da Marinha norte-americana posicionado no Caribe desde o fim de 2025. Em entrevista à emissora Fox News, Trump também disse que os Estados Unidos passarão a ter envolvimento direto com a indústria petrolífera venezuelana, sem detalhar como isso ocorrerá, e afirmou que a China continuará recebendo petróleo do país.
