BRB comprou R$ 1,5 bilhão em ativos do Banco Master ligados a fundos sob investigação da PF
07 abril 2026 às 11h05

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O Banco de Brasília adquiriu R$ 1,5 bilhão em ativos do Banco Master que estavam alocados em fundos administrados pela Reag, instituição que já havia sido alvo da Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal. O BRB opera a folha de pagamento dos servidores públicos estaduais do Tocantins.
As transações ocorreram principalmente em 30 de setembro de 2025, em meio à deterioração financeira do Master. Na prática, o banco utilizou os ativos para se desfazer de carteiras consideradas problemáticas, repassando ao BRB estruturas com características semelhantes às investigadas pela PF.
Os ativos negociados seguiam o modelo de “fundos sobre fundos”, apontado na investigação como mecanismo utilizado para dificultar o rastreamento de recursos. Documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que as operações foram aprovadas mesmo após áreas técnicas do BRB alertarem para risco elevado, baixa transparência e prazo insuficiente para análise.
Parte das negociações envolveu fundos com forte concentração em poucos ativos e baixa liquidez. Em um dos casos, o Banco de Brasília tornou-se sócio indireto do empresário Roberto Justus ao adquirir participação em um fundo ligado ao Master. O modelo previa compartilhamento de lucros em caso de valorização, enquanto eventuais perdas ficariam concentradas no banco público.
Relatórios internos também apontaram preocupações relacionadas à governança e à prevenção à lavagem de dinheiro, incluindo estruturas com cotista único e dificuldade de identificação do beneficiário final — pontos que já haviam sido destacados na investigação envolvendo a Reag.
Mesmo diante dos alertas e do avanço das investigações, novas operações entre o Banco de Brasília e o Banco Master foram aprovadas em novembro de 2025, somando cerca de R$ 481 milhões. A justificativa apresentada foi a substituição de ativos de maior risco em meio ao agravamento da situação financeira do Master.
As transações ocorreram no contexto da crise que levou à liquidação de instituições envolvidas e ampliou o escrutínio sobre operações estruturadas no mercado de fundos de investimento.
Com informações do Metrópoles.
