BRB quer fundo imobiliário e busca empréstimo de R$ 3,3 bilhões do FGC para cobrir rombo do Master
17 março 2026 às 15h51

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O Banco de Brasília (BRB) vai lançar um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com nove imóveis do Distrito Federal (DF) para cobrir os prejuízos deixados pelo Banco Master. O fundo deve ajudar a equilibrar o balanço do banco e evitar que a instituição receba advertência do Banco Central (BC) e tenha seus serviços limitados. No entanto, na segunda-feira, 16, a Justiça impediu o governo do DF de fazer o aporte no BRB usando os imóveis, inclusive com a criação de um fundo imobiliário.
O Executivo informou que recorreu da decisão. No começo do mês de março, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou o projeto do governador Ibaneis Rocha (MDB) autorizando o Executivo a efetuar um aporte no BRB para cobrir o rombo do Banco Master, calculado em R$ 8 bilhões. A proposta foi sancionada e virou lei.
A lei oferece nove imóveis públicos para serem vendidos, transferidos ao BRB, estruturados em um fundo imobiliários e usados como garantia de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a outros bancos privados. São oito imóveis de propriedade do governo do DF e um terreno da (Terracap) da Companhia Imobiliária de Brasília, estatal controlada pelo DF com participação da União. A lista inclui terrenos vazios, um complexo erguido para ser a sede do governo distrital e edificações que funcionam como sede de empresas públicas.
O governo distrital quer oferecer os imóveis para a criação de um fundo imobiliário e buscar um empréstimo de R$ 3,3 bilhões do FGC. O BRB chamou os acionistas para uma assembleia na quarta-feira, 18, quando pretende aprovar o plano. O banco tem até o dia 31 de março para apresentar o balanço financeiro de 2025 e expor o tamanho do rombo do Master.
Os nove imóveis do projeto foram avaliados em aproximadamente R$ 6,6 bilhões pela Terracap. O valor está desatualizado. No dia da aprovação do Projeto de Lei (PL), o governo do Distrito Federal informou que novos laudos estão em fase de elaboração. O terreno mais caro é a Gleba A, uma área de 7,16 mil metros quadrados na região conhecida como Serrinha do Paranoá, estimado em R$ 2,3 bilhões, sendo o último laudo uma avaliação de seis anos atrás. Para cada imóvel, novos laudos precisarão ser apresentados para a criação do fundo. Por enquanto, não há nenhuma avaliação independente, formulada por agentes fora do governo, apresentada.
O governo do DF será o cotista inicial e terá ações subordinadas. No entanto, se o FII performar acima do esperado, esse cotista recebe lucros maiores. O BRB visa tentar atrair agentes privados para as demais cotas, que são chamadas de sênior (ou mezanino). Nesse caso, eles estarão mais seguros, mas, ao mesmo tempo, a rentabilidade ficará limitada.
