A operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira, 12, em Colinas do Tocantins, é o desdobramento mais recente de um caso político que começou no início de 2025, após um embate entre o prefeito Josemar Carlos Casarin (UB) e a vereadora Naiara Miranda (MDB) durante sessão da Câmara Municipal.

A investigação apura suspeitas de violência política de gênero e também a possível utilização de redes sociais para difundir conteúdos considerados difamatórios contra a parlamentar.

O caso teve início durante a abertura do ano legislativo na Câmara de Colinas. Na ocasião, Naiara Miranda anunciou que passaria a atuar de forma independente no Legislativo municipal, afirmando que não se posicionaria nem como integrante da base do prefeito nem como oposição automática, mas que votaria conforme as demandas da população.

A declaração provocou reação do prefeito. Durante seu pronunciamento na sessão, Casarin afirmou que responderia caso fosse citado pela vereadora e disse: “Se pedir a parte e citar meu nome, eu vou responder. Tu te prepara que aqui a bala pega”. A fala foi registrada na gravação oficial da reunião e rapidamente passou a circular nas redes sociais.

Após o episódio, a vereadora ficou abalada e chegou a chorar durante a sessão, que precisou ser momentaneamente suspensa até que os trabalhos fossem retomados.

Nos dias seguintes, Naiara Miranda se pronunciou publicamente e classificou o episódio como violência política contra a mulher. Em declaração divulgada nas redes sociais, afirmou que constranger, humilhar ou ameaçar mulheres na política não pode ser tratado como algo normal no ambiente institucional.

Já o prefeito negou as acusações. Em entrevista à imprensa na época, afirmou que “nunca houve violência” e que as críticas fariam parte de uma tentativa da oposição de explorar politicamente o episódio.

O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e no meio político. Parlamentares e autoridades manifestaram apoio à vereadora e criticaram a postura do prefeito. Entre eles, o deputado federal Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, que declarou solidariedade à parlamentar e afirmou que o partido colocaria sua estrutura jurídica à disposição para acompanhar a situação.

Diante da repercussão, o Ministério Público Eleitoral abriu um procedimento para apurar possível crime de violência política contra a mulher, previsto no artigo 326-B do Código Eleitoral. O dispositivo, incluído pela Lei nº 14.192/2021, tipifica como crime atos de ameaça, constrangimento, perseguição ou humilhação contra mulheres no exercício de mandato eletivo.

Durante a apuração, surgiram indícios de que páginas em redes sociais estariam sendo utilizadas para divulgar conteúdos considerados inverídicos contra a vereadora e outros agentes políticos ligados a ela.

Esses elementos levaram ao aprofundamento da investigação e à deflagração da Operação Cortina Digital pela Polícia Federal. A ação cumpriu três mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins. Entre os alvos estão o prefeito de Colinas e dois administradores de páginas em redes sociais.

Durante a operação, celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos para análise pericial. O objetivo é preservar possíveis provas digitais, como mensagens, arquivos e registros de comunicação em redes sociais e aplicativos.

Segundo a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer se houve constrangimento à parlamentar no exercício do mandato e se redes sociais foram utilizadas para promover uma campanha difamatória contra ela.

O material apreendido será analisado no curso do inquérito policial, que segue em andamento e pode ter novos desdobramentos.