Comunidade indígena da Aldeia Canuanã, na Ilha do Bananal, afirma ter sofrido discriminação de influenciadora e denuncia caso no MPTO
21 abril 2026 às 17h10

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Um vídeo publicado nas redes sociais pela influenciadora Tânia Mara após visita à Aldeia Canuanã, em Formoso do Araguaia, motivou manifestação da comunidade indígena. Segundo a Associação Comunidade Indígena da Aldeia Canuanã (Aciac), o conteúdo teria caráter discriminatório em relação à cultura do povo Javaé. Diante da repercussão, a entidade informou nesta terça-feira, 21, que formalizou denúncia ao Ministério Público do Tocantins.
De acordo com a associação, o material, também publicado pelo filho da influenciadora, foi gravado no último dia 19 de abril, data em que é celebrado o Dia dos Povos Originários. A Aciac afirma que o vídeo faz referências à culinária típica e aos costumes da comunidade, além de mostrar crianças indígenas.
Em nota, a associação informou que entendeu o conteúdo como ofensivo às tradições culturais da aldeia, o que motivou a adoção de medidas formais para apuração do caso. A denúncia foi encaminhada ao MPTO. Paralelamente, segundo a entidade, lideranças tradicionais e a autoridade máxima da aldeia adotam medidas judiciais relacionadas à entrada sem autorização no território e ao registro de imagens.
A associação informou ainda que a entrada de não indígenas e a captação de imagens na comunidade dependem de autorização expressa do cacique, conforme protocolo interno da aldeia.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente da associação, Fabiano Kanari Javaé, afirmou que a manifestação foi feita em nome do cacique e da comunidade após a circulação do conteúdo.
Na mesma gravação, ele afirmou que a comunidade considera o episódio como discriminação cultural e informou que providências serão adotadas. “Esse tipo de coisa, nós não aceitamos e as medidas vão ser tomadas”, declarou.
O Jornal Opção Tocantins entrou em contato com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas e com a influenciadora citada na denúncia, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
