Em 2025, Tocantins enfrentou seca generalizada em meio a ano de extremos climáticos no Brasil
28 fevereiro 2026 às 10h13

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O estado do Tocantins esteve entre as áreas mais afetadas pelos extremos climáticos registrados no Brasil em 2025. De acordo com o relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil em 2025”, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o país viveu um ano marcado por temperaturas elevadas, chuvas irregulares e períodos prolongados de estiagem — cenário que atingiu diretamente a região do Matopiba, da qual o Tocantins faz parte.
No recorte nacional, o documento aponta que 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado no planeta, com temperatura média global cerca de 1,47 °C acima do nível pré-industrial. O Brasil acompanhou essa tendência, com aumento de ondas de calor e eventos extremos, como secas prolongadas, chuvas intensas e enchentes em diferentes regiões.
Um dos dados que chamam atenção no relatório é que, em novembro de 2025, o Tocantins estava entre os oito estados brasileiros com seca em todo o território. Na mesma situação estavam Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
A estiagem prolongada atingiu especialmente áreas do Matopiba — região agrícola que reúne partes do Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia — onde houve intensificação do déficit hídrico e expansão das áreas em seca severa ou extrema ao longo do ano.
Além disso, o monitoramento do Cemaden mostra que, no segundo semestre, a seca se ampliou formando um corredor de déficit hídrico entre as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste, aumentando o risco de impactos na agricultura e no abastecimento de água.
Brasil teve contrastes entre enchentes e estiagem
Enquanto o Tocantins enfrentava períodos prolongados de seca, outras regiões do país registraram chuvas intensas e desastres associados. O relatório cita episódios de enchentes e deslizamentos em estados como Pernambuco, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com milhares de pessoas afetadas.
No conjunto do país, o padrão de chuvas em 2025 foi descrito como irregular, com áreas registrando precipitações acima da média e outras passando até 60 a 90 dias consecutivos sem chuva, o que agravou as condições de estiagem.
Impactos também atingem agricultura e queimadas
Outro fator destacado no relatório é o aumento do risco de incêndios e impactos na produção rural. Durante períodos de seca e baixa umidade do ar em 2025, diversas regiões do Brasil registraram níveis críticos de umidade e crescimento de queimadas, com cerca de 28 mil focos ativos de calor em setembro, segundo monitoramento nacional.
No Tocantins, que possui forte dependência do agronegócio e faz parte de uma das principais fronteiras agrícolas do país, a combinação de estiagem prolongada e calor intenso preocupa especialistas pela pressão sobre os recursos hídricos e a produção.
Tendência de eventos extremos deve continuar
O documento também alerta que a tendência é de aumento na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos nos próximos anos, incluindo ondas de calor mais frequentes e secas prolongadas em diferentes regiões do país.
O relatório mostra que o cenário reforça a necessidade de planejamento e políticas públicas voltadas à adaptação climática, especialmente em estados como o Tocantins, que estão em áreas de transição climática e agrícola e já enfrentam impactos diretos das mudanças no regime de chuvas.
