O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, realizado neste sábado, 28, deixou ao menos 555 mortos e 747 feridos, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho. De acordo com a entidade, 131 cidades iranianas já foram atingidas desde o início da ofensiva.

Explosões foram registradas ao longo do dia em Teerã e em dezenas de outros municípios, em resposta, o Irã lançou mísseis contra Israel e atingiu bases militares norte-americanas no Oriente Médio, incluindo instalações no Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. O governo dos EUA informou que os danos foram “mínimos”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morreu nos bombardeios, a morte foi confirmada posteriormente pelo governo iraniano. Segundo Trump, a operação tem como objetivo destruir o programa nuclear iraniano e impedir que o país desenvolva uma arma atômica. Em pronunciamento, ele declarou que o regime iraniano não poderá mais “desestabilizar a região ou o mundo” e instou militares do país a se renderem.

O primeiro-ministro de Israel afirmou que a ação busca eliminar o que classificou como “ameaça existencial” representada pelo regime iraniano. Já o Ministério das Relações Exteriores do Irã descreveu o ataque como uma “agressão militar criminosa” e pediu providências à Organização das Nações Unidas, defendendo que as Forças Armadas responderão com firmeza.

Em meio à escalada, o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo, foi fechado por razões de segurança, conforme informou a agência estatal iraniana Tasnim. A medida amplia a preocupação com impactos no mercado internacional de energia.

Nas semanas que antecederam o ataque, Washington reforçou sua presença militar na região com o envio dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, além de manter tropas e bases em países vizinhos ao Irã. Ao mesmo tempo, Teerã realizou exercícios conjuntos com Rússia e China e intensificou a proteção de instalações nucleares.

A ofensiva ocorre em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano, os EUA acusam o Irã de buscar a construção de uma bomba atômica, alegação negada por Teerã. Esta é a segunda vez em menos de um ano que forças americanas atacam o país; em junho de 2025, estruturas nucleares já haviam sido bombardeadas.

O cenário atual se soma a uma crise econômica prolongada no Irã, agravada por sanções internacionais. Desde que deixou o acordo nuclear de 2015, em 2018, Trump retomou medidas de pressão econômica. Em 2025, o rial perdeu cerca de metade do valor frente ao dólar, em um contexto de inflação superior a 40% ao ano e de sucessivas ondas de protestos reprimidas pelo governo.