Esquema de fraudes eletrônicas com prejuízo superior a R$ 1 milhão é alvo da Polícia Civil do Tocantins
05 fevereiro 2026 às 09h44

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Movimentações financeiras suspeitas e transações eletrônicas simuladas levaram a Polícia Civil do Tocantins a deflagrar, nesta quinta-feira, 5, a Operação Cartão Oculto. A ação tem como foco uma organização criminosa suspeita de aplicar fraudes eletrônicas e lavar dinheiro, com prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão a uma instituição de pagamentos.
Conduzida pela 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (3ª DEIC – Araguaína), a operação é coordenada pelo delegado Márcio Lopes da Silva e cumpre cinco mandados de busca e apreensão em Araguaína (TO), Divinópolis (MG), Ribeirão Preto (SP) e Nova Iguaçu (RJ). A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados até o limite do valor supostamente desviado.
As apurações tiveram início após denúncia da empresa vítima, que identificou um volume incomum de transações suspeitas. A partir de análises técnicas e do rastreamento financeiro, os investigadores identificaram um esquema estruturado para induzir a liberação indevida de recursos por meio de operações eletrônicas fraudulentas.
Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava de forma articulada em diferentes estados. Um morador de Araguaína é apontado como líder da organização e teria criado uma empresa de fachada para registrar transações fictícias.
Dinâmica do esquema criminoso
De acordo com as investigações, os suspeitos simulavam vendas que nunca ocorreram, utilizando dados de cartões de crédito obtidos ilegalmente. As compras fictícias eram registradas em ambiente on-line, sem a presença física do cartão, o que permitia solicitar a antecipação dos valores junto à instituição de pagamentos.
Com a liberação rápida dos recursos, o dinheiro era transferido de forma fracionada para diversas contas de terceiros, distribuídas em vários estados, dificultando o rastreamento e a recuperação dos valores. O esquema envolvia desde a captação ilegal de dados, passando pelo lançamento de vendas inexistentes, até a dispersão dos recursos para contas de “laranjas”.
As diligências apontaram que cada integrante exercia uma função específica. Em Araguaína, ficava o responsável pela empresa de fachada e pela execução das transações; em Divinópolis, um coordenador técnico cuidava da criação de páginas falsas e do gerenciamento das contas; em Nova Iguaçu, um operador com conhecimento tecnológico atuava na captação de dados e na burla de sistemas; já em Ribeirão Preto, os envolvidos eram responsáveis por receber e redistribuir os valores.
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, foram apreendidos celulares, computadores de alto desempenho, R$ 18 mil em espécie e documentos relacionados às fraudes eletrônicas. O material passará por perícia e deve subsidiar o aprofundamento das investigações.
A Polícia Civil informou que as apurações continuam para identificar outros envolvidos, responsabilizar os suspeitos e buscar a recuperação dos valores desviados.
