EUA bombardearam centro de pesquisa científica na Venezuela
07 janeiro 2026 às 17h25

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Os Estados Unidos da América (EUA) bombardearam a Venezuela no começo do mês e destruíram o prédio do Centro de Matemática do Instituto Venezuelano de Investigações Científicas (IVIC), no estado de Miranda, vizinho à capital Caracas. O prédio de Matemática do IVIC era ligado à Universidade Nacional das Ciências do país e foi totalmente destruído, e os centros de Física, Química, Ecologia e Tecnologia Nuclear foram parcialmente danificados, segundo o instituto. Não houveram feridos no instituto apesar da estimativa de mortos dos ataques em outros locais chegarem a 58.
Um vídeo com imagens dos prédios destruídos foi divulgado em redes sociais. A investigação do instituto apontou que as instalações foram atingidas por uma bomba AGM 154 C-1, projétil guiado de alta precisão com mais de 4 metros de largura. “O conhecimento, a ciência e a tecnologia não podem ser usados como armas de guerra para destruir nações. Atacar civis, promover guerras e visar instalações civis e militares e centros de pesquisa científica, perturbando a paz de um povo, nada mais são do que atos de terrorismo e crimes contra a humanidade”, afirmou o vice-ministro de Aplicação do Conhecimento Científico e diretor do IVIC, Alberto Quintero.
O Instituto de Investigações Científicas informou que vai reconstruir as instalações. “Essas áreas abrigavam servidores e equipamentos essenciais para nossas redes de computadores, que foram completamente devastadas. Não há qualquer justificativa para atacar um santuário da ciência, um lugar que forneceu respostas históricas para o país e para o mundo”, completa a nota do instituto.
Histórico
Os Estados Unidos bombardearam quatro cidades da Venezuela no último sábado, 3, sequestrando o presidente Nicolás Maduro, a quem acusam de narcotráfico, e sua esposa. Nos dias seguintes, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez ameaças à Groenlândia e à Colômbia.
Até o momento, foram confirmadas 58 mortes durante a invasão dos EUA à Venezuela. A ação foi criticada pela ONU e diversos países, que apontam para violação do direito internacional e precedente perigoso para América Latina e o mundo.
Maduro negou as acusações de narcotráfico e disse que a ação visa assumir o controle das riquezas naturais do país, como o petróleo, visto que a Venezuela tem as maiores reservas de petróleo comprovadas do planeta. Com a saída de Maduro, Trump tem ameaçado a presidente interina Delcy Rodríguez para que dê acesso total aos EUA no país e promete “governar” a Venezuela até uma transição política. Delcy disse que a Venezuela seguirá independente.
