EUA e Israel realizam ofensiva contra o Irã; Teerã reage com lançamento de mísseis
28 fevereiro 2026 às 09h34

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Explosões foram registradas nas primeiras horas deste sábado, 28, na capital do Irã, Teerã, e em pelo menos outras quatro cidades do país, após uma ofensiva conduzida em conjunto por Estados Unidos e Israel. Em resposta, o governo iraniano lançou mísseis em direção ao território israelense e atingiu posições militares americanas instaladas no Oriente Médio.
De acordo com autoridades israelenses, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e o presidente Masoud Pezeshkian estavam entre os alvos da operação. Até o momento, não há confirmação oficial sobre impactos diretos contra essas lideranças. Informações divulgadas por agências internacionais indicam que Khamenei não estaria em Teerã. Já a imprensa estatal iraniana informou que Pezeshkian está em segurança.
Relatos apontam que projéteis atingiram áreas próximas ao complexo presidencial e a instalações ligadas ao líder supremo na capital. Também houve registros de explosões em Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. Após o início da ofensiva, o espaço aéreo iraniano foi fechado. Segundo a mídia oficial do país, cinco estudantes de uma escola feminina no sul do território morreram durante os bombardeios.
Como parte da retaliação, sirenes de alerta foram acionadas em diferentes regiões de Israel depois do lançamento de mísseis iranianos. Houve ainda registros de explosões e alertas em nações que sediam bases militares americanas, entre elas Catar, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Autoridades emiradenses informaram ter interceptado parte dos projéteis e confirmaram uma morte em Abu Dhabi. Testemunhas também relataram uma explosão em Dubai.
Segundo ataque
Trata-se da segunda ofensiva conduzida pelos Estados Unidos contra o Irã em menos de um ano. Em junho de 2025, forças americanas bombardearam instalações nucleares iranianas no contexto do confronto entre Israel e o governo de Teerã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o objetivo da operação é desmantelar o programa nuclear iraniano e impedir o desenvolvimento de armas atômicas pelo país. Segundo militares americanos, a ação pode durar vários dias. O Pentágono classificou a ofensiva como uma operação de grande escala. Em publicação nas redes sociais, Trump declarou que o regime iraniano não poderá mais ameaçar a estabilidade regional e voltou a defender que a população pressione por mudanças internas.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a iniciativa tem como finalidade neutralizar o que descreveu como uma “ameaça existencial representada pelo regime iraniano” e disse que a ação pode “abrir caminho para transformações políticas no país.”
A intensificação das ações ocorre após semanas de negociações entre Washington e Teerã a respeito do programa nuclear iraniano. Em encontros recentes, os Estados Unidos defenderam a interrupção do enriquecimento de urânio, a limitação do alcance de mísseis balísticos e o fim do apoio iraniano a grupos armados na região. O Irã sustenta que seu programa nuclear tem finalidade pacífica e havia indicado disposição para reduzir o nível de enriquecimento em troca do alívio de sanções.
Nos últimos meses, os Estados Unidos ampliaram sua presença militar no Oriente Médio com o envio de porta-aviões e o reforço de bases já instaladas. Paralelamente, o Irã promoveu exercícios militares em conjunto com Rússia e China e reforçou a segurança de suas instalações nucleares.
O contexto internacional se soma a desafios internos enfrentados pelo Irã. O país passa por uma crise econômica agravada por sanções internacionais e pela desvalorização da moeda nacional. A inflação elevada e denúncias de corrupção têm ampliado o descontentamento popular, sobretudo entre jovens, que participaram de protestos reprimidos pelas autoridades.
As tensões entre Irã e Estados Unidos remontam à Revolução Islâmica de 1979, responsável pela instauração do atual regime teocrático no país. Desde então, as relações bilaterais alternam momentos de confronto e tentativas de negociação. Um acordo nuclear firmado em 2015 proporcionou alívio temporário, mas foi abandonado pelos Estados Unidos dois anos depois, resultando na retomada de sanções e disputas. Desde então, episódios de ataques, retaliações e negociações interrompidas mantêm o cenário de instabilidade na região.
