O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) registrou uma redução de 30,98% em áreas atingidas por incêndios nas Unidades de Conservação (UCs) estaduais em 2025 ao comparar com o ano anterior. O órgão é responsável pela gestão das nove UCs em operação no Tocantins que somam 2,3 milhões de hectares. Os dados foram divulgados pelo monitoramento Programa Brasil Mais, da Polícia Federal (PF).

Em 2024, as queimadas atingiram 174.544 hectares, o equivalente a 7,45% da área total. Já em 2025, houve uma queda de 54.068 hectares na extensão afetada, reduzindo o percentual para 5,14%. O Parque Estadual do Cantão (PEC) se destacou com redução de 96,13% na área queimada. Outros destaques também foram a Área de Proteção Ambiental (APA) Ilha do Bananal/Cantão, com diminuição de 51,12%; o Parque Estadual do Jalapão (PEJ), com queda de 33,87%; e a APA Lago de Palmas, com 32,75%. 

De acordo com a Naturatins, o planejamento antecipado contribuiu para maior eficiência operacional e respostas mais rápidas durante o período de estiagem. “O Estado contou com um plano elaborado previamente, por determinação do governador Wanderlei Barbosa, que abrangeu desde ações preventivas até o enfrentamento direto das queimadas. Esse direcionamento permitiu ao Naturatins atuar de forma mais coordenada e eficaz nas UCs, com a preparação das equipes, investimentos em capacitação e a disponibilização de equipamentos e infraestrutura adequados”, disse Cledson Lima, presidente do instituto.

Manejo Integrado do Fogo

Uma das principais iniciativas é o Manejo Integrado do Fogo (MIF), abordagem que alia conhecimentos ecológicos, diretrizes de gestão territorial e soluções tecnológicas, contribuindo para a redução de incêndios. Entre as ações do MIF, as queimas prescritas se destacam como ação preventiva relevante. Entre os meses de maio, junho e julho de 2025, período que antecede o auge da estiagem, foram realizadas 286 queimas prescritas em áreas estratégicas das Unidades de Conservação com o objetivo de diminuir a carga de material combustível, criar aceiros, proteger nascentes, veredas e áreas de transição de vegetação, e evitar incêndios de grandes proporções durante os meses mais secos do ano.

Outras medidas incluem campanhas de conscientização da população e o fortalecimento das brigadas, com a entrega de veículos e capacitação. Em julho, foram capacitados 75 brigadistas. Desse total, 40 foram recém-contratados para compor um efetivo de aproximadamente 112 profissionais distribuídos nas UCs. Em setembro, houve a entrega de veículos para os Parques Estaduais do Jalapão e do Cantão.

Lyon Cardoso, coordenador do Núcleo de Manejo Integrado do Fogo do Naturatins, frisa que “Neste ano conseguimos ampliar o contingente da brigada e fortalecer nossa rede de parceiros no Manejo Integrado do Fogo. Esse reforço foi fundamental para executar as queimas prescritas previstas e nos deu mais fôlego durante os combates. Com mais brigadistas, tornou-se mais viável que equipes de uma Unidade de Conservação apoiassem outras quando necessário”.

Monitoramento por satélite com auxílio de drones

O monitoramento foi feito por satélite com auxílio de drones para ajudar nas ações preventivas nas operações de combate aos incêndios florestais. Essas ferramentas permitem a identificação de áreas de calor em tempo real, fornecendo dados precisos sobre a localização e a intensidade dos focos, o que viabiliza uma mobilização mais rápida e eficiente das equipes. Em regiões de difícil acesso, os drones tendem a ser mais importantes. Os dispositivos são equipados com câmera de alta resolução e sobrevoam grandes extensões territoriais para identificar focos ainda em estágio inicial, reduzindo o tempo de resposta e aumentando a eficácia no controle das chamas.

As ações de combate direto a incêndios florestais realizadas pela Brigada Gavião Fumaça do Naturatins iniciaram-se no final de julho de 2025, quando as condições climáticas no Tocantins começaram a se agravar com o aumento das temperaturas e período de seca. Para o chefe da Brigada do Parque Estadual do Jalapão, Alessandro Machado, “Trata-se de um trabalho que exige grande esforço físico e mental, mas a brigada conta com uma equipe preparada e experiente, o que facilita a atuação. A prática do contrafogo, por sua vez, requer extrema responsabilidade, pois qualquer perda do controle pode agravar o incêndio e resultar em desastres com danos à população e ao meio ambiente”.

Entre agosto e outubro, período de maior incidência de queimadas no estado, as brigadas mantiveram operações contínuas, com mobilização de pessoal, veículos e equipamentos. As atividades envolveram técnicas de combate direto e indireto, construção de aceiros, emprego de contrafogo, monitoramento aéreo e cooperação interinstitucional, especialmente com o Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins (CBMTO), a Defesa Civil Estadual, a Brigada Restaura Cantão e brigadas municipais. Ao todo, foram registradas 299 ocorrências de combate a incêndios nas Unidades de Conservação.