Máximus: Lista apreendida pela PF indica “veto absoluto” a advogados em disputa por vaga de juiz no TRE do Tocantins
02 março 2026 às 11h44

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Uma folha com o título “Veto Absoluto” e a relação de 13 advogados do Tocantins foi apreendida pela Polícia Federal durante a Operação Maximus em 2024 e passou a integrar a investigação que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo integrantes do Judiciário estadual. O documento foi encontrado na residência do desembargador Helvécio de Brito Maia Neto, investigado no inquérito que o Jornal Opção Tocantins teve acesso.
Segundo relatório de Informação de Polícia Judiciária, a lista reúne nomes de advogados companhados de seus respectivos números de inscrição na OAB. Onze deles aparecem sob a indicação de “veto absoluto”, enquanto dois foram classificados como “sugestões”. Para os investigadores, o conteúdo pode estar relacionado ao processo de escolha de membros para o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) em 2021. A reportagem solicitou posicionamento à defesa do desembargador e aguarda um retorno.
De acordo com a análise da Polícia Federal, a presença do documento na casa do desembargador causa estranheza porque a definição dos nomes que integram a lista encaminhada ao tribunal eleitoral passa por etapas formais conduzidas pela Ordem dos Advogados do Brasil e pelo próprio TRE. Ainda assim, o material indicaria que alguns candidatos já estariam previamente vetados ou sugeridos. Confira lista abaixo.
Relação com escolha para o TRE
Na análise feita pelos investigadores, dois nomes indicados como “sugestões” na lista — entre eles a advogada Delícia Feitosa Ferreira Sudbrack e o procurador do Estado Rodrigo Meneses dos Santos — teriam ligação com processos de escolha para vagas de juiz membro do TRE tocantinense em 2021.
O relatório destaca que Delícia Feitosa foi empossada como integrante da Corte do tribunal eleitoral naquele ano, enquanto Rodrigo Meneses figurou entre os nomes mais votados em lista tríplice para compor o colegiado.
Além disso, a Polícia Federal observou que parte dos advogados citados na folha também havia participado da seleção para o cargo. A coincidência reforçou a hipótese de que o documento poderia refletir preferências ou tentativas de influência sobre o processo de escolha.
Material apreendido
A folha com a lista de nomes é apenas um dos itens analisados pela PF após mandado de busca e apreensão. Entre os materiais recolhidos também estão cadernetas com anotações diversas; blocos de notas; pastas com contratos e documentos e envelopes com registros e comprovantes.
No relatório, os investigadores indicam que alguns desses itens devem permanecer sob custódia para continuidade das apurações, enquanto outros não apresentaram informações relevantes para o caso.
“Veto Absoluto”
- Alexsander Ogawa – OAB 2549
- Henrique Pereira – OAB 53
- Hugo Barbosa Moura – OAB 3083
- Jakeline de Morais – OAB 1634
- Roger Ottino – OAB 2583
- Fernando Araújo Luz – OAB 6439 (filiado político)
- Sérgio Ferradoza – OAB 3241
- Antônio Paim – OAB 556
- Fábio Alves – OAB 2635 (filiado político)
- Murilo Sudré – OAB 1536
- Vinicius Pinheiro Miranda – OAB 4150
“Sugestões”
- Rodrigo Meneses dos Santos – OAB 4125
- Delícia Feitosa Ferreira Sudbrack – OAB 3818
O que diz a investigação
O relatório aponta que a Operação Máximus começou em 2023 após denúncia apresentada por informante confidencial. A suspeita é de existência de uma organização criminosa que atuaria na suposta “mercancia de decisões judiciais” no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins.
Entre os investigados citados estão Thiago Sulino de Castro e Thales André Pereira Maia, apontados como possíveis articuladores do esquema. A investigação também menciona a participação de magistrados, servidores públicos e advogados.
O inquérito apura, em tese, crimes de corrupção passiva (artigo 317 do Código Penal); lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998); organização criminosa (Lei nº 12.850/2013).
