A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira, 12, a Operação Cortina Digital, com o objetivo de apurar suspeitas de violência política de gênero em Colinas do Tocantins, no norte do estado. A ação incluiu o cumprimento de três mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO).

Entre os alvos das diligências estão o prefeito do município, Josemar Kasarin (União Brasil), e dois administradores de páginas em redes sociais. Durante a operação, aparelhos celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos para análise pericial.

Segundo a Polícia Federal, a investigação começou após um episódio ocorrido durante a abertura do ano legislativo na Câmara Municipal da cidade. Na ocasião, um agente público teria feito ameaças a uma parlamentar, o que, segundo os investigadores, teria constrangido a vereadora no exercício do mandato.

A parlamentar citada no caso é a vereadora Naiara Miranda (MDB). O episódio ocorreu em sessão legislativa e teve repercussão pública após a divulgação de gravações da reunião.

No curso da apuração, a PF identificou indícios de que redes sociais administradas por servidores públicos estariam sendo utilizadas para divulgar conteúdos considerados inverídicos contra a vereadora e outros agentes políticos ligados a ela. A suspeita é de que essas páginas tenham sido utilizadas para promover uma campanha difamatória no ambiente digital.

A coleta de celulares e outros equipamentos integra a estratégia de preservação de provas digitais, como mensagens, arquivos, publicações e registros de comunicação em redes sociais ou aplicativos.

De acordo com a legislação brasileira, o crime de violência política de gênero ocorre quando há constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça contra mulheres em razão de sua condição de gênero no exercício de direitos políticos ou de mandato eletivo. A pena prevista pode chegar a quatro anos de reclusão, além de multa.

O nome da operação, “Cortina Digital”, faz referência à expressão “cortina de fumaça”, utilizada para designar ações destinadas a desviar a atenção da opinião pública.

As investigações continuam e o material apreendido será analisado no curso do inquérito policial. O espaço segue aberto para manifestação dos citados e de suas defesas.

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