Operação que investiga lavagem de R$ 1,1 bilhão ligada ao PCC inclui Tocantins entre estados citados em força-tarefa nacional
13 fevereiro 2026 às 11h12

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A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta quinta-feira, 12, a operação Dark Trader, que investiga uma organização criminosa chinesa suspeita de lavar R$ 1,1 bilhão em parceria com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em São Paulo e em Santa Catarina.
O caso ocorre em um contexto mais amplo de investigações sobre a atuação da facção em diferentes regiões do país. Em agosto de 2025, uma força-tarefa coordenada por órgãos federais e estaduais mobilizou cerca de 1.400 agentes em pelo menos dez estados, entre eles o Tocantins, para apurar a infiltração do PCC em setores da economia formal.
Segundo informações divulgadas pelos investigadores à época, essa força-tarefa teve mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, e resultou na expedição de mandados de bloqueio que somaram R$ 1,4 bilhão. A estimativa é de que os negócios investigados tenham movimentado aproximadamente R$ 30 bilhões.
Esquema investigado em São Paulo
De acordo com a Polícia Civil paulista, a organização chinesa investigada na operação Dark Trader atuava a partir da capital paulista, de onde distribuía produtos eletrônicos — como celulares, microfones e acessórios — para todo o país, tanto por meio de marketplaces quanto no comércio popular da região da rua 25 de Março e do bairro do Bom Retiro.
As investigações apontam que, embora as vendas fossem realizadas por uma plataforma principal, os pagamentos eram desviados para empresas de fachada ligadas a integrantes do PCC, enquanto as notas fiscais eram emitidas por outras empresas. Esse mecanismo, segundo a polícia, permitiu uma discrepância significativa entre o faturamento real e o patrimônio declarado.
Em apenas sete meses, quatro empresas de fachada teriam movimentado mais de R$ 1 bilhão. Duas delas estavam em nome de um homem apontado como integrante do PCC, preso durante a operação. Apesar de imóveis de alto padrão estarem registrados em seu nome, ele vivia em uma comunidade na zona norte de São Paulo. O investigado tem passagens por crimes como roubo, tráfico de drogas e lesão corporal.
Bloqueios e continuidade das apurações
A Justiça autorizou o bloqueio de bens até o limite de R$ 1,1 bilhão, além do sequestro de R$ 25 milhões em imóveis, veículos de luxo, contas bancárias em nome de laranjas e aplicações financeiras. Ao todo, são investigadas 18 pessoas, 14 empresas e 36 contas bancárias, e a estimativa é de que os bloqueios financeiros possam alcançar R$ 36 bilhões.
As autoridades informaram que as investigações seguem em andamento para identificar outras possíveis ramificações do esquema em diferentes estados (São Paulo, Bahia, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins). Até o momento, não foram divulgados nomes de empresas, municípios ou pessoas investigadas no estado.
