PMs são presos temporariamente por suspeita de envolvimento na morte de mototaxista em Sandolândia
11 fevereiro 2026 às 15h59

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Dois policiais militares foram presos temporariamente na quarta-feira, 11, por suspeita de participação no homicídio do mototaxista Jefferson Lima Borges, 25 anos, ocorrido na madrugada de 21 de setembro de 2025, na rodovia TO-181, no trecho entre os municípios de Sandolândia e Araguaçu, no sul do Tocantins.
Fontes confirmaram ao Jornal Opção Tocantins que os mandados de prisão temporária foram cumpridos pela pela própria Polícia Militar, e os investigados foram submetidos a exame de corpo de delito. Ambos permanecem custodiados na sede do 4º Batalhão da Polícia Militar, à disposição da Justiça.
As prisões foram determinadas pelo Poder Judiciário no âmbito de inquérito policial que apura as circunstâncias da morte do jovem, encontrado ao lado da motocicleta com marcas de disparos de arma de fogo. Inicialmente, o caso chegou a ser tratado como possível acidente de trânsito, mas a Polícia Civil identificou indícios de homicídio ainda no local.
Os investigados foram identificados como Devany Gomes dos Santos, 55 anos, e Cláudio Roberto Nunes Gomes, 41 anos. A reportagem busca contato com a defesa deles.
Segundo a investigação, os elementos reunidos ao longo da apuração indicam um conjunto consistente de indícios de autoria, além da identificação de circunstâncias que sugerem possível interferência na produção de provas, inclusive relacionadas a vestígios digitais. Esses fatores embasaram a representação policial pelas prisões temporárias.
Denúncias anteriores e temor pela própria vida
Conforme já divulgado em reportagens do Jornal Opção Tocantins, Jefferson Lima Borges havia procurado o Ministério Público do Tocantins (MPTO) meses antes de ser morto, relatando abordagens abusivas, ameaças e a apreensão irregular de seu telefone celular por policiais militares da região de Araguaçu.
Os registros no MPTO foram feitos em julho de 2025, após ao menos duas abordagens, uma delas envolvendo a Força Tática. À promotoria, o mototaxista manifestou receio por sua integridade física, afirmando temer represálias em razão dos conflitos com policiais militares.
Após a denúncia, o Ministério Público solicitou esclarecimentos à Polícia Militar e constatou que não havia qualquer registro formal da apreensão do celular, que acabou sendo devolvido ao jovem.
Operação e suspeita de omissões
Em novembro de 2025, a Polícia Civil deflagrou uma operação que cumpriu mandados de busca e apreensão em quartéis da Polícia Militar e determinou o afastamento de quatro policiais militares durante o avanço das investigações.
De acordo com a apuração, um dos policiais responsáveis pelo atendimento inicial da ocorrência teria omitido informações relevantes no registro do caso, incluindo o relato de uma testemunha que presenciou a passagem de uma caminhonete com características semelhantes à utilizada por policiais, momentos antes da localização do corpo.
Esses elementos passaram a integrar o conjunto probatório analisado no inquérito que apura o homicídio.
O que diz a PM
A Polícia Militar do Tocantins (PMTO) informa que a partir da determinação judicial, deu cumprimento, na tarde desta terça-feira, 2, a mandados de prisão temporária expedidos pela 1ª Escrivania Criminal da Comarca de Araguaçu, em desfavor de dois policiais militares, no âmbito de procedimento judicial em curso.
Os conduzidos encontram-se custodiados na sede do 4º BPM, em Gurupi, onde permanecem à disposição da Justiça. A audiência de custódia está prevista para a tarde desta quarta-feira, 11, no município de Gurupi.
A PMTO esclarece que a investigação criminal está sendo conduzida pelas autoridades competentes. A Instituição aguarda o regular andamento dos trâmites legais, nas esferas cível e criminal, e, conforme os desdobramentos e eventuais elementos formalmente encaminhados, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis.
A Policia Militar reforça seu compromisso com a legalidade, transparência e o respeito às decisões do Poder Judiciário, reiterando que não compactua com quaisquer desvios de conduta por parte de seus integrantes.
