Professores da rede municipal de ensino de Praia Norte interromperam as atividades nesta terça-feira, 10, e realizaram um ato público em frente à Prefeitura Municipal. A paralisação foi organizada para cobrar da gestão da prefeita Bruna do Ho Che Min (PSD) a regularização de pagamentos em atraso, a aplicação do reajuste do Piso Nacional do Magistério e a revisão das transferências de servidores para a zona rural, medidas que, segundo a categoria, têm afetado a rotina de trabalho e a vida funcional dos profissionais da educação.

De acordo com o presidente do Sintet Regional de Augustinópolis, Jules Rimet, a paralisação foi adotada diante da ausência de respostas efetivas por parte da administração municipal às reivindicações apresentadas. “A paralisação é um instrumento legítimo de luta e diálogo, diante da ausência de providências concretas às reivindicações apresentadas pela categoria”, afirmou.

Durante o ato, Jules Rimet fez críticas à prefeita Bruna Ho Che Min e à condução da gestão municipal. Segundo ele, após mais de um ano de mandato, ainda não foram apresentadas soluções para os problemas enfrentados pelos trabalhadores da educação no município.

O dirigente sindical apontou atrasos salariais, a falta de pagamento do 13º salário referente aos anos de 2023, 2024 e 2025, além da não aplicação do reajuste do piso do magistério desde 2023. Ele também questionou a ausência da prefeita no município e cobrou a abertura de diálogo direto com a categoria.

Rimet ainda denunciou o que classificou como perseguições políticas, citando a adoção de datas diferenciadas para o pagamento de salários. Segundo ele, a prática é “inadmissível e ilegal”.

Além das questões salariais, o presidente do Sintet relatou problemas estruturais na rede municipal de ensino, como a precarização das escolas, a qualidade da merenda escolar e dificuldades no transporte dos alunos. De acordo com o dirigente, esses fatores têm contribuído para a evasão de estudantes para municípios vizinhos.

“Não é culpa do professor. É falta de investimento e valorização. O piso é o mínimo que um trabalhador da educação deve receber. Hoje ele ultrapassa os R$ 5 mil, enquanto há profissionais no município recebendo cerca de R$ 3.200 e ainda com atraso”, destacou.

O dirigente afirmou ainda que o sindicato acompanha a aplicação dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e defendeu maior transparência na utilização dos valores destinados à educação. Ele também mencionou um acordo firmado junto ao Ministério Público no ano passado, que, segundo relatou, não foi cumprido pela gestão municipal dentro do prazo estabelecido.

Ao final do ato, Jules Rimet cobrou um posicionamento da Câmara Municipal e informou que a categoria seguirá mobilizada até que haja negociação e cumprimento da legislação vigente. “A prefeita precisa sentar com o sindicato e resolver imediatamente os problemas da educação. O piso é lei nacional e precisa ser respeitado”, concluiu.

A categoria aguarda a abertura de diálogo por parte da gestão municipal para tratar das reivindicações apresentadas.

O Jornal Opção Tocantins solicitou um posicionamento da Prefeitura de Praia Norte, e aguarda retorno.