Até setembro do ano passado, a senadora Dorinha Seabra (UB) não figurava entre as apostas do entorno do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) para a sucessão no Palácio Araguaia em 2026. No círculo mais próximo do governador, o nome tratado como prioridade era o do presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, correligionário de partido e presença constante nas agendas oficiais.

Dorinha enfrentava resistências internas. Parte dos deputados ligados a Wanderlei torcia o nariz. Ainda assim, os números começavam a falar mais alto. Enquanto Amélio não crescia nas pesquisas, Dorinha aparecia liderando cenários e mantendo diálogo direto com prefeitos recém-eleitos em 2024, um ativo que pesava no jogo.

O impasse ganhou contornos públicos. Áudios circularam, desconfortos vieram à tona e Wanderlei evitava sinalizar qualquer recuo em relação a Amélio. O desenho parecia fechado. Até a política entrar em modo turbulência.

Em setembro de 2025, o STJ afastou Wanderlei do cargo. A decisão atingiu em cheio o projeto de sucessão. A ruptura pública com o vice, Laurez Moreira, não dava espaço para os projetos do governador seguirem e paralisou a construção que vinha sendo feita em torno de Amélio. Com Laurez no comando do governo, o cenário mudou.

Nos bastidores, entre setembro e dezembro, o grupo de Dorinha e do senador Eduardo Gomes (PL) teria passado a atuar em favor da recondução de Wanderlei. Conversas avançaram, compromissos entraram na mesa e a sucessão de 2026 virou pauta coletiva. Dorinha passou a ser tratada como opção para liderar a majoritária, segundo relatos internos.

A recondução de Wanderlei, no início de dezembro, trouxe sinais claros de rearranjo. Quadros ligados à senadora retornaram a cargos estratégicos. Outros nomes próximos a ela ganharam espaço. O trânsito de Dorinha no Palácio Araguaia aumentou, com reuniões longas na agenda, agora voltadas a alinhamento político e administrativo.

Fora das salas fechadas, a mudança também apareceu. Dorinha passou a dividir agendas públicas com Wanderlei, espaço que antes pertencia quase exclusivamente a Amélio. O presidente da Assembleia segue mantendo a pré-candidatura, mas o protagonismo deixou de ser exclusivo.

O que se desenha é uma relação recalibrada. Após o afastamento e o retorno ao cargo, Wanderlei evidencia quem é da sua base, amplia o diálogo e calibra o jogo da sucessão. Dorinha, por sua vez, começa a consolidar presença num governo que, apesar do desgaste das operações, preserva índices relevantes de aprovação no eleitorado tocantinense.