Um vídeo publicado nas redes sociais expôs as condições estruturais precárias em que ocorre o atendimento educacional de crianças na Aldeia Horotory-Hawa, localizada na Ilha do Bananal. As imagens foram gravadas pela professora indigenista Heid Karla, que mostra o espaço utilizado como sala de aula e relata dificuldades enfrentadas por alunos e professores.

Segundo a professora, o local que atende estudantes da educação infantil funciona em um ambiente improvisado e com estrutura limitada, no vídeo, ela questiona a ausência de itens básicos para o funcionamento de uma sala de aula, como quadro adequado para as atividades pedagógicas. “Agora você imagina uma sala de aula que atende a educação inicial, infantil. Você está vendo algum quadro aqui? Porque eu não estou vendo um quadro”, afirma.

Durante a gravação, Heid Karla também aponta que o espaço utilizado é pequeno e reúne diversas funções ao mesmo tempo, funcionando simultaneamente como sala de aula, biblioteca e área administrativa. De acordo com o relato, a estrutura é insuficiente para acomodar os estudantes e profissionais que atuam na escola.

Outro ponto citado no vídeo é a segurança do local, a professora afirma que um armário chegou a cair sobre uma aluna e, após o ocorrido, o móvel teria sido amarrado para evitar novos acidentes. Ela também questiona as condições de trabalho dos docentes que atuam na comunidade indígena.

A gravação mostra ainda dificuldades relacionadas a equipamentos e materiais escolares, segundo o relato, a unidade não possui impressora em funcionamento. A única disponível teria sido comprada pelos próprios professores por meio de uma vaquinha, mas o equipamento estaria danificado e sem possibilidade de reparo.

Uma das situações mais difíceis relatada no vídeo diz respeito ao banheiro utilizado pelos estudantes. De acordo com a professora, o espaço não possui porta e fica completamente exposto e alunos e profissionais precisam utilizar o banheiro da casa de uma professora ou de outros moradores, tendo que atravessar a aldeia para ter acesso.

Na área destinada à cozinha da escola, a professora afirma que parte dos equipamentos que deveriam ter sido entregues não chegou à unidade. Segundo ela, o fogão utilizado é antigo e pertence ao município. Profissionais da escola também relataram dificuldades na logística para o envio de merenda escolar até a comunidade.

Ainda no vídeo, Heid Karla menciona que uma professora que atua na unidade enfrenta tratamento contra câncer e continua trabalhando no ambiente que ela classifica como insalubre.

Em nota enviada após questionamentos do Jornal Opção Tocantins, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) informou que o atendimento educacional na aldeia Horotory é realizado por meio de uma extensão vinculada ao Colégio Estadual Lagoa da Confusão. Segundo a pasta, a medida foi adotada para garantir a continuidade das atividades escolares após mudanças na organização da comunidade local, que demandaram a oferta de ensino em um novo ponto de atendimento.

A reorganização teria ocorrido após um desentendimento entre dois caciques, o que resultou na divisão entre aldeias. Com a separação, crianças da aldeia Horotory deixaram de frequentar a escola que já existia na ilha, tornando necessário criar um novo espaço para manter o atendimento educacional aos estudantes da comunidade.

O espaço atualmente utilizado para as aulas foi cedido temporariamente pela própria comunidade enquanto são avaliadas soluções estruturais para o funcionamento definitivo da unidade escolar.

A Secretaria informou ainda que foram disponibilizados mobiliário escolar, materiais pedagógicos e equipe de profissionais para acompanhar as turmas atendidas no local.

Governo deve destinar recursos para nova estrutura

Como resposta às demandas, a Seduc afirmou que irá destinar R$ 130 mil para a construção de um novo espaço na aldeia. O projeto prevê duas salas de aula, cozinha e banheiros.

A pasta também informou que uma nova visita técnica será realizada por equipes da secretaria para dialogar com a comunidade escolar, orientar sobre a organização do espaço atual e avaliar outras medidas necessárias para melhorar o atendimento aos estudantes.

Segundo o governo estadual, a unidade foi incluída em um levantamento que identifica prioridades de infraestrutura escolar na região, incluindo a necessidade de construção de um prédio próprio para atender a comunidade.