Tocantins está entre os estados com mais trabalhadores na escala 6×1, aponta Ministério do Trabalho
11 março 2026 às 10h21

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O Tocantins está entre os estados brasileiros com maior proporção de trabalhadores submetidos à escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1), segundo dados apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A informação foi divulgada pela subsecretária de Estatística e Estudos do Trabalho da pasta, Paula Montagner, durante audiência pública realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
De acordo com a subsecretária, estados localizados em regiões de expansão agrícola — como Tocantins, Santa Catarina e Roraima — concentram os maiores percentuais de trabalhadores nesse modelo de jornada. O levantamento considera informações enviadas pelas empresas por meio do sistema eSocial.
Os dados indicam que, no Brasil, cerca de 66,8% dos vínculos formais regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o equivalente a aproximadamente 29,7 milhões de trabalhadores, já operam em escalas de cinco dias de trabalho com dois dias de descanso (5×2). Ainda assim, uma parcela significativa permanece no regime 6×1, especialmente em determinados setores da economia.
Entre os segmentos com maior incidência desse tipo de jornada estão o transporte aéreo, onde 53,2% dos trabalhadores atuam na escala 6×1, seguido pelos serviços de alojamento (52%), alimentação (47,1%) e comércio (42,2%).
A subsecretária também destacou que o modelo ainda é comum em diferentes portes de empresas. Entre trabalhadores de micro e pequenas empresas, 35% estão na escala 6×1. Nas grandes empresas, o percentual é de 33,7%. No setor agropecuário, 35,4% dos trabalhadores fixos seguem esse regime. Já no caso de empregadores domésticos — pessoas físicas — apenas 3% utilizam essa jornada.
Segundo Paula Montagner, os dados analisados possuem alto grau de confiabilidade, pois são provenientes das declarações feitas pelas próprias empresas ao eSocial, sistema que reúne informações trabalhistas, previdenciárias e tributárias.
“Nossa leitura é de que a transição é viável, estratégica e benéfica”, afirmou, ao comentar a proposta de mudança da escala 6×1 para 5×2, com redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
A discussão ocorre no contexto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. O tema está em análise na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, que avalia a admissibilidade constitucional da proposta. O conteúdo da medida deverá ser debatido posteriormente por uma comissão especial.
A expectativa, segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), é que a proposta seja levada para votação no plenário da Casa até o mês de maio.
