Três cursos de medicina do Tocantins recebem nota insatisfatória no Enamed e podem sofrer restrições
19 janeiro 2026 às 14h08

COMPARTILHAR
Mais de 100 cursos de medicina do país foram mal avaliados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgado nesta segunda-feira, 19, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No Tocantins, três instituições aparecem na lista com conceito 2 — faixa considerada insatisfatória — e podem sofrer restrições como redução de vagas e suspensão do acesso a programas federais, como o Fies.
Os cursos tocantinenses com nota baixa são: Afya Faculdade de Porto Nacional, Afya Centro Universitário de Araguaína e Universidade de Gurupi (UnirG). Nenhuma instituição do estado recebeu conceito 1, o pior índice da avaliação, mas todas ficaram abaixo do patamar considerado adequado pelo Ministério da Educação (MEC).
O Enamed é uma prova anual criada para medir o desempenho dos estudantes de medicina e avaliar a qualidade da formação oferecida pelas instituições de ensino superior. Nesta edição, 351 cursos foram avaliados em todo o país, e cerca de 30% ficaram nas faixas 1 e 2. Ao todo, participaram da avaliação aproximadamente 89 mil estudantes, incluindo concluintes e alunos de outros semestres.
Entre os cerca de 39 mil estudantes que estão prestes a ingressar no mercado de trabalho, apenas 67% alcançaram o chamado “resultado proficiente”, índice que indica domínio mínimo dos conhecimentos exigidos para a prática médica. Quase 13 mil concluintes não atingiram esse patamar.
Perfil das piores notas
O balanço nacional mostra que os piores desempenhos se concentram, principalmente, em universidades públicas municipais e em instituições privadas com fins lucrativos. No caso das municipais, 87,5% dos cursos avaliados ficaram nos conceitos 1 e 2. Já entre as privadas com fins lucrativos, 58,4% tiveram desempenho considerado insatisfatório.
Os melhores resultados ficaram com universidades públicas federais e estaduais, onde mais de 80% dos cursos alcançaram conceitos 4 e 5, as faixas mais altas da avaliação.
No Tocantins, o resultado chama atenção porque o estado enfrenta dificuldades históricas na fixação de médicos, especialmente fora dos centros urbanos. A qualidade da formação é um fator central para garantir não o número e a segurança e a eficácia do atendimento à população.
Possíveis punições
As instituições que receberam conceito 2 no Enamed poderão sofrer redução no número de vagas ofertadas. Já os cursos com conceito 1 terão suspensão total de novos ingressos. Além disso, os cursos mal avaliados ficam impedidos de acessar ou ampliar participação em programas federais, como o Fies e outros mecanismos de financiamento estudantil.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, 107 cursos em todo o país se enquadram nas faixas que geram sanções, mas apenas 99 sofrerão penalidades diretas, já que universidades estaduais e municipais não estão sob a gestão direta do MEC.
De acordo com o ministério, parte dos cursos terá suspensão total de vagas, outros enfrentarão cortes de 50% ou 25%, e alguns ficarão impedidos de ampliar a oferta. As instituições ainda terão prazo para apresentar defesa.
“É um instrumento para que as instituições corrijam falhas e aperfeiçoem a formação. O objetivo é garantir a qualidade do ensino e proteger a população que será atendida por esses profissionais”, afirmou o ministro.
