A mulher que aparece em vídeos gravados na região da Praia da Graciosa, em Palmas, foi identificada e ouvida pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (1ª DEAM), na Casa da Mulher Brasileira. A informação foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO), que informou que o depoimento é sigiloso, já que o caso tramita em segredo de Justiça.

As imagens, que circularam nas redes sociais, mostram a vítima tentando afastar um homem enquanto está caída ao chão, em frente a uma viatura e à base da Guarda Metropolitana de Palmas, na Praia da Graciosa. O caso ocorreu no dia 15 de fevereiro de 2026 e é investigado pela Polícia Civil do Tocantins como estupro de vulnerável.

Segundo a polícia, a tipificação se deve à possível incapacidade de defesa da vítima no momento da agressão. Em nota, a corporação reforçou que qualquer ato sexual praticado contra pessoa sem discernimento ou condições de se defender se enquadra nesse tipo penal, classificado como crime hediondo e inafiançável.

O homem que aparece nas gravações se apresentou espontaneamente à delegacia na noite do dia 16 de fevereiro, um dia após o crime, ele foi ouvido pela delegada plantonista e responderá ao inquérito em liberdade. O nome não foi divulgado, e a defesa não foi localizada até a última atualização desta matéria.

Sindicância e afastamento

A Corregedoria da Guarda Metropolitana instaurou sindicância para apurar a conduta de três agentes que estavam de plantão no momento do fato. Eles foram afastados das funções até a conclusão dos trabalhos e a Prefeitura de Palmas informou que a apuração busca verificar eventual omissão diante de um crime ocorrido nas proximidades da base da corporação, o que, segundo a gestão municipal, pode configurar violação de dever funcional.

A Secretaria Municipal de Ação Social e da Mulher (Semasmu) determinou o envio das informações ao Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO) e informou que realiza busca ativa para garantir à vítima acesso aos serviços da Casa da Mulher Brasileira e da Patrulha da Mulher Segura.

A Polícia Civil do Tocantins também alertou que o compartilhamento de imagens que exponham vítimas de crimes sexuais pode configurar crime de divulgação de cena de estupro ou de exposição da intimidade sexual. A orientação é que eventuais registros sejam encaminhados diretamente às autoridades.

O Sindicato dos Guardas Metropolitanos do Estado do Tocantins (SIGMEP) informou que acompanha o caso institucionalmente e defende que a apuração ocorra com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. A entidade ressaltou que o afastamento dos agentes tem caráter cautelar e não representa reconhecimento de culpa.