Como Eli Borges de vice pode resolver a equação da chapa de Dorinha
02 agosto 2026 às 17h26

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Uma eventual indicação do deputado federal Eli Borges (Republicanos) para a vaga de vice da senadora Dorinha Seabra (União Brasil) pode resolver a principal equação política da chapa governista às vésperas da convenção, marcada para quarta-feira, 5. Diferentemente dos demais cotados, Eli reúne experiência acumulada em mandatos eletivos, mantém o Republicanos na chapa majoritária e oferece uma saída para a concorrência criada dentro da própria base na disputa ao Senado.
O primeiro efeito seria sobre a corrida pelas duas vagas de senador. Eli divide o mesmo campo político de Eduardo Gomes (PL) e Carlos Gaguim (União Brasil), ambos já respaldados publicamente pelo governador Wanderlei Barbosa. Na vice, o Republicanos conservaria espaço na majoritária e a base deixaria de administrar três candidaturas ao Senado, duas delas já incorporadas de forma mais clara à estratégia eleitoral do governador.
Também entra nessa equação o perfil político do candidato a vice. A principal chapa adversária da base governista terá como vice o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (MDB), parlamentar que reúne experiência como prefeito, deputado estadual e presidente do Legislativo. Nesse cenário, a eventual indicação de Eli Borges também acrescentaria densidade política à chapa de Dorinha. Com trajetória construída no Legislativo municipal, estadual e federal, o deputado chega à discussão como um nome já testado nas urnas e com projeção estadual, característica que o diferencia dos demais cotados para a vaga.
A eventual escolha, porém, exigiria uma acomodação dentro do campo evangélico. Eli pertence a uma ala da Assembleia de Deus que mantém disputa política com o grupo do pastor Amarildo Martins. O filho do pastor, o deputado federal Filipe Martins, está no PL, partido que integra a coligação de Dorinha. Uma indicação de Eli para a vice obrigaria o grupo governista a negociar espaço e convivência entre dois segmentos que disputam influência política dentro da mesma denominação religiosa.
Nesse cálculo, Eli oferece uma solução mais ampla, mas também cobra um preço político. Sua indicação reduziria a concorrência ao Senado, manteria o Republicanos no centro da chapa e acrescentaria experiência eleitoral à candidatura de Dorinha. Ao mesmo tempo, abriria uma negociação com o grupo de Amarildo Martins. A decisão, portanto, dependerá de Dorinha e Wanderlei concluírem se essa acomodação é mais simples do que as resistências enfrentadas por Atos Gomes ou as mudanças necessárias para viabilizar o coronel Barbosa.
