Movimentos sociais, coletivos feministas e lideranças políticas realizaram, na tarde desta sexta-feira, 31, um ato contra o feminicídio e a misoginia em Porto Nacional. A manifestação ocorreu quatro dias após o assassinato da enfermeira Morgana Monteiro, de 45 anos, em Palmas, e um dia depois da morte de Tatiana dos Santos, de 44 anos, em Araguaína. Segundo a organização, cerca de 200 pessoas participaram da mobilização, iniciada na Praça do Centenário.

Entre os participantes esteve o pré-candidato ao Senado Paulo Mourão (PT), que defendeu o fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher e criticou falhas na rede de proteção às vítimas. Ao comentar o caso de Morgana, que possuía medida protetiva contra o ex-companheiro, o petista questionou a efetividade dos mecanismos de proteção.

“Que proteção é essa, justiça brasileira? Que ‘pulseira’ é essa que se coloca nos assassinos de mulheres, mas não consegue protegê-las? Precisamos fazer um pacto pela vida das mulheres. A vida das mulheres nos interessa e muito!”, afirmou.

Uma das organizadoras do ato, Ana Cleia Kika, mestre em Comunicação e Sociedade e integrante do Movimento Negro Unificado (MNU), afirmou que a manifestação antecipou atividades previstas para o Agosto Lilás diante da sequência de casos registrados no estado. Segundo ela, o objetivo foi cobrar maior participação da sociedade e do poder público no enfrentamento à violência contra as mulheres.

“Vamos pedir que a sociedade se levante e não deixe apenas nas mãos do poder público o problema da violência contra a mulher. Os homens precisam ser aliados e não aceitar agressores em seu convívio”, disse.

Durante a mobilização, os participantes também defenderam a ampliação da rede de atendimento às vítimas e políticas voltadas à prevenção da violência de gênero. O ato terminou com uma caminhada pelas ruas de Porto Nacional.

Dados citados pelos organizadores apontam que o Tocantins registrou aumento superior a 50% nos casos de feminicídio entre 2024 e 2025, alcançando a quarta maior taxa do país, com 2,5 casos para cada 100 mil mulheres. Também participaram da manifestação representantes dos coletivos Gruconto, Mulheres em Movimento, Marcha Mundial das Mulheres, Enegrecer e Ajunta Preta, além da vice-prefeita de Tocantínia, Jordana Monteiro, irmã de Morgana, e do prefeito de Porto Nacional, Ronivon Maciel.