Ausência recorrente de Amélio Cayres nas agendas do governador chama atenção no meio político
28 janeiro 2026 às 09h40

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A relação entre o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (Republicanos), passou por mudanças desde o retorno de Wanderlei ao cargo, em dezembro do ano passado, pelo menos no que diz respeito agendas públicas. Não houve anúncio oficial, nota pública ou registro formal de rompimento. O que se observa é a ausência de agendas conjuntas, que passou a ocorrer de forma recorrente.
Antes do afastamento determinado pelo STJ, o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, integrava agendas, eventos e viagens do governador Wanderlei Barbosa. A presença era recorrente em compromissos oficiais. Após o retorno de Wanderlei ao Palácio, esse padrão deixou de se repetir. Ao longo de janeiro, Amélio não esteve na maior parte dos compromissos públicos do governador.
Nos pronunciamentos, Wanderlei segue mencionando o presidente da Assembleia, com registros de agradecimentos e referências institucionais. Nos eventos, no entanto, Amélio não tem acompanhado o governador. A menção formal permanece, enquanto a presença física deixou de ocorrer com frequência.
Interlocutores apontam o recesso parlamentar e a concentração de agendas de Amélio no Bico do Papagaio como justificativas. A explicação é considerada procedente, mas não exclusiva. Em alguns dias, o presidente da Aleto manteve despachos em Palmas, no gabinete da Assembleia, simultaneamente a compromissos do governo estadual na Capital.
Paralelamente, o governador passou a cumprir agendas ao lado da senadora Dorinha Seabra e de aliados ligados ao seu grupo político. A presença da senadora tem sido registrada em compromissos recentes, o que não ocorreu com Amélio no mesmo período, apesar de ambos integrarem o Republicanos e ocuparem cargos centrais na estrutura de poder do Estado.
Durante o período de afastamento de Wanderlei, tanto Amélio quanto o grupo político da senadora Dorinha atuaram em movimentos distintos de sustentação ao governador. Na Assembleia, Amélio conduziu a Casa de forma a não avançar discussões sobre eventual impeachment. Nos bastidores jurídicos e políticos, aliados da senadora trabalharam pela recondução do governador ao cargo. Ambos os movimentos são reconhecidos pelo Palácio.
Após o retorno, o governador passou a sinalizar a permanência no cargo até o fim do mandato, afastando a possibilidade de disputar o Senado em 2026. A decisão altera o desenho sucessório e evita a transmissão do governo ao vice-governador Laurez Moreira, adversário político do governador.
Com esse reposicionamento, o projeto político em construção passou a considerar o nome de Dorinha Seabra para a disputa ao governo e composições para o Senado com aliados como Eduardo Gomes e Carlos Gaguim. Nesse cenário, Amélio deixou de figurar de forma central nas agendas do executivo, o que não deixa de ser notado no meio político local.
Isso não representa uma definição sobre o futuro político do presidente da Assembleia. Amélio tem reiterado, em conversas reservadas, que mantém o interesse em disputar cargo majoritário. Seu nome também é citado em diálogos com outras legendas, como o MDB, em caso de reavaliação de sua permanência no Republicanos.
