O senador Eduardo Gomes (PL), vice-presidente do Senado, ainda não definiu de forma clara qual será seu papel nas eleições de 2026 no Tocantins. Embora tenha sinalizado no passado o desejo de percorrer os 139 municípios em uma caravana de fortalecimento político, até agora essa promessa não saiu do papel. A rotina intensa em Brasília e compromissos no exterior mantêm o parlamentar distante das articulações locais.

Nesse intervalo de ausência, o nome de Gomes apareceu em um episódio que movimentou as trincheiras da política estadual. Em áudios vazados, a senadora Dorinha Seabra (União Brasil), pré-candidata ao governo, disse querer contar com ele em sua chapa majoritária, como um dos dois candidatos ao Senado. No mesmo diálogo, Dorinha citou os deputados Carlos Gaguim e Vicentinho Júnior como alternativas ao segundo posto, além de criticar o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), a quem atribuiu já ter escolhido Amélio Cayres (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa, como favorito para sua sucessão.

A senadora confirmou a autoria dos áudios. Já Eduardo Gomes não se manifestou nem para aceitar nem para descartar a possibilidade de estar na chapa de Dorinha. Também não reafirmou sua ligação com o grupo do governador Wanderlei, onde era visto como um dos nomes prováveis para o Senado. O resultado é que a posição do senador passou a ser uma incógnita dentro do próprio partido e entre aliados.

Essa indefinição parece refletir na bancada estadual do PL. Enquanto Gipão e Marcus Marcelo já declararam apoio a Amélio Cayres, a deputada Janad Valcari se colocou na oposição ao governo Wanderlei, o que inclui resistir ao nome de Amélio. O único que ainda não se alinhou é Danilo Alencar.

O episódio dos áudios também teria causado desconforto na relação entre Gomes e o governador. Wanderlei, que antes tratava o senador como aliado próximo, agora evita movimentos públicos em conjunto, o que alguns interpretam como um afastamento calculado.

Apesar do cenário de indefinição, Eduardo Gomes segue sendo uma das figuras mais influentes do estado. Tem boa relação com prefeitos de diferentes partidos e mantém forte articulação em Brasília. No entanto, a impressão predominante entre aliados é de que a liderança do senador dentro do Tocantins ficou enfraquecida nos últimos meses. Aparentemente, deputados do PL agem de forma dispersa e sem coordenação, o que revela que, na prática, o comando político de Gomes sobre a legenda ainda não se traduziu em direção para 2026.