Com passagens por operações policiais, investigações da Polícia Federal e processos que se arrastaram por anos na Justiça, o empresário maranhense Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP ou “Imperador”, volta a orbitar o cenário político, agora com reflexos diretos no Tocantins.

O movimento ocorre enquanto o irmão dele, Alfredo Falcão Costa Júnior, aparece como pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos no estado. Eduardo DP ganhou notoriedade nacional a partir de 2015, quando foi preso na chamada Operação Imperador, da Polícia Civil do Maranhão. À época, ele foi apontado como peça central de um esquema de agiotagem e fraudes em licitações que, segundo as investigações, teria desviado cerca de R$ 100 milhões de 42 prefeituras.

Durante a operação, foram apreendidos documentos, veículos e registros que indicavam o uso de múltiplos CPFs, identidades e empresas para movimentação de recursos e suposta lavagem de dinheiro. O próprio irmão, Alfredo Júnior, também foi preso naquele contexto, após a polícia encontrar um veículo roubado em sua posse, sendo autuado por receptação.

As investigações avançaram ao longo dos anos e chegaram à esfera federal. Em 2022 e 2023, Eduardo DP voltou a ser alvo da Polícia Federal, sob suspeita de envolvimento em esquemas ligados à Codevasf e à comercialização de emendas parlamentares. Em uma dessas apurações, chegou a ser preso e teve mais de R$ 1 milhão apreendido em dinheiro vivo.

Relatórios da PF também apontaram a atuação do empresário como suposto sócio oculto de empreiteiras utilizadas em contratos públicos, além do uso de terceiros como “laranjas”.

Apesar da sequência de investigações, parte dos processos acabou sem condenação definitiva. Em um dos casos, envolvendo uso de documentos falsos, a Justiça reconheceu a prescrição da pena, ou seja, o Estado perdeu o prazo para punir, mesmo após condenação em primeira instância.

Em meio a esse histórico, Eduardo DP retomou atividades empresariais e ampliou contratos públicos por meio de empresas de infraestrutura, acumulando valores expressivos em obras nos últimos anos. Paralelamente, passou a incentivar a entrada da família na política. No Maranhão, a esposa foi lançada como pré-candidata à Câmara dos Deputados. Já no Tocantins, o avanço ocorre por meio do irmão, Alfredo Júnior, que se coloca como pré-candidato à Câmara Federal.

Nos bastidores, o movimento é visto como tentativa de consolidação de influência política em diferentes estados, combinando atuação empresarial e articulação eleitoral. Mesmo com o histórico de investigações, Eduardo DP tem negado irregularidades e sustenta que não possui condenações definitivas, atribuindo o encerramento de processos a decisões da própria Justiça.

O pré-candidato Alfredo Júnior foi procurado, mas não retornou o contato com a reportagem do Jornal Opção Tocantins.