Como a reeleição de Marilon na Câmara pode influenciar a disputa pela Prefeitura de Palmas em 2028
05 fevereiro 2026 às 13h33

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A discussão sobre uma possível reeleição do presidente da Câmara Municipal de Palmas, vereador Marilon Barbosa (Republicanos), ultrapassa o debate interno do legislativo. Caso avance, o movimento tende a produzir efeitos diretos no cenário político da capital nas eleições de 2028, quando o prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos) deve disputar a reeleição.
Marilon articula a mudança do regimento interno da Câmara para permitir recondução ao cargo de presidente. A discussão deve ocorrer ainda este ano. Se a regra for alterada e Marilon disputar a reeleição, a possibilidade de chegar a 2028 no comando do legislativo municipal passa a integrar o cenário político.
Nesse contexto, a presidência da Câmara assume papel estratégico. O cargo concentra a condução da pauta, define o ritmo das votações e atua como elo institucional entre os vereadores e o executivo. Um presidente vinculado a um grupo político adversário ao do prefeito pode estabelecer um eixo de pressão institucional em ano pré-eleitoral.
A situação ganha contornos mais amplos com a presença da família Barbosa. O grupo político liderado pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) tende a sustentar Marilon. Nos bastidores, a avaliação é de que o grupo trabalha para apresentar candidatura própria à Prefeitura de Palmas em 2028. Wanderlei é citado como possível protagonista desse projeto, caso permaneça no cargo ou não até o fim do mandato de governador e passe a atuar diretamente no cenário político da capital no próximo ciclo.
A eventual decisão de Wanderlei de não renunciar para disputar o Senado mantém o grupo unido até o fim do atual mandato, preserva capital político e capacidade de articulação para o próximo ciclo eleitoral. Com Marilon à frente da Câmara, a família Barbosa passa a contar com presença institucional no legislativo municipal em um período decisivo de organização para 2028.
A relação entre Eduardo Siqueira e Marilon Barbosa não apresenta o mesmo nível de alinhamento observado entre o prefeito e o governador. Um episódio recente expôs essa diferença. A Câmara encerrou o ano legislativo de 2025 sem votar a Lei Orçamentária Anual, que acabou apreciada apenas em sessão extraordinária convocada no fim de janeiro, já no encerramento do recesso parlamentar. A definição da pauta cabe à presidência da Casa. Com o governo estadual, Eduardo mantém relação institucional considerada estável desde o início do mandato.
O histórico recente também pesa. O grupo da família Barbosa integrou a campanha da deputada Janad Valcari (PL) em 2024, adversária de Eduardo Siqueira no segundo turno da eleição municipal. A disputa evidenciou a distância política entre os dois campos.
Caso Marilon chegue a 2028 como presidente da Câmara e os Barbosas consolidem um projeto próprio para a capital, Eduardo Siqueira poderá enfrentar um ambiente institucional mais adverso, com menor previsibilidade no legislativo e um grupo opositor organizado com antecedência.
Ainda distante no calendário eleitoral, o cenário indica que decisões regimentais adotadas agora tendem a produzir efeitos políticos relevantes no médio prazo.
