Distância entre Kátia e palanque de Laurez cria impasse para eventual vinda de Lula ao Tocantins
13 agosto 2026 às 15h31

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Uma eventual vinda do presidente Lula ao Tocantins durante a campanha exigirá uma acomodação que, até agora, seus aliados no estado não conseguiram construir. De um lado está Kátia Abreu (PT), coordenadora da campanha presidencial, dedicada exclusivamente à reeleição de Lula. Do outro estão Laurez Moreira (PSD), candidato ao governo, Paulo Mourão (PT), candidato ao Senado, e o candidato a vice, Coronel Silva Neto, que formam a majoritária estadual alinhada ao presidente. Os dois núcleos defendem Lula, mas seguem distantes quando a conversa chega à eleição tocantinense.
Kátia adotou uma estratégia que permite ampliar o apoio ao presidente sem exigir adesão à chapa de Laurez. Tem procurado prefeitos, vereadores e outras lideranças dispostas a trabalhar pela reeleição de Lula, mesmo quando estão vinculadas a outros candidatos ao governo. Também abriu conversas com diferentes setores e já realizou encontros voltados à juventude. A ex-senadora reconhece Laurez e Paulo Mourão como o palanque estadual do presidente, mas não transformou essa condição em requisito para participar da campanha presidencial.
É justamente aí que uma visita de Lula ao Estado se torna mais difícil de organizar. Laurez e Paulo têm dito a interlocutores que preferem manter distância de Kátia. Do outro lado, a coordenadora da campanha presidencial também não fez movimentos para uma aproximação. Enquanto as agendas seguem separadas, uma passagem do presidente pelo Tocantins colocaria no mesmo evento uma coordenação que trabalha para reunir apoios de diferentes campos e uma majoritária interessada em apresentar Lula ao eleitor como seu principal aliado nacional.
Há ainda uma questão de prioridade eleitoral. Embora Lula tenha histórico de bom desempenho no Tocantins, o Estado representa uma parcela pequena do eleitorado nacional. Para incluir o Tocantins no roteiro de uma campanha presidencial disputada em todo o país, a coordenação terá de avaliar o retorno político da viagem. Uma base local dividida não impede a visita, mas acrescenta uma dificuldade que outros Estados podem não oferecer. Antes de discutir data, palco e roteiro, os aliados de Lula no Tocantins terão de resolver uma questão mais elementar: como receber o mesmo candidato presidencial sem que as diferenças da eleição estadual ocupem o evento.
