As dúvidas sobre a viabilidade jurídica da candidatura de Mauro Carlesse (PSD) ao Senado estiveram entre os fatores que antecederam a decisão do ex-governador de retirar seu nome da disputa de 2026. Segundo fontes do PSD ouvidas pela reportagem, avaliações internas realizadas nos últimos meses apontavam incertezas sobre a elegibilidade de Carlesse, cenário que passou a ser considerado nas discussões sobre a formação da chapa majoritária do partido.

A avaliação dentro da legenda era de que uma candidatura ao Senado exigiria uma campanha de alto custo político e financeiro sem garantias de que o ex-governador chegaria ao período eleitoral com a situação jurídica consolidada. O tema era tratado reservadamente por dirigentes e aliados próximos e ganhou peso nas últimas semanas, segundo os relatos obtidos pela reportagem.

Nesta sexta-feira, 12, Carlesse anunciou a retirada da pré-candidatura. Em nota, afirmou que a decisão ocorreu após um processo de reflexão política e em razão da configuração partidária construída para as eleições de 2026. O ex-governador disse ainda respeitar as estratégias adotadas pelo partido e pelas lideranças envolvidas nas negociações.

A saída altera diretamente o desenho eleitoral do grupo liderado pelo vice-governador Laurez Moreira (PSD). Até então, a composição projetada pelo partido previa Laurez na disputa pelo governo, o senador Irajá buscando a reeleição e Carlesse concorrendo à segunda vaga ao Senado.

Com a desistência, uma das vagas da chapa majoritária fica disponível em um momento em que PSD e PT mantêm conversas sobre uma possível aliança para a sucessão estadual. Integrantes das duas legendas vêm discutindo há meses a participação petista na composição encabeçada por Laurez.

Nas negociações, o PT tem defendido espaço na majoritária. A ex-senadora Kátia Abreu e o ex-deputado Paulo Mourão aparecem entre os nomes citados internamente para uma eventual candidatura ao Senado. A hipótese de indicação para a vice-governadoria também circula nas conversas, embora sem definição formal.

Dirigentes envolvidos nas articulações avaliam que a retirada de Carlesse reduz um dos principais pontos de disputa dentro da composição. Com apenas Irajá na corrida pela reeleição ao Senado, o PSD passa a ter mais margem para acomodar aliados e avançar nas negociações para a formação de um bloco eleitoral em 2026.