Integrantes da campanha de Vicentinho já consideram derrota e voltam atenção aos proporcionais
21 setembro 2026 às 11h19

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A duas semanas do primeiro turno, setores da campanha de Vicentinho Júnior (PSDB) já trabalham com a vitória de Dorinha Seabra (União Brasil) na disputa pelo governo do Tocantins e passaram a dedicar maior atenção às candidaturas proporcionais. Integrantes da campanha ouvidos pela reportagem afirmam que pesquisas de consumo interno mostram queda do tucano nas últimas semanas e avanço da adversária.
Em alguns desses levantamentos internos, segundo os relatos, Dorinha já aparece acima de 52%, enquanto Vicentinho teria perdido mais de cinco pontos apenas na última semana. A avaliação entre os interlocutores ouvidos é de que uma reversão ficou mais difícil a duas semanas da votação e que Dorinha pode vencer no primeiro turno ou, caso haja uma segunda rodada, chegar a ela com boa vantagem.
O diagnóstico feito dentro da campanha encontra paralelo na projeção mais recente do Plano Político, divulgada neste domingo, 20, pelo Jornal Opção Tocantins. O modelo, criado pelo cientista político Vinícius Justo e alimentado por 16 pesquisas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estima Dorinha com 49,8% dos votos válidos, contra 33,1% de Vicentinho e 13,2% de Laurez Moreira (PSD). Nas simulações realizadas pela plataforma, Dorinha vence 69% dos cenários.
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Foco nos proporcionais
Diante desse cenário, a eleição das bancadas estadual e federal ganhou peso dentro da coligação. No MDB, Raul Cayres, filho do presidente da Assembleia Legislativa e candidato a vice-governador Amélio Cayres, é apontado entre os nomes com maior expectativa de eleição. O partido também trabalha pela reeleição dos deputados estaduais Olyntho Neto e Valdemar Júnior.
No PSDB, a disputa pelas cadeiras da Assembleia é mais apertada. Jorge Frederico e Toinho Andrade aparecem entre os nomes mais cotados, enquanto Júnior Geo disputa espaço para ampliar as chances de o partido conquistar uma terceira vaga. Uma das estratégias adotadas pela legenda passou pela tentativa de atrair nomes do Podemos, adversário direto na distribuição das cadeiras, numa movimentação destinada a reduzir a força da chapa concorrente.
Para a Câmara dos Deputados, a expectativa interna é eleger ao menos um nome. Cinthia Ribeiro e Iratã Abreu, ambos do PSDB, aparecem entre os principais candidatos da chapa.
No Senado, a aposta permanece em Alexandre Guimarães (MDB), que disputa uma das duas vagas e tem entre seus principais adversários Eduardo Gomes (PL) e Carlos Gaguim (União Brasil).
Recursos entram na conta
A perda de fôlego apontada pelas pesquisas internas não é o único problema relatado por integrantes da campanha. Aliados de Vicentinho afirmam que a candidatura enfrenta dificuldades para custear fornecedores e manter a estrutura de eventos no interior.
“Estamos com dificuldade para pagar os fornecedores. Um dia desses tivemos que tirar dinheiro do próprio bolso para providenciar água em um evento no interior. O fundo partidário é muito pouco e os recursos não são suficientes”, afirmou um correligionário de Vicentinho, que pediu para não ser identificado.
Segundo outro político próximo ao candidato, a piora nos levantamentos internos também reduziu a disposição de doadores privados nesta fase da campanha.
“Ninguém quer investir em campanha sem chance de vencer. E as pesquisas mostraram que as nossas são poucas. Vamos manter o máximo que pudermos a chama acesa para termos uma derrota honrosa com algo próximo dos 35%”, afirmou.
A declaração sintetiza a mudança de preocupação relatada por diferentes interlocutores da campanha: enquanto Vicentinho permanece na disputa pelo Palácio Araguaia, parte do grupo político já direciona atenção para o tamanho das bancadas que PSDB e MDB conseguirão formar a partir de 2027.
