Kátia Abreu critica baixa presença de mulheres na política, comenta disputa ao governo do TO e nega ida ao Brics
05 março 2026 às 13h55

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A ex-senadora e ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu recebeu, na manhã desta quinta-feira, 5, o título de cidadã tocantinense durante sessão solene da Assembleia Legislativa do Tocantins realizada em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Em discurso na tribuna, ela relembrou a trajetória política e os cargos que ocupou ao longo da carreira. Após a cerimônia, em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, comentou o cenário político do estado, a participação feminina na política e a possibilidade de assumir função ligada ao Brics.
No cenário eleitoral, Kátia acompanha as articulações da própria família. Ela é mãe do senador Irajá Abreu (PSD), que deve disputar a reeleição ao Senado, e de Iratã Abreu, apontado como pré-candidato a deputado federal. Assim, a ex-ministra deve ter dois filhos na disputa por cargos eletivos no pleito deste ano.
Ao falar sobre a presença feminina na política, Kátia afirmou que o balanço ainda é limitado. Segundo ela, apesar de homenagens e de avanços legislativos, os resultados práticos na participação política das mulheres seguem restritos. “A mulher é homenageada sempre, mas no balanço dos prós e contras não encontramos tantas coisas boas como as mulheres merecem”, disse.
A ex-senadora citou a aprovação de leis no Congresso Nacional do Brasil voltadas à proteção das mulheres, ao combate à violência e ao incentivo à participação política, inclusive com regras sobre financiamento eleitoral. Mesmo assim, avaliou que muitas mulheres ainda não se sentem estimuladas a disputar eleições. “O dinheiro está sendo destinado, mas poucas mulheres querem se candidatar. Às vezes não se preenche nem o percentual mínimo de 30% exigido nas chapas”, afirmou.
Para Kátia, o cenário exige reflexão sobre os fatores que afastam mulheres da política. Ela também defendeu que a presença feminina contribui para a elaboração de políticas públicas mais equilibradas. “Só teremos leis bem elaboradas se tivermos o sentimento dos dois gêneros”, afirmou.
Governo do Tocantins
Sobre a disputa pelo governo do Tocantins, a ex-senadora afirmou que o Estado vive um cenário incomum, com vários nomes colocados. Na avaliação dela, o quadro ainda deve passar por definições nas próximas semanas. “É a primeira vez que o Tocantins tem quatro pré-candidatos a governador com proeminência. Ainda é cedo para avaliação. O dia 4 de abril será um ponto importante para ver quem fica, quem sai e quem se junta”, disse.
Ela também citou o fato de o governador Wanderlei Barbosa não disputar a reeleição, o que abre espaço para novas candidaturas ao Palácio Araguaia. No plano nacional, Kátia afirmou que mantém apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Questionada sobre a possibilidade de atuar no BRICS, a ex-senadora descartou a hipótese. Segundo ela, o cargo de presidência da instituição vinculada ao bloco permanece com a ex-presidente Dilma Rousseff, que cumpre mandato. Kátia também mencionou que a função exige residência em Xangai, na China. “Não há a menor possibilidade. A presidente Dilma ainda tem cinco anos de mandato e quem preside precisa morar em Xangai”, afirmou.
