O exército de Wanderlei para depois de 2026
11 junho 2026 às 17h50

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Quando decidiu permanecer no governo e abrir mão de uma candidatura ao Senado, o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) fez uma escolha que produz consequências para além da eleição de 2026. Sem mandato a partir de janeiro de 2027, o governador passou a enfrentar um desafio comum a lideranças que deixam o executivo: como continuar relevante sem o controle da máquina estadual.
A resposta pode estar na formação de uma rede de aliados com potencial eleitoral para os próximos anos. Mais do que ajudar a eleger um sucessor para o Palácio Araguaia, Wanderlei tem motivos para investir na construção de uma base própria de deputados estaduais e federais capaz de manter sua influência política no período pós-governo.
Hoje, esse grupo tem dois integrantes com mandato na Assembleia Legislativa. Um deles é o deputado estadual Léo Barbosa (Republicanos), filho do governador e apontado como um dos nomes interessados na disputa pela presidência da Casa a partir de 2027. O outro é Eduardo Fortes (Republicanos), aliado próximo de Wanderlei e integrante do núcleo político do governo.
O grupo, porém, pode crescer. Nos bastidores, a ex-secretária da Governadoria, Kátia Chaves, aparece entre os nomes incentivados para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. Ligada ao círculo mais próximo da primeira-dama Karinne Sotero, ela é apontada por aliados como uma das apostas do grupo para ampliar a presença governista no Legislativo.
Em Palmas, outro nome observado com atenção é o do vereador Vinícius Pires (Republicanos). Um dos principais opositores da gestão Eduardo Siqueira Campos (Podemos), o parlamentar ampliou sua visibilidade ao protagonizar questionamentos sobre a terceirização das UPAs. A investigação que atingiu integrantes da Secretaria Municipal de Saúde fortaleceu um discurso que ele sustenta desde o início da discussão sobre o modelo adotado pela prefeitura. Vinicius seria uma das apostas de Wanderlei.
Na disputa para a Câmara dos Deputados, Wanderlei também acompanha projetos políticos de aliados próximos. O ex-secretário da Educação Fábio Vaz aparece entre os nomes mais identificados com o grupo do governador. Outro integrante desse círculo é Atos Gomes, ex-secretário da Juventude e Esportes, citado em diferentes momentos como possível candidato a deputado federal e também lembrado em discussões sobre a composição da chapa governista.
O alcance dessa estratégia não se limita ao Legislativo estadual e federal. Em Palmas, o presidente da Câmara Municipal, Marilon Barbosa, irmão do governador, permanece como uma das peças relevantes do grupo político. Caso consiga manter protagonismo na estrutura do Legislativo da capital nos próximos anos, Wanderlei preservaria influência também no principal colégio eleitoral do estado.
Nenhum desses projetos está garantido. As eleições de 2026 ainda dependem das alianças que serão consolidadas e da capacidade de cada candidatura converter proximidade política em votos. Mas a movimentação indica que Wanderlei parece olhar além da sucessão estadual. Sem mandato a partir de 2027, a construção de uma bancada própria pode ser o caminho para permanecer no centro das decisões políticas mesmo depois de deixar o Palácio Araguaia.
