Se Dimas virar opção para a vice, Dorinha terá de administrar a equação mais delicada da própria aliança
31 maio 2026 às 14h14

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Entre os vários cenários discutidos nos bastidores da sucessão estadual no Tocantins, um deles chama atenção pelos efeitos que produziria dentro da própria base da senadora Dorinha Seabra: a possibilidade de o ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas deixar a pré-candidatura ao Senado e passar a ser considerado para a vaga de vice. O tempo para possíveis mudanças será até as convenções.
A especulação parte de uma lógica eleitoral conhecida. Dimas reúne atributos que aliados de Dorinha costumam citar quando tratam da composição da chapa. Tem experiência administrativa, comandou o segundo maior colégio eleitoral do estado e representa a região norte, área que lideranças próximas à senadora consideram estratégica para a disputa deste ano.
Mas, se eleitoralmente a hipótese resolve uma parte da equação, politicamente ela cria outra.
A principal delas envolve o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), principal patrocinador da pré-candidatura de Dorinha. A aproximação entre os grupos significaria colocar no mesmo projeto político lideranças que estiveram em lados opostos na eleição de 2022 e que, de lá para cá, mantiveram diferenças também no pleito municipal de 2024.
Em Araguaína, o grupo liderado por Dimas e pelo prefeito Wagner Rodrigues impôs uma derrota significativa ao grupo apoiado pelo Palácio Araguaia. Até pouco tempo, a convivência entre essas forças políticas acontecia mais por necessidade institucional do que por alinhamento eleitoral.
Por isso, uma chapa que reunisse Dorinha, Wanderlei, Dimas e Wagner representaria uma acomodação política de peso. Mais do que uma composição regional, seria a incorporação formal de um grupo que construiu sua trajetória recente em posição distinta da adotada pelo governador.
A discussão não se limita ao histórico político. Ela passa também pela distribuição de espaços dentro da majoritária.
Hoje, o Republicanos tem como principal ativo na chapa a pré-candidatura do deputado federal Eli Borges ao Senado. A indicação foi construída depois que Wanderlei decidiu permanecer no governo e não disputar uma vaga na eleição de 2026. Ao mesmo tempo, Eduardo Gomes (PL) trabalha pela reeleição e Carlos Gaguim (UB/PP) já ocupa espaço consolidado nas articulações da aliança.
Nesse cenário, uma eventual chegada de Dimas à vice significaria ampliar a participação do Podemos na chapa justamente quando a maior parte dos espaços relevantes já se encontra distribuída entre os partidos aliados.
A conta política é simples: Wanderlei aceitou abrir mão de disputar o Senado, apoiou a construção da candidatura de Dorinha e garantiu ao Republicanos uma vaga na majoritária. Caso a vice também fique com um aliado externo ao núcleo mais próximo do governo, o centro de gravidade da chapa passaria a se deslocar para outras forças políticas da coalizão.
É justamente nesse ponto que a hipótese encontra seu maior teste. A discussão sobre a vice nunca trata apenas de geografia eleitoral ou potencial de votos. Ela também funciona como instrumento de equilíbrio entre os grupos que sustentam uma candidatura.
Por isso, se Ronaldo Dimas algum dia entrar efetivamente na mesa como opção para a vice de Dorinha, o debate deixará de ser apenas sobre Araguaína, experiência administrativa ou densidade eleitoral no norte do estado. A conversa passará a envolver o tamanho do espaço que cada aliado ocupará dentro da aliança construída para 2026.
