A declaração do deputado federal Eli Borges (Republicanos) de que não pretende abandonar a corrida ao Senado ocorre em um momento de aumento das dúvidas sobre o espaço político disponível para sua candidatura dentro da própria base governista.

Em vídeo divulgado nas redes sociais durante o fim de semana, Eli afirmou que seguirá na disputa até as convenções partidárias. “Sou pré-candidato ao Senado e não recuo. Quem escolhe é o povo”, declarou. O parlamentar também atribuiu as especulações sobre uma possível desistência a adversários que, segundo ele, estariam tentando enfraquecer sua candidatura.

A fala ocorre em meio ao avanço de outras pré-candidaturas ao Senado no entorno da senadora Dorinha Seabra (União Brasil), pré-candidata ao governo do Tocantins. Hoje, o grupo já conta com o senador Eduardo Gomes (PL), que busca a reeleição, e com o deputado federal Carlos Gaguim (União Brasil), apontado como nome da Federação União Progressista para uma das vagas.

Nos últimos dias, outro elemento foi incorporado ao cenário com a oficialização da pré-candidatura do ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas (Podemos) ao Senado. O movimento ampliou as especulações sobre como ficará a composição do grupo de Dorinha para a disputa das duas vagas que estarão em jogo em 2026.

A situação se torna ainda mais complexa porque o Podemos já abrigava a pré-candidatura do empresário Vanderlei Luxemburgo ao Senado. Embora o partido ainda tenha definições a fazer sobre sua estratégia eleitoral, a presença simultânea de mais de um postulante amplia a concorrência dentro do campo político aliado à senadora.

Nesse ambiente, aliados de Eli reconhecem que a candidatura ainda busca ganhar densidade eleitoral fora do segmento evangélico, principal base de sustentação do deputado. Com mandatos consecutivos, ele mantém forte identificação com o eleitorado religioso, mas ainda trabalha para ampliar sua presença em outras regiões e grupos políticos do estado.

Nos bastidores, há avaliações divergentes. Parte dos interlocutores considera que junho de 2026 ainda é um período precoce para medir a viabilidade das candidaturas ao Senado. Outro grupo entende que a falta de definições sobre a chapa majoritária e o elevado número de interessados nas duas vagas ajuda a manter o quadro indefinido.

O cenário pode ganhar novos ingredientes nos próximos meses. O vice-prefeito de Palmas, Carlos Velozo, também tem se apresentado como pré-candidato ao Senado. Ligado ao pastor Amarildo Martins, uma das principais lideranças da Assembleia de Deus Madureira no Tocantins, Velozo disputa espaço no mesmo segmento religioso onde Eli construiu sua trajetória política.

Amarildo, por sua vez, mantém diálogo com diferentes grupos políticos e ainda não indicou qual projeto pretende apoiar em 2026. Entre os interlocutores estão lideranças ligadas a Dorinha Seabra e ao senador Eduardo Gomes. Caso o grupo avance para uma candidatura própria ao Senado, Eli poderá enfrentar mais um concorrente no eleitorado evangélico.

Foi nesse contexto que o deputado decidiu subir o tom. Ao afirmar que segue “firme” e que chegará às convenções como pré-candidato, Eli Borges procurou enviar um recado tanto para os adversários quanto para os aliados que já discutem os espaços disponíveis na chapa governista para a disputa ao Senado.