O Tocantins registrou 32 mortes por afogamento entre 1º de janeiro e 16 de julho deste ano, conforme levantamento apresentado pelo tenente-coronel Antonio Luiz Soares, elaborado com base em dados do Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins (CBMTO), da Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa uma redução de 30,4% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 46 óbitos.

Em todo o ano de 2024, o estado contabilizou 57 mortes por afogamento. Já em 2025, o número subiu para 72 óbitos, um aumento de 26,3% em relação ao ano anterior.

O levantamento mostra que, em 2024, 14% das vítimas eram crianças de até 12 anos; 84% eram do sexo masculino; 43% das vítimas haviam ingerido bebida alcoólica; 65% sabiam nadar; e 41% dos afogamentos ocorreram em rios. O mês de julho concentrou o maior número de registros, com 11 mortes, período que coincide com a temporada de férias e de praias.

Em 2025, o perfil permaneceu semelhante. Crianças de até 12 anos representaram 15% das vítimas; 86% dos mortos eram homens; 53% haviam consumido bebida alcoólica; 76% sabiam nadar; e 47% dos casos ocorreram em rios. Novamente, julho registrou o maior número de ocorrências, com 10 mortes.

Municípios concentram maiores registros

Dados do Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins mostram ainda que Porto Nacional liderou o número de mortes por afogamento entre 2019 e 2023, com 29 registros, embora tenha uma população de 71.101 habitantes. No mesmo período, Palmas contabilizou 24 mortes, mesmo possuindo cerca de 334.454 moradores, população quase cinco vezes maior.

Outro município que chama atenção é Peixe, que registrou 15 mortes por afogamento no período, o mesmo número de Araguaína. A diferença está no tamanho da população: Peixe possui 9.431 habitantes, enquanto Araguaína soma 186.867 moradores.

Também aparecem entre os municípios com maior incidência São Sebastião do Tocantins, que contabilizou nove mortes mesmo tendo apenas 4.100 habitantes; Paranã, com oito registros e população de 10.492 moradores; e Araguatins, que registrou 14 óbitos, com população de 31.719 habitantes.

Neste ano, Peixe voltou a registrar ocorrências durante a temporada de praias e figura novamente entre os municípios com casos recentes de afogamento.

Dois casos em Peixe ocorreram nas últimas semanas

Nas duas últimas semanas, o município de Peixe voltou a registrar ocorrências de afogamento.

No primeiro caso, o policial penal Alessandro de Souza, morador de Gurupi, desapareceu no Rio Tocantins durante a tarde de domingo, 12. Após horas de buscas, o corpo foi localizado por populares ainda na noite do mesmo dia, a poucos metros do local do desaparecimento. As circunstâncias do afogamento permanecem sob apuração. O caso ocorreu poucos dias após outro afogamento registrado na mesma região.

Antes disso, uma criança de 8 anos morreu após desaparecer enquanto tomava banho em um banco de areia próximo à Praia da Tartaruga, também em Peixe. Segundo o Corpo de Bombeiros, a menina foi arrastada pela correnteza e localizada no dia seguinte, cerca de 90 quilômetros do ponto onde desapareceu. Outras crianças que estavam no local também chegaram a se afogar, mas foram retiradas da água.

Correnteza, profundidade e excesso de confiança aumentam o risco

Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, o tenente-coronel Antonio Luiz Soares explicou que características dos rios contribuem para a ocorrência de afogamentos, especialmente em locais onde há mudanças bruscas de profundidade e correnteza.

“Tem essa questão do aumento abrupto de profundidade. A correnteza tem esse potencial. A força da correnteza desloca uma pessoa que está em um local mais raso para um local mais profundo, principalmente se estiver utilizando boias. Tanto a correnteza quanto o vento podem fazer esse deslocamento. Quando a pessoa se distancia da margem, poucas conseguem nadar e fazer um deslocamento maior, como, por exemplo, de 50 metros, para retornar à margem. Quando faz essa tentativa, geralmente entra em exaustão, entra em pânico e acaba submergindo”, explicou.

Tenente-coronel Antonio Luiz Soares | Foto: Jornal Opção Tocantins

Segundo o oficial, a recomendação é que os banhistas priorizem praias oficiais, onde há estrutura de prevenção e salvamento. “Os banhistas devem procurar as praias oficiais, as praias licenciadas junto à corporação, porque nessas áreas há guarda-vidas, demarcação da área de banho com profundidade segura, sinalização da área exclusiva para embarcações e placas orientando as pessoas sobre a forma mais segura de aproveitar o lazer aquático e quais são os pontos de maior risco. Essas praias contam com todo esse sistema de segurança contra emergências aquáticas, o que reduz significativamente as chances de ocorrer um incidente aquático, principalmente o afogamento.”

Antonio Luiz Soares também afirmou que saber nadar não elimina o risco de afogamento e destacou a influência do consumo de bebida alcoólica. “O cidadão sabe nadar, às vezes consegue fazer um deslocamento de 20 ou 30 metros e, de repente, se encontra em uma situação em que precisa fazer um deslocamento de 100 metros. Essa distância está bem acima da competência aquática dele, mas ele acredita que vai conseguir, principalmente quando consome bebida alcoólica, porque superestima sua competência aquática. Nesse deslocamento acima da sua capacidade, acaba entrando em exaustão, entra em pânico e submerge, resultando em afogamento.”

Orientações para crianças e situações de emergência

O tenente-coronel orienta que, em balneários sem guarda-vidas, a atenção com crianças deve ser permanente. “Nos casos em que as pessoas optam por ir para balneários que não são licenciados junto à corporação, onde não há guarda-vidas nem sinalização, elas precisam lembrar das principais orientações. Toda vez que houver uma criança em um ambiente aquático, deve haver um adulto exclusivamente responsável por cuidar dela”, alertou.

Segundo o tenente-coronel Antonio Luiz Soares, a supervisão constante de um adulto é fundamental para crianças menores. “As crianças menores devem permanecer a uma distância máxima de um braço do adulto. Caso ela venha a submergir, o adulto consegue retirá-la rapidamente antes que aspire uma quantidade expressiva de água que possa levá-la ao afogamento. Já com a criança maior, como não é possível mantê-la sempre por perto, a orientação é que ela utilize um colete salva-vidas”, explicou.

Foto: Jornal Opção Tocantins

O oficial informou ainda que o Governo do Estado disponibiliza materiais educativos sobre prevenção. “Na página do Praia Mais Segura, no site do Governo do Estado, há um spot de áudio com orientações que pode ser divulgado em caixas de som. Também há um panfleto em PDF que pode ser baixado e compartilhado nos grupos do acampamento”, informou.

Ele também orienta que frequentadores de rios e praias adotem medidas preventivas para facilitar um possível resgate. “Outra medida importante é se antecipar aos riscos, deixando uma boia amarrada a uma corda no local e orientando as pessoas. Caso alguém venha a se afogar, uma pessoa sem treinamento não deve entrar na água para tentar fazer o salvamento nadando, porque geralmente acaba se tornando uma segunda vítima. Somente pessoas treinadas conseguem realizar esse tipo de salvamento e, ainda assim, com dificuldades”, ressaltou. 

Por fim, o tenente-coronel explicou como agir diante de uma situação de afogamento. “Se perceber que está em uma situação propícia ao afogamento, procure manter a calma, flutuar, deslocar-se lentamente para a margem e pedir socorro. Se observar alguém se afogando, não entre na água. Lance um objeto flutuante, como uma boia ou uma caixa térmica, ou estenda uma galhada mais comprida, visto que 45% dos afogamentos acontecem a até cinco metros da margem. Esses recursos são muito importantes para salvar alguém em uma situação de afogamento sem colocar a vida do socorrista em risco”, concluiu.