Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgados nesta segunda-feira, 19, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), colocaram três cursos de Medicina do Tocantins na faixa considerada insatisfatória pelo Ministério da Educação (MEC). As graduações da Afya Faculdade de Porto Nacional, do Afya Centro Universitário de Araguaína e da Universidade de Gurupi (UnirG) receberam conceito 2, índice que pode resultar em restrições como redução de vagas e suspensão do acesso a programas federais, como o Fies.

Procurada pelo Jornal Opção Tocantins, a Afya informou que acompanha a divulgação dos resultados, mas pondera que análises feitas por instituições de todo o país indicam divergências entre os dados divulgados agora e aqueles apresentados como insumos preliminares em dezembro de 2025. Segundo o grupo educacional, as diferenças estariam relacionadas, principalmente, ao número de estudantes considerados “proficientes” na avaliação.

“Diante disso, o grupo aguarda esclarecimentos técnicos por parte do MEC e do Inep antes de se manifestar de forma conclusiva sobre os números apresentados”, afirmou a Afya, em nota oficial. Confira a nota na íntegra:


A Afya informa que está acompanhando a divulgação dos resultados do Enamed. Análises de instituições de todo o país indicam divergência de dados, entre os que foram reportados como insumos, em dezembro passado, em relação ao número de estudantes proficientes de seus cursos, e os divulgados hoje. Diante disso, o grupo aguarda esclarecimentos técnicos por parte do MEC e do Inep antes de se manifestar de forma conclusiva sobre os números apresentados.

Contexto nacional

O posicionamento ocorre em meio a um debate nacional sobre a metodologia e a consolidação dos dados do Enamed. Reportagem publicada nesta segunda-feira, 19, pelo portal UOL, com base em informações da Agência Estado, aponta que associações do setor educacional têm questionado possíveis inconsistências nos resultados divulgados pelo Inep, o que levou diferentes instituições a pedirem revisões e esclarecimentos técnicos.

Já a Universidade de Gurupi (UnirG), responsável por um dos cursos de Medicina avaliados com conceito 2 no Tocantins, foi procurada pela reportagem, mas ainda não havia se manifestado até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para posicionamento.

Avaliação e impactos

O Enamed avaliou, nesta edição, 351 cursos de Medicina em todo o país. Cerca de 30% deles ficaram nas faixas 1 e 2, consideradas insatisfatórias. De acordo com o MEC, cursos com conceito 2 podem sofrer redução no número de vagas ofertadas, enquanto aqueles com conceito 1 têm suspensão total de novos ingressos, além de restrições em programas federais de financiamento e apoio estudantil.

No Tocantins, os resultados reacendem o debate sobre a qualidade da formação médica em um estado que ainda enfrenta dificuldades para suprir a demanda por profissionais de saúde, especialmente no interior. Especialistas apontam que, além da ampliação do número de vagas, a garantia de qualidade no ensino é fundamental para assegurar atendimento seguro e eficaz à população.

Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, as instituições terão prazo para apresentar defesa e esclarecer os dados antes da aplicação definitiva das penalidades. O MEC afirma que o objetivo do exame é funcionar como instrumento de monitoramento e indução de melhorias na formação médica no país.