Depois de chegar à etapa final da seleção da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e não conquistar uma vaga em 2025, Benjamim de Melo Amorim, de 10 anos, decidiu tentar novamente. Aluno da Escola Municipal Paulo Freire, em Palmas, ele passou a conciliar o ensino regular com aulas particulares de dança pela internet e a formação no Balé Popular do Tocantins. Neste ano, foi um dos 40 aprovados para iniciar o curso de dança clássica em fevereiro de 2027, em Joinville, Santa Catarina.

A aprovação vai levar a família a mudar de cidade para acompanhar a formação, que tem duração de oito anos e bolsa integral. Ao Jornal Opção Tocantins, a mãe, Regina Coeli, contou que a decisão de se mudar já estava tomada desde a primeira tentativa, caso o filho conseguisse a vaga.

“Desde o ano passado já havíamos decidido que, no caso de aprovação, mudaríamos para Joinville. E assim vamos fazer. A família inteira, inclusive os quatro irmãos de Ben, apoia esse sonho dele e também ajuda na rotina”, afirmou.

Benjamim é o único representante do Tocantins na lista de aprovados. O processo seletivo reuniu 1.759 candidatos, dos quais cerca de 300 participaram da etapa final, realizada em Joinville nos dias, 16 e 17 de outubro.

Preparação dentro de casa

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Benjamim do Bolshoi em Joinville | Foto: Arquivo pessoal

Para reforçar os estudos após o resultado de 2025, Regina contratou o professor Eduardo Ávila, formado em dança. As aulas on-line começaram em novembro daquele ano e passaram a acontecer na sala de casa, onde o pai de Benjamim instalou uma barra de balé feita com canos de PVC.

Segundo a mãe, a rotina de preparação incluía a escola regular pela manhã, uma hora diária de aula particular pela internet e quatro horas de atividades no Balé Popular do Tocantins, nas modalidades balé clássico e jazz.

A escolha pelo acompanhamento individual veio depois de uma primeira seleção marcada pela frustração. Regina relata que o filho chorou durante uma noite no quarto do hotel ao saber que não havia sido aprovado, mas, no dia seguinte, disse que queria voltar.

“Ele me disse que queria tentar novamente, disse que, se chegou na final, ele teria chances se tivesse uma preparação para isso”, contou.

De acordo com Regina, a família não recebeu uma explicação sobre os motivos da reprovação. Sem uma indicação específica do que precisava ser aperfeiçoado, ela buscou um professor que pudesse trabalhar a formação do menino de maneira mais ampla.

Os primeiros passos ao lado da irmã

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Benjamin ainda bebê vendo a irmça ensaiar | Foto: Arquivo pessoal

A relação de Benjamim com o balé começou em Paulista, em Pernambuco, quando ainda acompanhava as aulas da irmã Isabella. Regina conta que o levava porque não tinha com quem deixá-lo e que foi dentro da escola de dança que ele aprendeu a andar.

Aos 2 anos, começou a reproduzir os movimentos que via a irmã executar. No ano seguinte, com o incentivo de Isabella e da professora dela, passou a frequentar as aulas.

“Quando tinha dois anos, começou a repetir os passos com a irmã e, aos três anos, coloquei ele no balé por incentivo da irmã e da professora dela”, relatou a mãe.

Desde então, a família buscou escolas e cursos para dar continuidade ao aprendizado. Em Palmas, Benjamim ingressou no Balé Popular do Tocantins, que passou a fazer parte de sua rotina de formação.

Apoio para chegar à seleção

Ensaios em casa | Foto: Arquivo pessoal

A viagem para disputar a vaga em Joinville contou com contribuições financeiras de amigos. Segundo Regina, essa ajuda foi necessária para que a família pudesse acompanhar a seleção.

“Nossa vinda para Joinville só foi possível devido à ajuda de muitos amigos que contribuíram financeiramente. Seremos eternamente gratos a eles”, disse.

Agora, a organização se volta à mudança e ao início das aulas. Além da gratuidade do curso, a Escola Bolshoi informa que oferece aos estudantes alimentação, transporte, uniformes, figurinos, acompanhamento pedagógico e serviços de assistência à saúde.

Para Regina, o resultado encerra um período de preparação e incerteza, sustentado pela vontade do filho de continuar tentando.

“Nosso sentimento é de orgulho, alívio e gratidão a Deus! Um processo árduo de incertezas, e garanto que, se não fosse aprovado, iríamos tentar novamente”, afirmou.