Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno, que integrou o conglomerado do Master
18 fevereiro 2026 às 15h30

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O sistema financeiro nacional teve mais uma intervenção determinada nesta quarta-feira de Cinzas. O Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno — anteriormente denominado Voiter —, que pertenceu ao conglomerado do Banco Master. A decisão também alcança a corretora Pleno DTVM.
A instituição era controlada por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. O Pleno não foi incluído na liquidação do Master, ocorrida em novembro, porque, três meses antes, o Banco Central havia autorizado a cisão da instituição em relação ao conglomerado.
Posteriormente, Augusto Lima passou a ser investigado na operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes na venda de carteiras do Banco Master para o BRB. Ele chegou a ser preso, assim como Daniel Vorcaro, mas atualmente cumpre medidas cautelares e utiliza tornozeleira eletrônica.
A estimativa é de que a liquidação do Banco Pleno gere um custo aproximado de R$ 5 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Após a mudança de nome para Pleno, o banco adotou estratégia semelhante à do Master na captação de recursos, oferecendo rendimentos acima do mercado em CDBs. No caso do Master, o FGC já desembolsou R$ 36 bilhões para cobrir garantias desses títulos, o que corresponde a 89% do total previsto. Outros R$ 6,3 bilhões ainda deverão ser pagos a clientes que investiram até R$ 250 mil em CDBs do WillBank, banco múltiplo digital do grupo Master.
O principal ativo do Banco Pleno era o Credcesta, programa de cartão consignado do estado da Bahia, cujo controle pertence a Augusto Lima desde 2018. A aquisição ocorreu durante o processo de privatização de uma rede de supermercados baiana, realizado na gestão do então governador Rui Costa, atualmente ministro da Casa Civil. O contrato concedeu exclusividade para a oferta de crédito e serviços financeiros, com possibilidade de comprometimento de até 30% dos salários de servidores públicos e aposentados estaduais pelo período de 15 anos. Esse modelo foi posteriormente estendido a diversos municípios baianos e replicado em outros estados por meio do Credcesta e do Banco Master.
De acordo com o Banco Central, o Banco Pleno e a corretora Pleno representam 0,04% do ativo total e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN), o que enquadra a instituição na categoria S4, inferior à do Banco Master, classificado como S3.
Em nota oficial, o Banco Central informou que “a liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil.”
O órgão acrescentou que “continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada.”
Com informações UOL*
