A condução do processo que levou à liquidação extrajudicial do Banco Master passou a ser analisada internamente pelo próprio Banco Central. A autarquia instaurou uma investigação sigilosa para verificar se houve falhas nos procedimentos de fiscalização e na tomada de decisões relacionadas ao caso envolvendo a instituição financeira controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

A sindicância foi aberta logo após o encerramento das atividades do banco, decretado em novembro do ano passado, e busca esclarecer, principalmente, por que o crescimento das operações consideradas de maior risco não foi identificado com antecedência pela área técnica do BC. A apuração foi determinada pelo presidente do órgão, Gabriel Galípolo, diante da gravidade de um processo de liquidação extrajudicial dentro do sistema financeiro.

O Banco Master tornou-se, nos últimos meses, objeto de questionamentos que extrapolaram o âmbito do Banco Central e alcançaram o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF). As discussões tiveram início após suspeitas sobre operações financeiras da instituição, que culminaram na decisão do BC de decretar a liquidação.

No ofício que formalizou a medida, assinado por Gabriel Galípolo, o Banco Central justificou a intervenção com base na “situação econômico-financeira da instituição” e no “descumprimento de normas que disciplinam a atividade bancária”. A decisão, no entanto, passou a ser contestada, o que levou à reavaliação dos fundamentos adotados.

Questionamentos e atuação de outros órgãos

A liquidação extrajudicial implica o encerramento das atividades do banco e a nomeação de um liquidante, responsável por assumir o controle da instituição, suspender operações e conduzir os procedimentos necessários até sua extinção. Com isso, o banco deixa de integrar o Sistema Financeiro Nacional.

O caso também foi analisado pelo Tribunal de Contas da União. Inicialmente, o TCU determinou a realização de uma inspeção para examinar documentos relacionados ao processo de liquidação. O Banco Central apresentou embargos de declaração contra a decisão, mas recuou posteriormente.

Em 12 de janeiro, os presidentes do TCU, Vital do Rêgo Filho, e do Banco Central, Gabriel Galípolo, reuniram-se para tratar do tema. Após o encontro, as instituições informaram que chegaram a um entendimento para encerrar o impasse, optando pela realização de diligências técnicas sobre a documentação, em substituição à inspeção formal.

Com informações do g1