Casa Branca teria providenciado jato para Flávio Bolsonaro viajar aos EUA após ordem para entregar passaportes
29 outubro 2026 às 15h13

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O governo de Donald Trump ajudou a organizar a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos após a derrota nas eleições presidenciais brasileiras, no domingo, 25. Segundo reportagem do jornal americano The New York Times, Jason Miller, assessor de comunicação ligado à Casa Branca, providenciou o jato particular usado pelo parlamentar e sua família para chegar a Miami, na Flórida.
A viagem ocorreu depois que Flávio recebeu uma ordem judicial para entregar seus passaportes às autoridades brasileiras. Os documentos foram posteriormente cancelados, mas o senador conseguiu deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos, onde entrou com uma autorização temporária concedida pelo governo Trump.
De acordo com o jornal, o planejamento da viagem começou na segunda-feira, 26, após a determinação para que Flávio entregasse os documentos. Na noite de terça-feira, 27, ele atravessou a fronteira entre o Brasil e a Argentina por via terrestre, acompanhado da mulher e das duas filhas. De lá, embarcou em um jato particular que fez uma parada em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami.
Miller não comentou a informação. Questionada sobre a participação do governo americano na viagem, a Casa Branca citou declarações públicas de Trump, que confirmou ter autorizado a entrada de Flávio nos Estados Unidos, mas não explicou o envolvimento de integrantes de sua equipe na organização do voo.
Entrada nos EUA foi autorizada temporariamente
Flávio e seus familiares chegaram a Miami na quarta-feira, 28. Segundo o The New York Times, agentes de imigração permitiram a entrada da família pelo regime conhecido como parole, uma autorização temporária concedida em situações específicas, como por razões humanitárias urgentes ou por benefício público significativo.
O presidente americano confirmou a autorização. “Nós lhe demos permissão para entrar no país, então vamos ver. Mas não vou me envolver”, declarou Trump na quarta-feira, ao ser questionado sobre o senador.
Uma autoridade americana ouvida pelo jornal afirmou que Flávio poderá solicitar residência permanente nos Estados Unidos, conhecida como green card. O eventual pedido, segundo a fonte, poderá receber análise acelerada, mas a autorização temporária de entrada não garante a concessão da residência.
A reportagem também apontou dúvidas sobre os documentos usados pelo senador na viagem. Uma análise de registros públicos do governo americano feita pelo jornal sugere que Flávio teria apresentado um passaporte diplomático brasileiro cancelado ao chegar aos Estados Unidos. Não está esclarecido, porém, quais documentos foram utilizados em cada etapa do trajeto.
PF investiga saída do senador do Brasil
A viagem ocorreu em meio a investigações sobre Flávio. Na segunda-feira, 26 de outubro, ele recebeu uma determinação para entregar seus passaportes em até 24 horas, no contexto de uma apuração sobre possíveis ligações com um advogado investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em um esquema envolvendo apostas on-line.
Como os documentos não foram entregues no prazo, as autoridades brasileiras determinaram o cancelamento dos passaportes e emitiram um alerta aos órgãos de imigração para impedir a saída do senador, segundo a reportagem. Ainda não se sabe como ele conseguiu atravessar a fronteira com a Argentina.
A Polícia Federal informou que não havia registro oficial da saída de Flávio do país e que investiga as circunstâncias do descumprimento da ordem judicial. A corporação também esclareceu que a situação não o tornava automaticamente foragido nem justificava, por si só, sua prisão.
Flávio não foi formalmente acusado de crime nos casos mencionados na reportagem. O jornal também cita outra investigação relacionada à arrecadação de recursos para financiar um filme biográfico sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. As suspeitas ainda dependem de apuração.
Flávio agradece a Trump e questiona resultado eleitoral
Depois de chegar aos Estados Unidos, Flávio agradeceu a Trump e ao presidente argentino, Javier Milei. Em publicação nas redes sociais, afirmou ter deixado o Brasil por sofrer perseguição política e voltou a questionar o resultado das eleições, alegando fraude sem apresentar provas confiáveis.
Inicialmente, o senador se declarou “presidente eleito legítimo” do Brasil, mas apagou a publicação e divulgou outra versão, na qual passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
O resultado oficial deu a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. O senador questionou uma mudança no horário de votação, mas os dados citados na reportagem indicam que a alteração afetou 0,03% dos votos. Autoridades eleitorais brasileiras afirmaram que a medida não mudou o resultado, e observadores internacionais independentes atestaram a integridade do processo.
Na quinta-feira, 29 de outubro, Trump voltou a criticar a eleição brasileira, classificando-a como um constrangimento para o país, mas evitou dizer quem considerava o vencedor legítimo.
A participação de integrantes do governo americano na organização da viagem e a autorização concedida a Flávio podem aumentar as tensões entre Washington e Brasília, já marcadas por divergências envolvendo o processo eleitoral brasileiro e a atuação de aliados da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
