O processo de beatificação de Padre Luso avança em Porto Nacional e uma nova etapa passou a ser organizada pela associação que acompanha a causa. Para atender às exigências da Igreja Católica, a Associação Amigos de Padre Luso iniciou uma campanha junto à comunidade para construir uma sala ao lado da Igreja São Judas Tadeu, local onde os restos mortais do religioso deverão ser colocados após o translado do presbitério.

Atualmente, o corpo de Padre Luso está sepultado no presbitério da igreja, área próxima ao altar. No entanto, alterações nas normas da Igreja passaram a estabelecer novos procedimentos para situações envolvendo candidatos à santidade.

De acordo com a presidente da Associação Amigos de Padre Luso, Zulmira Cardoso, uma mudança na legislação eclesiástica ocorrida em 2016 determina que candidatos a santo não permaneçam enterrados no presbitério.

“Em 2016 houve uma mudança na lei da Igreja que determina que todo candidato a santo não pode estar enterrado no presbitério, que é o espaço do altar. Hoje o nosso servo de Deus ainda se encontra ali, e por isso precisamos fazer o translado para um espaço apropriado”, explicou.

História e devoção

Padre Luso faleceu no dia 3 de agosto de 1980. Desde então, o local onde está sepultado recebe visitantes de diferentes regiões do país que vão à igreja para conhecer sua trajetória e prestar homenagens.

Processo de beatificação em andamento

Segundo Zulmira, o processo de beatificação segue em andamento e já percorreu várias etapas. No momento, a causa está na fase da comissão histórica, responsável por reunir documentos e depoimentos relacionados à vida e às virtudes do religioso.

“Esse processo é muito sério e criterioso. Já estamos com o protocolo da causa e estamos praticamente na metade do processo. Agora estamos na comissão histórica, com parte do inquérito sendo realizado em vários lugares onde existem testemunhas que conviveram com o Padre Luso”, destacou.

Testemunhas já foram ouvidas em cidades como Belo Horizonte e Uberaba, em Minas Gerais, além de Brasília, São Paulo, Floriano (PI), Goiânia e também em Porto Nacional. Cada fase envolve comunicação formal com as dioceses das localidades onde vivem as pessoas que contribuíram com o processo.

Construção de espaço para visitação

Para que o translado seja realizado, a primeira etapa é a construção da sala que receberá os restos mortais após a exumação. O projeto do espaço já foi aprovado e será implantado ao lado da Igreja São Judas Tadeu.

“A sala será construída de forma adjacente à igreja, abrindo um acesso lateral. Ali será um local adequado para colocar os restos mortais e também para a visitação das pessoas. O Padre Luso sairá do presbitério e ficará nesse espaço preparado”, explicou Zulmira.

Mobilização da comunidade

O translado e a exumação serão conduzidos por uma equipe especializada indicada pela Igreja, sob coordenação do postulador da causa, o doutor Paolo Vilota. O procedimento está previsto para ocorrer após a conclusão da construção da sala.

Diante disso, a associação iniciou uma campanha para mobilizar a comunidade e arrecadar recursos destinados à obra e à aquisição da urna que receberá os restos mortais.

“Agora o primeiro passo é construir a sala. Por isso pedimos a ajuda da comunidade para que as pessoas se tornem sócias da associação e contribuam com essa construção. Tudo precisa ser preparado para esse momento”, reforçou a presidente.

A mobilização busca envolver fiéis e moradores de Porto Nacional na preservação da memória de Padre Luso e no andamento do processo que poderá reconhecer oficialmente sua trajetória religiosa pela Igreja Católica.