Os consumidores do Tocantins devem sentir aumento na conta de luz ao longo de 2026, em linha com os reajustes já aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em diferentes regiões do país. A projeção da agência é de alta média de 8% nas tarifas, com impacto de fatores como subsídios e custos de geração.

Em Roraima, a elevação média foi de 23,2%. No Rio de Janeiro, o reajuste chegou a 14,2% para consumidores atendidos pela Enel e a 6,9% para clientes da Light.

De acordo com a Aneel, a projeção é de que a conta de luz no Brasil tenha alta média de 8% ao longo de 2026. O índice é superior à estimativa de inflação medida pelo IPCA, que deve encerrar o ano em 4,1%, conforme o boletim Focus.

Nos anos anteriores, a variação das tarifas ficou em 7% em 2025, enquanto a inflação oficial foi de 4,26%. Em 2024, o aumento médio foi de 0,5% e, em 2023, de 6,2%.

Segundo a agência reguladora, cerca de metade do reajuste previsto para este ano está relacionada ao aumento dos custos com subsídios incluídos na conta de energia. Esses encargos são financiados por meio da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que deve alcançar R$ 52 bilhões em 2026.

Os recursos da CDE são destinados, entre outros pontos, ao incentivo a fontes renováveis e à isenção da tarifa para consumidores de baixa renda, medida aprovada pelo Congresso Nacional em 2025.

Outro fator apontado é o aumento no custo da geração de energia, influenciado pela expectativa de maior uso de usinas termelétricas diante da previsão de menor volume de chuvas no início do ano. Também há impacto da privatização da Eletrobras, atualmente denominada Axia, que passou a comercializar parte da energia a preços de mercado, substituindo contratos anteriores com valores reduzidos.

A legislação que autorizou a privatização da Eletrobras, em 2022, definiu um período de transição para a venda de energia pelas hidrelétricas da empresa com base em contratos antigos. Esse modelo prevê redução gradual das cotas até a eliminação completa em 2027.

Nos três reajustes já divulgados, os subsídios tiveram participação significativa. Em Roraima, que passou recentemente a integrar o Sistema Interligado Nacional (SIN), e na área de concessão da Enel, esses custos responderam por cerca de metade do aumento.

Na área atendida pela Light, os subsídios registraram alta de 7,6%, índice superior ao reajuste final aplicado, que foi atenuado pela redução de outros componentes da tarifa.

A diminuição dos subsídios foi apresentada como proposta pelo governo federal, que encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de reforma do setor elétrico. No entanto, a proposta não avançou integralmente, sendo aprovada apenas a criação de um novo programa de subsídio, o Luz do Povo.

A Aneel informou ainda que o governo utilizará recursos provenientes da taxa de uso do bem público para conceder descontos na conta de energia a consumidores de estados atendidos pela Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) e pela Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste).

A área de atuação da Sudam inclui Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. Já a Sudene abrange os estados do Nordeste, além de municípios do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.